Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

POE E A “UNIDADE DE IMPRESSÃO”
Brenno Silveira



Referindo-se ao conto – gênero literário que enriqueceu com técnica própria –, Poe ressalta, em alguns de seus ensaios, as condições essenciais para a sua execução: “brevidade” e “unidade de impressão”. “Unidade de impressão”: o autor deve acentuar de tal maneira a impressão que deseja causar, que a atenção do leitor não possa desviar-se, um momento sequer, do enredo da narração. Assim, por exemplo, se quiser dar uma impressão de tristeza e melancolia, os elementos literários de que o autor pode dispor devem tender exclusivamente à consecução de tal objetivo, excluindo todos os demais. Se deseja despertar um sentimento de terror, a narração deve, desde o princípio, conter todos os elementos capazes de contribuir para essa impressão dominante de terror. Na elaboração de um conto ou de uma novela curta, entram somente os elementos absolutamente necessários ao desenvolvimento do enredo. Todos os detalhes desnecessários devem ser postos de lado. O escritor deve, antes de mais nada, determinar com exatidão o efeito que tem em mente; depois, escolher, com máximo cuidado, os incidentes que auxiliem a consecução de tal efeito.

 

Este texto foi transcrito do Prefácio que o editor e tradutor Brenno Silveira escreveu para o livro Histórias Extraordinárias (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970, p. XVII), de Edgar Allan Poe