Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

AS TEORIAS DE POE SOBRE O CONTO
José Paulo Paes



Diante da obra literária de Poe, a atitude mais comum da crítica moderna é antes de restrição que de aplauso. Atitude bem diversa da de Charles Baudelaire, no século passado, que saudou (...) “o mágico das letras, que intuíra verdades imortais e fora dotado da divina faculdade de conjurar emoções supra-terrerrenas”.
A primeira preocupação de Poe como teórico da arte foi a de despojá-la de tudo quanto julgava alheio e acidental à sua essência. Combateu com ardor a “heresia do didatismo”, o moralismo na arte, fenômeno corriqueiro na literatura vitoriana. Para ele, verdade e beleza eram coisas distintas; e não deviam se misturar, sob pena de abastardamento.
Relativamente ao conto, as idéias de Poe não se afastam das suas demais idéias sobre o fato artístico em geral. Preconizava, nesse gênero, o uso e abuso do que denominava “a unidade de efeitos”. Ao escrever uma short-story, devia o artista ter sempre em mente o desfecho da narrativa e, de acordo com este desfecho, dispor as cenas, criar a atmosfera, de modo a provocar no leitor um sentimento definido de enternecimento, de solidão, de horror etc.

 

Este texto foi transcrito da Apresentação que o tradutor José Paulo Paes escreveu para o livro Histórias Extraordinárias (2ª edição, São Paulo, Cultrix, 1958, pp. 11-12), de Edgar Allan Poe