Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

E AS HISTÓRIAS DE DETETIVE & MISTÉRIO TIVERAM INÍCIO COM... UM ORANGOTANGO
artigo de Marco Aurélio Lucchetti



“A verdadeira intriga policial despontou entre 1841 e 1845. O seu registro de nascimento corresponde à publicação pelo Graham’s Magazine de ‘Os Crimes da Rua Morgue’. O inventor chama-se Poe. (...) Não é de modo algum imprescindível ser-se leitor assíduo de romances policiais para encontrar neste conto semelhanças flagrantes com todos os temas e personagens que farão a fortuna mundial do gênero. No primeiro plano, o cavaleiro Dupin, o detetive excêntrico e filósofo, o raciocinador por excelência, o direto antepassado do (...) Lecoq de Gaboriau, do Sherlock Holmes de Conan Doyle, do Philo Vance de Van Dine, do Hercule Poirot de Agatha Christie, do Nero Wolfe de Rex Stout, e de muitos outros.”
Gigantes da Literatura Universal – Edgar Poe

C. Auguste Dupin, o precursor de Sherlock Holmes, que é o maior detetive consultivo de todos os tempos, protagoniza apenas três histórias – “The Murders in the Rue Morgue” (no Brasil, essa história foi publicada com os seguintes títulos: “Duplo Assassínio da Rua Morgue”, “Os Crimes da Rua Morgue”, “Os Assassínios na Rue Morgue”, “O Fantasma da Rua Morgue”, “O Duplo Assassinato da Rua Morgue”, “Os Assassinatos na Rua Morgue”, “Os Assassinatos da Rua Morgue”, “Assassinatos na Rua Morgue” e “Os Assassínios da Rua Morgue”), “The Mystery of Marie Rogêt” (“O Mistério de Marie Roget”, 1842) e “The Purloined Letter” (“A Carta Furtada”, 1844) –, nas quais seu autor, Edgar Allan Poe (1809-1849), criou as bases da narrativa de Detetive & Mistério.
Narrada em primeira pessoa por um narrador anônimo (em certo trecho, esse narrador diz: “Residindo em Paris, durante a primavera e parte do verão de 18..., travei ali conhecimento com um tal monsieur C. Auguste Dupin”) e publicada originalmente no número  de abril de 1841 do Graham’s Magazine, “The Murders in the Rue Morgue”, é uma história típica de crime de quarto trancado:
Certa madrugada, diversos moradores de um bairro de Paris são acordados por uma série de gritos de socorro provenientes do quarto andar de uma casa da Rua Morgue (uma rua fictícia da capital francesa). Atendendo a esses gritos, algumas pessoas correm até a casa, que é habitada por madame L’Espanaye e sua filha Camille. Elas  tentam entrar no prédio; mas, num primeiro momento, não conseguem, pois a porta da frente está trancada. Então, após algum esforço, arrombam a porta e, na companhia de dois gendarmes, entram na casa. Quando estão subindo as escadas, ouvem, provindas possivelmente do último pavimento, duas ou mais vozes, que parecem discutir. Continuam a subir e, chegam, enfim, ao quarto andar, onde, depois de arrombarem a porta de um quarto situado na parte dos fundos, deparam-se com uma cena que os enche de assombro e horror. O aposento encontra-se na maior desordem – a mobília está quebrada e jogada em todas as direções; as roupas de cama e o colchão foram arrancados e lançados no meio do quarto; um cofre, com alguns papéis dentro, está aberto; uma navalha, suja de sangue, pode ser vista sobre uma cadeira; e, espalhados pelo chão, vêem-se moedas, jóias, colheres de prata e duas bolsas contendo cerca de quatro mil francos em ouro. Algum tempo mais tarde, o cadáver de Camille L’Espanaye é descoberto enfiado violentamente (de cabeça para baixo) na chaminé e apresenta vários ferimentos; e o cadáver da mãe é encontrado, com a garganta degolada, num pátio nos fundos da casa. As duas janelas do aposento estão hermeticamente fechadas e pregadas cada uma com um prego enferrujado no caixilho, o que deixa a polícia sem poder compreender como o assassino conseguiu escapar do local.
Dupin visita a casa onde o crime ocorreu e, por meio de uma série de deduções e de investigações de pequenos detalhes, descobre que o assassino é um orangotango. A seguir, usando de um estratagema, atrai até sua casa o dono do animal, um marinheiro francês. Então, o marinheiro conta o que aconteceu, que é assim relatado pelo narrador anônimo:

“O marinheiro fizera recentemente uma viagem ao Arquipélago Índico. Um grupo, de que fazia parte, desembarcara em Bornéu e dirigira-se ao interior da ilha, em viagem de recreio. Ele e um companheiro capturaram um orangotango. Tendo morrido esse companheiro, tornou-se o único dono do animal. Depois de grandes complicações, causadas pela ferocidade intratável do orangotango, durante a viagem de regresso, conseguiu, afinal, acomodá-lo com segurança em sua própria casa, em Paris, onde, para não atrair a desagradável curiosidade dos vizinhos, o manteve cuidadosamente encarcerado, até que se curasse de um ferimento no pé, provocado a bordo do navio por uma farpa de madeira. Sua intenção era vendê-lo.
Uma noite, ou melhor, na madrugada dos assassinatos, ao voltar para casa, encontrou o animal em seu próprio quarto de dormir; escapara do aposento contíguo, onde o marinheiro o supunha bem seguro. Com uma navalha na mão e todo ensaboado, o orangotango estava diante de um espelho, procurando barbear-se, coisa que decerto vira seu dono fazer anteriormente, espiando pelo buraco da fechadura. Aterrorizado por ver tão perigosa arma nas mãos de animal tão feroz e tão capaz de fazer uso dela, o marinheiro ficou por alguns instantes sem ação. Estava, porém, acostumado a acalmar o bicho, mesmo em seus acessos mais ferozes, por meio de chicotadas. Lembrou-se, então, de recorrer a tal processo. À vista do chicote, o orangotango fugiu através da porta do quarto, desceu as escadas e, aproveitando uma janela que, infelizmente, estava aberta, precipitou-se na rua.
Desesperado, o marinheiro seguiu o macaco, que, de navalha na mão, parava de vez em quando, virava-se e gesticulava para seu perseguidor; mas, logo que se via prestes a ser apanhado, recomeçava a fugir. A perseguição continuou dessa forma por muito tempo. As ruas estavam profundamente silenciosas, pois eram quase três horas da manhã. Ao passar por uma travessa, atrás da Rua Morgue, a atenção do animal foi atraída por uma luz que vinha da janela aberta do aposento de
madame L’Espanaye, no quarto andar da casa. Correndo para o prédio, percebeu o condutor do pára-raios, subiu por ele, com agilidade inconcebível, agarrou a veneziana, que estava completamente aberta e encostada à parede, e, nela se apoiando, saltou diretamente para a cabeceira da cama. Tudo isso aconteceu em menos de um minuto.
O marinheiro, nesse meio tempo, estava satisfeito e inquieto. Tinha, por um lado, fortes esperanças de recapturar o animal, que não conseguiria escapar da armadilha em que se metera voluntariamente, pois só poderia fugir descendo pelo condutor do pára-raios. Por outro lado, sobravam-lhe motivos de inquietação, no tocante ao que o animal seria capaz de fazer dentro da casa. Essa última reflexão incitou o homem a seguir o fugitivo. Não é difícil a um marinheiro subir por um condutor de pára-raios. Porém, ao chegar à altura da janela, que ficava afastada, à sua esquerda, seu caminho foi interrompido. Tudo o que podia fazer era esticar-se ao máximo, de modo a obter uma visão do interior do quarto. E o que viu quase o fez cair de onde estava, de tão horrível que era. Nesse momento, os gritos desesperados cortaram o silêncio da noite, despertando os moradores da Rua Morgue.
Madame L’Espanaye e a filha, em trajes de dormir, estavam aparentemente arrumando alguns papéis num pequeno cofre de ferro, que haviam arrastado para o centro do quarto. Tinham-no aberto; e parte de seu conteúdo (jóias, moedas, colheres de prata, duas bolsas etc.) estava espalhado no assoalho. As vítimas deviam estar sentadas de costas para a janela; e, pelo tempo decorrido entre a entrada do animal e os gritos, parece provável que ele não tenha sido logo percebido. A batida da veneziana fora, provavelmente, atribuída ao vento.


Em “The Murders in the Rue Morgue”, Edgar Allan Poe criou um dos orangotangos mais famosos da Literatura
(ilustração feita por Harry Clarke e publicada no número de abril de 1841 do
Graham’s Magazine)

Quando o marinheiro olhou para dentro do quarto, o gigantesco animal havia agarrado madame L’Espanaye pelos cabelos (que estavam soltos, porque ela os estivera penteando) e manejava a navalha em torno de seu rosto, imitando os movimentos de um barbeiro. A filha jazia imóvel no chão. Havia desmaiado. Os gritos e os esforços da velha (durante os quais os cabelos lhe foram arrancados da cabeça) tiveram o efeito de mudar em fúria as intenções, provavelmente pacíficas, do orangotango. Com um golpe rápido de seu braço musculoso, quase lhe separou a cabeça do corpo. A visão do sangue derramado transformou a cólera do animal em frenesi. Rangendo os dentes e com os olhos brilhando como se estivessem em fogo, ele saltou sobre o corpo da moça e enterrou-lhe as terríveis garras na garganta, mantendo o aperto até deixá-la morta. Seu olhar errante e feroz caiu, nesse momento, sobre a cabeceira da cama, por cima da qual se avistava o rosto de seu dono, petrificado de horror. O orangotango, que sem dúvida se lembrava do temível chicote, aquietou-se por um instante, cheio de medo. A seguir, cônscio de merecer castigo, pareceu desejoso de ocultar suas sangrentas façanhas e pôs-se a saltar dentro do quarto, em angustiosa agitação nervosa, derrubando e quebrando os móveis ao pular, e arrancou a roupa de cama e o colchão. Por fim, agarrou primeiro o cadáver da filha e meteu-o pela chaminé acima, na posição em que seria encontrado; depois, pegou o corpo da velha e atirou-o imediatamente, de cabeça para baixo, pela janela.
No momento em que o macaco, com o cadáver de madame L’Espanaye, se aproximava da janela, o marinheiro deixou-se escorregar pelo condutor do pára-raios e correu para casa, temendo as conseqüências daquela carnificina e desinteressando-se do que poderia acontecer com o animal. As palavras ouvidas pelas pessoas que subiam as escadas eram as exclamações de medo e horror do francês, misturadas com os balbucios cruéis da fera.”


“The Murders in the Rue Morgue” teve diversas traduções em Português, e uma delas foi publicada no livro O Fantasma da Rua Morgue


Esta é a 4ª capa do livro Os Crimes da Rua Morgue (volume 159 da Coleção Saraiva), que publicou uma tradução de “The Murders in the Rue Morgue”
(ilustração de Nico Rosso)

Em seu livro O Mundo Emocionante do Romance Policial, o já falecido Paulo de Medeiros e Albuquerque escreveu o seguinte a respeito de “The Murders in the Rue Morgue”:

“Edgar Allan Poe foi acusado, principalmente, de haver tirado sua idéia de Walter Scott que, antes dele, usara um macaco assassino. Porém, o sr. Guy Gardner, de Johannesburg, em artigo escrito para o suplemento literário do Times e publicado em 26 de fevereiro de 1938, lembra a existência de obra anterior à de Walter Scott: Sandford et Merton (1822), de Thomas Day. Neste livro, que possivelmente foi lido por Poe, uma vez que, na época, era uma literatura popular entre jovens, há o seguinte trecho:
‘Depois que Tom foi mordido por um macaco, o inestimável mr. Barlow, que nunca se descuida de aproveitar toda e qualquer ocasião, deu a Tommy e a Harry uma curta lição sobre os costumes dos macacos.
– Eles gostam de fazer coisas erradas, – disse Barlow, – e imitam tudo que se faz em sua presença. Há várias histórias ridículas contadas a esse respeito. Ouvi falar de um macaco que, morando com uma família burguesa, viu muitas vezes seu dono barbear-se. O animal imitador meteu na cabeça tornar-se barbeiro e, tomando numa das mãos um gato que morava na mesma casa e na outra uma garrafa de tinta, transportou-se para o alto de uma bela escada de mármore. Todos os empregados acorreram ao ouvir os gritos do gato e divertiram-se vendo o macaco, gravemente sentado no patamar e segurando firmemente o bichano como via seu dono fazer ao barbear-se. Todas as vezes que o gato procurava escapar, o macaco dava-lhe um tapa fazendo caretas ridículas e, quando o gato se acalmava, recomeçava a operação.’

Ainda que pese sobre Poe essas acusações de plágio – na verdade, não se sabe se ele leu realmente a história de Thomas Day e a de Walter Scott (1771-1832); portanto, não se pode afirmar que ele se baseou nelas para criar um orangotango assassino, ou melhor, um orangotango que se torna assassino porque deseja, a fim de imitar seu dono, barbear-se com uma navalha –, “The Murders in the Rue Morgue” é um conto excepcional, que inspirou filmes e histórias em quadrinhos.

 

OS FILMES

Dentre os filmes baseados na história escrita por Edgar Allan Poe podem ser citados estes cinco (todos produzidos nos Estados Unidos):

The Murders in the Rue Morgue (1914)
Direção: Sol A. Rosenberg
Observação: Alguns críticos consideram esta fita, que foi realizada na época do cinema mudo, a versão cinematográfica mais fiel do conto de Poe.


Murders in the Rue Morgue (Os Assassinatos da Rua Morgue, 1932)
Direção: Robert Florey
Fotografia: Karl Freund
Elenco: Bela Lugosi, Sidney Fox, Leon Waycoff, Bert Roach, Brandon Hurst, Noble Johnson, D’Arcy Corrigan, Betty Ross Clarke, Arlene Francis, Herman Bing, Charles Gemora
Sinopse: Dr. Mirakle, um cientista maluco, deseja criar um ser humano acasalando um macaco com uma mulher.

Observações:
1 – Apesar do título, esse filme não tem nenhuma relação com a história de Poe;
2 – Nascido em Paris, Robert Florey (1900-1979) dirigiu nos Estados Unidos um grande número de filmes B (muitos deles de ótima qualidade);
3 – Karl Freund (1890-1969) nasceu na Alemanha e, em 1929, mudou-se para os Estados Unidos, onde realizou um clássico do cinema de Horror: The Mummy (A Múmia, 1932), estrelado por Boris Karloff (1887-1969);
4 – Bela Lugosi (1882-1956) teve um desempenho marcante como o sinistro dr. Mirakle.


Nesta cena de Os Assassinatos da Rua Morgue, podem ser vistos: Bela Lugosi (segurando uma bengala), Sidney Fox (sentada), Leon Waycoff (usando capa) e, entre outros, Bert Roach (abraçando uma garota)

Phantom of the Rue Morgue (O Fantasma da Rua Morgue, 1954)
Direção: Roy Del Ruth
Elenco: Karl Marlden, Claude Dauphin, Patricia Medina, Steve Forrest, Allyn McLerie, Veola Vonn, Dolores Dorn, Anthony Caruso
Sinopse: Uma onda de assassinatos abala Paris, e todas as vítimas são belas mulheres. No final, a polícia descobre o assassino: um gorila, que mata sob as ordens de seu dono, o administrador do jardim zoológico.
Observação: Esta fita, mais uma versão pouco fiel do conto de Poe, foi filmada em Terceira Dimensão (3-D).


A noiva do prof. Paul Dupin, Jeannette (interpretada por Patricia Medina), quase se torna uma das vítimas do gorila assassino, em O Fantasma da Rua Morgue

Murders in the Rue Morgue (Assassinatos na Rua Morgue, 1971)
Direção: Gordon Hessler
Elenco: Jason Robards, Herbert Lom, Christine Kaufmann, Lilli Palmer, Adolfo Celi
Sinopse: Paris, século 19. Estranhos assassinatos são cometidos num teatro. A partir de algumas pistas contraditórias, um inspetor de polícia tenta descobrir o criminoso.
Observação: Filme rodado na Espanha e com ótimo elenco.

The Murders in the Rue Morgue (Assassinos da Rua Morgue, 1986)
Direção: Jeannot Szwarc
Elenco: George C. Scott, Rebecca De Mornay, Ian McShane, Val Kilmer
Sinopse: Na Paris do século 19, estranhos assassinatos são cometidos na Rua Morgue; e as descrições do criminoso são contraditórias, o que deixa a polícia totalmente confusa.
Observações:
1 – Fita realizada para a TV, mas com bons atores e boa reconstituição de época (algo extremamente raro em filmes feitos para a TV);
2 – Uma das melhores seqüências é a que mostra Rebecca De Mornay andando à noite pelas ruas desertas de uma Partis mergulhada na neblina.

 

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Os gibis norte-americanos publicaram, pelo menos, duas quadrinizações de “The Murders in the Rue Morgue”.
A primeira – e a mais antiga – dessas quadrinizações foi estampada no número 21 (datado de julho de 1944) de Classic Comics.


No Brasil, a quadrinização estampada em Classic Comics foi publicada pela Editora Brasil-América, em setembro de 1949, no número 15 da revista Edição Maravilhosa

Quanto à segunda, realizada na década de 1970 por Rich Margopoulos (roteiro) e o excelente Jose Ortiz (desenhos), foi publicada no Brasil pela Rio Gráfica e Editora, em 1980, no número 2 de Kripta Especial, que publicou quadrinizações de outras histórias de Edgar Allan Poe.


A morte de madame L’Espanaye (desenhos de Jose Ortiz)

Há, ainda, uma terceira quadrinização de “The Murders in the Rue Morgue”.
Intitulada “Il Duplice Delitto della Via Morgue” e realizada em 1967 pelo quadrinhista italiano Guido Crepax (1933-2003), o criador de Valentina, essa quadrinização foi publicada:
1 – no número de junho de 1968 da prestigiosa revista Linus;
2 no álbum Valentina in Giallo, fazendo parte de uma das histórias de Valentina, “Episódio Sem Título” (1976);
3 – no álbum 3 Gialli (1994), que publicou também as quadrinizações que Crepax fez de “O Mistério de Marie Roget” e “A Carta Furtada”.


Uma página de “Il Duplice Delitto della Via Morgue”


Em “Episódio Sem Título”, Valentina está lendo uma tradução em Italiano de “The Murders in the Rue Morgue”; e aquilo que ela lê é mostrado por meio da quadrinização que Crepax fez da história de Poe


Em “Episódio Sem Título”, há duas páginas em que Valentina fantasia ter um encontro com um orangotango semelhante ao descrito em “The Murders in the Rue Morgue”