Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

A OBRA-PRIMA DE POE
Mário Gonçalves Viana



A obra-prima de Edgar Poe é o genial poemeto “O Corvo”, que alia à sua maravilhosa concepção a mais cara e completa beleza formal. (...) a opinião universal aclama “O Corvo” como uma composição extraordinária, que atinge, por vezes, o sublime. Este incomparável poemeto é o poema do amor eterno, o poema da saudade sem esperança, o hino de dedicação à mulher amada!
Trata-se de uma obra de arte surpreendente, em que tudo ressume equilíbrio. Não há uma única parte desse poemeto que não contribua, harmonicamente, para o efeito de conjunto. Os mais pequenos pormenores foram concebidos de maneira a contribuírem para a produção do efeito geral, em obediência ao fundo ideológico, ao espírito de sonho e de mistério, que anima a espantosa poesia.
“O Corvo” foi uma obra profundamente meditada. Tudo, nela, parece natural e espontâneo. E, no entanto, tudo obedeceu a um plano superiormente arquitetado pelo poeta e depois executado com verdadeira mestria.

 

Este texto foi transcrito do Ensaio Preambular que Mário Gonçalves Viana escreveu para o livro O Escaravelho de Ouro (Porto, Educação Nacional, 1942, pp. XXVI-XXVII), de Edgar Allan Poe