Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

O MÉTODO DE EDGAR ALLAN POE
Pierre Boileau & Thomas Narcejac



É inútil reproduzir, aqui, a respeito de Poe, generalidades que se encontrarão em toda parte. Também não é necessário enumerar as influências que ele verdadeiramente sofreu. (...) Notemos somente, de passagem, que a França representava, para esse jovem americano em busca de uma cultura, um país de eleição. Portanto, escolheu naturalmente Paris como moldura para as suas três histórias policiais: “Os Crimes da Rua Morgue”, “A Carta Furtada” e “O Mistério de Marie Roget”.
Mas suas três histórias foram compostas segundo um método que é exposto em La Genèse d’un Poème. É sobre esse texto capital que todo autor desejoso de escrever um romance policial deve ainda meditar hoje.

“Escolho ‘O Corvo’... Minha intenção é demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído ao acaso ou à intuição; e a obra marchou, passo a passo, rumo à solução com a precisão e a rigorosa lógica de um problema matemático.”

Assim, quer se trate de um poema ou de uma narrativa em prosa, portanto de um romance policial, Poe declara que não devemos conduzir-nos pela inspiração, mas controlar, por uma reflexão bem conduzida, cada sugestão espontânea da imaginação. (...) É Poe o primeiro que explica, com a maior clareza, como o escritor deve arranjar-se para passar da criação “natural” à criação raciocinada. A primeira tateia e inventa um pouco ao acaso. A segunda vai direto ao objetivo por meio da lógica.

 

Este texto foi transcrito do livro O Romance Policial (Le Roman Policier, tradução de Valter Kehdi, São Paulo, Ática, 1991, pp. 20-21), de Pierre Boileau & Thomas Narcejac