Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

POE - HÁBIL ARTESÃO
Walter Blair, Theodore Hornberger & Randall Stewart



No começo de sua carreira de ficcionista, Poe escreveu uma carta a T. W. White, proprietário do Southern Literary Messenger, explicando como lhe tinha ocorrido a idéia de escrever suas estranhas histórias. Vinha lendo, explicava ele, muitas revistas bem-sucedidas, estrangeiras e americanas, e chegara à conclusão de que um certo tipo de história possuía um público entusiasta, mas sem muitos escritores a ele dedicados. Mencionava “The Spectre in the Log Hut” (na Dublin University Review), “The Last Man” (em Blackwood’s), “The Suicide” e “The Dance of Death” (em Godey’s) e “The Spectre Fire Ship” (em Knickerbocker). Todos estes textos seguiram a tradição do conto de terror gótico, que vinha alcançando êxito desde meados do século 18. Os contos mais populares, dizia Poe, eram os que retratavam “o cômico ampliado até o grotesco; o perigoso transformado no horrível; o satírico exagerado ao burlesco; e o simples mudado para o estranho e o místico”. Poe poderia produzir histórias com qualquer desses efeitos, mas preferia escrever sobre o segundo e o quarto assuntos. (...)
(...) Poe era de opinião de que os dois elementos de um conto – as peripécias e o vigor – devem provocar a reação do leitor. O artista habilidoso, portanto, é aquele que modula com exatidão o efeito desejado, combinando e inventando fatos e narrando-os com palavras escolhidas previamente, para que o efeito almejado seja atingido. Um conto elaborado com esmero, pensava ele, não podia deixar de “proporcionar aos que o acompanhem com atenção a mais completa satisfação”. O processo para chegar a este resultado, para alguns, consistia em adotar um método mais ou menos mecânico; mas a perícia de Poe tanto na parte inventiva como na executiva – quando então seguia sua forma pessoal – tornou possível realizar façanhas insuperáveis no gênero.

 

Este texto foi transcrito do livro Breve História da Literatura Americana (American Literature – A Brief History, tradução de Márcio Cotrim, Rio de Janeiro, Lidador, 1967, p. 110), de Walter Blair, Theodore Hornberger & Randall Stewart