Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

ANNABEL LEE
Edgar Allan Poe
versão: Hélio do Soveral



Já faz anos e anos, nascia e crescia,
no meu reino à beira-mar,
uma virgem formosa, que a corte sabia
ANNABEL LEE se chamar;
e essa bela donzela de amar-me vivia,
e eu vivia para a amar.



Eu era moço, e ela menina,
no meu reino à beira-mar;
mas já então nosso amor era mais que o amor
que o bom Deus podia dar –
era um amor que os arcanjos, que voam no céu,
vieram a cobiçar.



E foi por isso que, há muito tempo,
no meu reino à beira-mar,
do céu cinzento soprou um vento
que ANNABEL LEE fez gelar;
seus nobres pais, então, cuidaram
em de mim a carregar,
para a fechar sob um sepulcro
do meu reino à beira-mar.



No céu os anjos, não tão felizes,
tinham o que invejar...
Sim! – foi por isso (quem não sabia
no meu reino à beira-mar)
que o vento frio, da noite fria,
ANNABEL LEE veio matar.



Mas um amor como o nosso ganhava do amor
dos outros mais velhos que nós –
de muitos mais sábios que nós –;
e nem os anjos do céu no alvor,
nem diabos negros sob o mar,
vão ter o poder de minh’alma da alma
de ANNABEL LEE separar.



Pois, mal brilha o luar, eu me deito a sonhar
com a formosa ANNABEL LEE;
e uma estrela, a piscar, tem o jeito de olhar
da formosa ANNABEL LEE;
e, na laje puída, fiz outra jazida,
com a noiva querida, meu bem, minha vida,
aos pés da tumba, ao som do mar –
à sonora voz do mar.