Ano 1 - nº 4 - agosto/novembro de 2009

ALGUMAS PALAVRAS A RESPEITO DE “O CORVO”
Hélio do Soveral



Escrito em 1841 (ao que se sabe, inspirado num corvo que aparece no romance Barnaby Rudge, de Charles Dickens) e recusado, em 1843, pelo editor do Graham’s Magazine, sr. George Rex Graham, “O Corvo” foi aperfeiçoado durante quatro anos pelo seu autor. Apareceu, pela primeira vez, no dia 29 de janeiro de 1845, no New York Mirror, assinado com um pseudônimo – Quarles –, obtendo um extraordinário êxito. Por ele, o poeta recebeu a ínfima quantia de cinco dólares (segundo algumas fontes, dez dólares) pelos direitos autorais. Pouco depois (8 de fevereiro), o próprio Mirror republicou o poema, dessa vez com o verdadeiro nome de seu autor. E, uma semana mais tarde (15 de fevereiro), o Howard District Press, de Ellicott, Maryland, também reproduziu “O Corvo”, inclusive com a seguinte nota do sr. Nathaniel Parker Willis, editor do New York Mirror:

“Temos permissão de reproduzir (antes da publicação) do segundo número da American Review, o notável poema de Edgar Poe, que os senhores lerão a seguir. Na nossa opinião, é o mais impressionante e único exemplo de ‘poesia evasiva’ jamais publicada neste país e jamais superado na poesia inglesa, pela sua concepção sutil, pela continuidade poderosa de sua versificação e pelo seu arroubo imaginativo e fantasmagórico. É uma dessas ‘iguarias produzidas num livro’ com a qual nos repastamos. Ela ficará gravada na memória de todos quantos a lerem.”

 

Este texto foi transcrito da Nota Introdutória que Hélio do Soveral escreveu para o seu livro (inédito) Antologia Poética