Ano 1 - nº 1 - novembro de 2008/janeiro de 2009

PAUSA PARA O CAFÉ
Rubens Francisco Lucchetti


O escritor Mark Twain, cuja experiência comercial lhe deu acentuada aversão pelos banqueiros, dizia: “O banqueiro é um homem que empresta guarda-chuva quando brilha o sol e o exige de volta quando começa a chover.” Ele inventou a história do presidente de um banco que se orgulhava de um olho de vidro que lhe havia colocado o mais eminente artista de Paris. Disse-lhe um dia esse banqueiro: “Você necessita de cinco mil dólares; e eu lhe darei esse dinheiro, se adivinhar qual dos meus olhos é o de vidro.” E o sarcástico escritor replicou: “É o esquerdo. Tenho certeza, pois é o único em que brilha um pouco de bondade humana.”

 

Ainda de Mark Twain: “Tenho pena de todo aquele que não tem imaginação para escrever a mesma palavra de duas maneiras.”

Um magistrado, que havia sido designado para presidir a disputa de dois irmãos em torno de uma propriedade que lhes havia sido deixada como herança, usou a mesma Justiça de Salomão:
– Que um irmão divida a terra, e que o outro faça a escolha da sua parte.

Letreiro colocado do lado de fora de um canil:
“O único amor que o dinheiro pode comprar: Vendem-se cachorrinhos.”

– Quando eu trabalhava numa creche em Santos, – conta uma mulher negra, – uma garotinha viva e alegre, que acabara de chegar de Israel, vivia atrás de mim, o que achei que fosse amor e admiração. Logo descobri, porém, que a criança tinha mais curiosidade do que admiração, pois nunca vira um negro em toda a sua vida. Ela me “inspecionava” sempre que se apresentava uma oportunidade. Foi numa dessas “inspeções” que aquela menina de quatro anos descobriu uma verdade profunda: apalpou seu próprio rosto, depois o meu cor-de-chocolate e anunciou com simplicidade: “Ah: Isso é só pele!”

“É muito mais fácil o papel de amante do que o de marido, pela simples razão que é mais difícil ser engenhoso todos os dias do que dizer coisas bonitas de vez em quando.”
Honoré de Balzac

“O amor virá depois, com o matrimônio, com a vida em comum...”
Ingênuos: Pensar assim é como comprar frutos verdes para fazê-los amadurecer na despensa. Com o passar do tempo, marido e mulher, em vez de se amarem, dão náuseas um ao outro; e os frutos, em vez de amadurecerem, apodrecem.

“Um aparelho de televisão é como uma torradeira: aperta-se um botão e surge a mesma coisa quase sempre.”
Alfred Hitchcock

Numa exposição de pintura o cavalheiro ficou todo embevecido diante de um quadro, “Primavera”, que mostrava uma pequena – de formas admiráveis – coberta apenas por algumas folhas de parreira estrategicamente distribuídas.
De súbito, tirou-o do seu enlevo a voz da mulher:
– Vamos! Que é que está esperando, o “Outono”?

O símbolo mais velho que existe, representando uma palavra é o &, que freqüentemente aparece em nomes de firmas comerciais. Originalmente, era um dos cinco mil sinais no primeiro sistema de estenografia do mundo, inventado por Marcus Tiro em Roma, no ano 63 a.C., e usado por mil anos. Não é somente o & o único desses sinais a sobreviver, e hoje ele é usado como símbolo para a palavra “e” em várias centenas de línguas.

Um dia o teatrólogo George Bernard Shaw recebeu uma estranha proposta de uma formosa e conhecida atriz. Ela propunha-lhe nada menos que... casamento, justificando sua pretensão com estas palavras:
“...não se trata de amor, mas de um sublime ideal: sempre desejei ter um filho perfeito; e, com a minha beleza e a sua inteligência, essa criança virá a ser um admirável padrão humano.”
Bernard Shaw respondeu, então, por telegrama:
“Pensei proposta ponto pode dar o contrário criança puxe minha beleza e sua inteligência – B. Shaw.”

Perguntaram ao ator Robert Morley qual era a sua filosofia de vida.
– Encaro a vida como uma festa – disse ele ao entrevistador. – A gente chega muito depois de ela ter começado e sai antes de ela terminar, e talvez não valha a pena procurar assumir muita responsabilidade por ela.

 

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos