Ano 1 - nº 1 - Novembro de 2008/Janeiro de 2009

O QUE DISSERAM SOBRE O CINEMA

Brigitte Bardot: O Cinema é uma espécie de prisão dourada.
Beyoncé: Cinema é esse bicho estranho, em que a gente faz pedaços e só vê o resultado meses depois.
Louis Delluc:O Cinema é a pintura em movimento.
Louis Lumière: Esta invenção não tem o menor futuro.
Mel Gibson: O cinema independente é o futuro.
Henry Miller: (...) eu acolheria de braços abertos o dia em que o Cinema substituísse a Literatura, em que não houvesse mais necessidade de se ler.
Herbert Read: Toda obra de arte é produto da imaginação criadora; e, para merecer o nome de arte, o Cinema deve ser também produto da mesma fonte.
Nelson Rodrigues: O Cinema não chega a ser uma arte. Daqui a seis mil anos talvez o seja.
Georges Sadoul: O Cinema é uma arte. O desempenho dos atores, a construção dos cenários, a diversidade do guarda-roupa, a qualidade da fotografia, a humanidade da narrativa, a perfeição da técnica, a verdade e a poesia da realização, a realidade dos sentimentos, a harmonia da música... podem originar um filme que valha as maiores obras criadas pelo gênio humano. O Cinema forjou-se com meios próprios, partindo da síntese de quase todas as outras artes: Literatura, Teatro, Pintura, Arquitetura, Música etc. O Cinema é também uma indústria e um comércio. Para realizar um grande filme que tenha na tela a duração de noventa minutos, dezenas dos mais diversos especialistas – criadores, técnicos, operários – têm de trabalhar durante semanas e meses... São necessários capitais importantes para iniciar um filme de longa-metragem (...). Para produzir, vender, alugar, exibir e fazer circular os filmes existem em todo o mundo, às centenas de milhares, profissionais que exercem centenas de ofícios diferentes.
García Escudero: Existe a Sétima Arte (ela é o Cinema); a Oitava Arte, diz-se, é a de fazer dinheiro com a Sétima. Esta fábrica de sonhos que é o Cinema interessa às massas e converte-se imediatamente num negócio são. Os seus inventores, os Irmãos Lumière (Auguste e Louis), não o souberam ver. Quando (Georges) Méliès quer comprar-lhes o seu invento, desiludem-no: “Não se vende, jovem; e agradeça-nos. À parte o seu interesse científico, não tem nenhum interesse comercial.”
Louise Brooks: A grande arte dos filmes não consiste na descrição dos movimentos do rosto e do corpo; mas nos movimentos do pensamento e da alma, transmitidos numa espécie de isolamento absoluto.
Jean-Claude Carrière: Um crítico americano, que via a câmera como um engenho capaz de converter o espaço em tempo e vice-versa, se referia sobriamente ao Cinema como “a maior empresa filosófica desde Kant”.
Florinda Bolkan: (O Cinema é) uma indústria sem lógica.
Brigitte Bardot: O Cinema é superficial, duro e injusto.
Louis Malle: Acredito que o Cinema se presta muito pouco a sutilezas psicológicas dentro de um contexto sociológico.
Salvador Dali: Ao contrário da opinião comum, o Cinema é infinitamente mais pobre e mais limitado para expressar os processos reais do pensamento do que a Literatura, a Pintura, a Escultura ou a Arquitetura. Abaixo dele está apenas a Música, cujo valor espiritual, como todo mundo sabe, é quase nulo.
Duhamel: Trata-se de uma diversão de párias, um passatempo para analfabetos, de pessoas miseráveis, aturdidas por seu trabalho e suas preocupações (...). É um espetáculo que não requer nenhum esforço, que não pressupõe nenhuma implicação de idéias, não levanta nenhuma indagação, que não ilumina paixão alguma, não desperta nenhuma luz no fundo dos corações, que não excita qualquer esperança, a não ser aquela, ridícula, de, um dia, virar-se star em Los Angeles.
Jean-Luc Godard: Espero com entusiasmo o fim do Cinema.
Henry Miller: O que mais deploro é que a arte cinematográfica jamais tenha sido adequadamente explorada.
Moussinac: (...) o Cinema só atingirá o cume da sua descoberta quando os povos atingirem o cume da liberdade.
Henri Agel: Quando a cultura cinematográfica estiver suficientemente difundida para que os espectadores abandonem a sua tradicional passividade, estes compreenderão que os bons filmes não se limitam a contar uma história; compreenderão que o Cinema, tal como a Música, a Poesia e a Dança, é uma meditação organizada segundo um modo de expressão particular... compreenderão também que o seu papel fundamental consiste em transmitir-nos o sonho ou a corrente de pensamento de um criador.
Charles Chaplin: A finalidade do Cinema é a de nos transportar ao reino da beleza.
Brigitte Bardot: Fazer filmes é um trabalho imbecil (...).

QUEM É QUEM

Beyoncé (Beyoncé  Knowles) – cantora e atriz norte-americana
Brigitte Bardot – atriz francesa
Charles Chaplin (Charles Spencer Chaplin, 1889-1977) – cineasta e ator inglês
Duhamel (Georges Duhamel, 1884-1966) – escritor francês
Florinda Bolkan (Florinda Soares Bolcão) – atriz brasileira
García Escudero (José María García Escudero, 1916-2002) – crítico cinematográfico espanhol
Georges Sadoul (1904-1968) – crítico e historiador francês de Cinema
Henri Agel – historiador francês de Cinema
Henry Miller (1891-1980) – escritor norte-americano
Herbert Read (1893-1968) – crítico e historiador inglês de Arte
Jean-Claude Carrière – roteirista francês de Cinema
Jean-Luc Godard – cineasta francês
Louis Delluc (1890-1924) – jornalista e cineasta francês
Louise Brooks (1906-1985) – atriz norte-americana
Louis Lumière (1864-1948) – industrial francês
Louis Malle (1932-1995) – cineasta francês
Mel Gibson – ator australiano-estadunidense
Moussinac (1980-1964) – crítico e historiador francês de Cinema
Nelson Rodrigues (1912-1980) – escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro 
Salvador Dali (1904-1989) – pintor espanhol

artigo de Rubens Francisco Lucchetti

UM FILME, UMA CRÍTICA

Depois de vermos esta fita nota-se ainda mais a má qualidade de tantos filmes que se têm visto.
(...) filmes cheios de mentiras ou extravagâncias, de ignorância; e outros que nem são ignorantes nem mentirosos, são vazios. Não contam nada que interesse a quem os vê, só o ridículo das suas historinhas fabricadas por receita. Mas este não é assim. Mara, a garota de Bube, a jovem noiva desse rapaz que sacrifica sua liberdade pelo bem comum. Aquele que tem um coração generoso, que sabe o que quer e para onde vai (...).


artigo de Fernando de Morais

Um diretor, Jean Rollin
Se o espectador comum associa cinema francês a histórias pesadas, profundas, calcadas no subconsciente mais perturbado e nos diálogos mais abstratos (muito por culpa dos filmes que começaram a proliferar nas décadas de 1960 e 1970), ele pode perder grandes oportunidades. Cinema francês, hoje, também é sinônimo de sujeira, de sangue...

 
artigo de Valter Martins de Paula