Ano 1 - nº 1 - novembro de 2008/janeiro de 2009

CURSO: O SUSPENSE - HITCHCOCK E SEUS SEGUIDORES

 

Continuando sua série de cursos sobre a arte cinematográfica, o Cineclube Canarinho dará início, a partir de 1º de novembro, a O SUSPENSE – HITCHCOCK E SEUS SEGUIDORES.
Neste curso, que seguirá o mesmo modelo dos três cursos já apresentados (O CINEMA DE ALFRED HITCHCOCK, OS FILMES QUE ABALARAM O CINEMA e NAZISMO, FACISMO E OUTROS ISMOS NO CINEMA), serão exibidos oito filmes – inclusive um, A Sombra de uma Dúvida, dirigido pelo mestre do Suspense, Alfred Hitchcock; e dois, Carrie a Estranha e Vestida para Matar, de Brian De Palma, um dos cineastas mais influenciados por Hitchcock  –, a fim de que os participantes possam perceber o que é o suspense, como ele é conseguido, quais são seus principais elementos e de que forma ele está presente em outros gêneros cinematográficos.

Importante: Todas as sessões do curso terão uma palestra do professor e pesquisador Marco Aurélio Lucchetti.


PROGRAMAÇÃO

Encurralado (exibição: 1º de novembro, 16:00 horas)
Um telefilme exibido nos cinemas
O roteirista e escritor Richard Matheson
O cinema de Steven Spielberg
Um filme de Suspense do começo ao fim
Por que tudo isso?

Do Inferno (exibição: 08 de novembro, 16:00 horas)
A história em quadrinhos de Alan Moore e Eddie Campbell
A história de Jack o Estripador
Outros filmes de Jack o Estripador
A Londres do século 19
Quando suspense e terror andam juntos

Vestida para Matar (exibição: 22 de novembro, 16:00 horas)
Brian De Palma, um sucessor de Hitchcock?
Vestida para Matar e as referências a Psicose
Um final surpresa

Louca Obsessão (exibição: 29 de novembro, 16:00 horas)
Um filme baseado numa história de Stephen King
O roteirista William Goldman
Um suspense psicológico
Às vezes, fãs são perigosos

Pecado Original (exibição: 06 de dezembro, 16:00 horas)
O romance de Cornell Woolrich
O filme A Sereia do Mississipi, de François Truffaut
Uma trama cheia de reviravoltas
As pessoas nem sempre são o que aparentam ser
Quando suspense e melodrama andam juntos

O Silêncio dos Inocentes (exibição: 13 de dezembro, 16:00 horas)
O romance de Thomas Harris
Outros filmes com o canibal Hannibal Lecter
O Suspense e os personagens psicopatas
Outros filmes de Suspense de Jonathan Demme

Carrie a Estranha (exibição: 03 de janeiro de 2009, 16:00 horas)
O livro de Stephen King
Carrie, uma personagem complexa
Os filmes Carrie a Estranha e A Fúria e os personagens paranormais
Um final antológico

A Sombra de uma Dúvida (exibição:10 de janeiro de 2009, 16:00 horas)
Um dos filmes preferidos de Hitchcock
O suspense segundo Hitchcock
Hitchcock e os assassinos de mulheres
Uma caçada de gato e rato
Como bem disse Oscar Wilde: “Destruímos aquilo que amamos.”

SOBRE OS FILMES

Encurralado (1971, 89 ')

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Richard Matheson
Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Lucille Benson, Eddie Firestone
Sinopse: David Mann, um homem comum, dirige seu carro por uma estrada que cruza o deserto dos Estados Unidos. A viagem transcorre sem problemas até o momento em que ele ultrapassa um lento caminhão-tanque. A partir de então, sem nenhum motivo aparente, o motorista do caminhão começa a fazer um perigoso jogo de gato e rato, tentando tirar David de seu caminho.
Comentário: Nascido em 1926, no estado norte-americano de New Jersey, Richard Matheson formou-se em Jornalismo pela Universidade de Missouri e tornou-se internacionalmente famoso ao ser o roteirista do filme – hoje considerado um clássico da Ficção Científica – O Incrível Homem Que Encolheu (The Incredible Shrinking Man, 1957), adaptado de um livro de sua autoria.
Autor de dois best-sellers Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 1954), que modernizou os vampiros e o vampirismo; e Em Algum Lugar do Passado (Bid Time Return, 1975), um romance cheio de amor, fantasia e suspense – Richard Matheson adaptou para o Cinema diversos contos de Edgar Allan Poe (produzidos na década de 1960 pela American-International Pictures, esses filmes foram todos dirigidos por Roger Corman, um mestre em fazer filmes com baixo orçamento) e escreveu vários roteiros para a televisão, inclusive o do telefilme Encurralado (Duel), baseado numa história sua publicada na Playboy.
Alguns leitores podem estranhar termos chamado Encurralado de telefilme, achando que ele é um filme feito para os cinemas. Mas, na verdade, Encurralado foi realizado pela Universal como uma fita para a rede de televisão ABC. Entretanto, foi exibido nos cinemas da Europa e, em 1983, acabou sendo lançado nos cinemas dos Estados Unidos (então, teve sua duração aumentada de 73 minutos para 89 minutos).
Com suspense crescente, direção segura de Steven Spielberg e interpretação impecável de Dennis Weaver, Encurralado é Cinema em estado puro. E, quando o filme termina, os espectadores são levados a fazer a seguinte pergunta: qual seria o motivo de tanto ódio e violência por parte do motorista do caminhão-tanque?

Do Inferno (2001, 122')

Direção: Albert & Allen Hughes
Roteiro: Terry Hayes & Rafael Iglesias
Elenco: Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Jason Flemyng, Ian Richardson
Sinopse: Em 1888, em Londres, o inspetor Frederick Abberline enfrenta obstáculos junto à chefia para identificar e prender Jack o Estripador, o sádico assassino de várias prostitutas.
Comentário: De acordo com o roteirista (de histórias em quadrinhos) inglês Alan Moore, “assassinato não é como nos livros”.
Essa afirmação está correta. Porque, nas histórias de Detetive & Mistério imaginadas por Edgar Allan Poe, S. S. Van Dine, Frederic Dannay & Manfred B. Lee, Agatha Christie, Dashiell Hammett, Raymond Chandler e inúmeros outros autores, há máquinas pensantes como Dupin e Philo Vance, detetives como Ellery Queen e Hercule Poirot, investigadores particulares como Sam Spade e Philip Marlowe... Enfim, homens que, seguindo na maioria das vezes pistas que só eles percebem, conseguem identificar assassinos que cometeram crimes perfeitos ou de difícil solução. Na vida real, não é bem assim; e, em incontáveis ocasiões, a identidade de um assassino permanecerá obscura para todo o sempre. Um exemplo disso é o caso de Jack o Estripador, que, entre agosto e novembro de 1888, assassinou cerca de meia dúzia de mulheres em Whitechapel, em Londres.
Todas as mulheres assassinadas por Jack eram meretrizes. E Whitechapel, “era talvez, a zona mais mal afamada do famigerado East End, constituindo os seus moradores a escória de imigrantes de uma dúzia de países europeus. Durante o dia, era um aglomerado de casebres miseráveis, mais parecendo gaiolas de coelhos, de onde saíam trabalhadores miseravelmente mal pagos; e, à noite, grande número de mulheres, espalhafatosamente pintadas, passeavam, nas ruas mal iluminadas, à procura de homens. (...) em Whitechapel, a vida pouco valor tinha, particularmente a dessas decaídas”
(Jacob Penteado, Crimes Que Abalaram o Mundo, São Paulo, Vertex, 1960, pp. 95-96).
Até hoje não se conhece a real identidade de Jack o Estripador, nem se sabe o que o motivou a cometer os crimes. E a história de Jack foi retratada em diversos livros (de ficção e não-ficção), filmes e na história em quadrinhos Do Inferno (From Hell).
Foi no outono de 1988 que Alan Moore pensou seriamente em escrever algo extenso sobre os assassinatos de Jack o Estripador. Então, contatou o desenhista Eddie Campbell; e, juntos, realizaram Do Inferno, um trabalho monumental de mais de quinhentas páginas e um apêndice (nesse apêndice, Moore faz comentários sobre cada um dos capítulos da história).
Em 2001, Do Inferno chegou às telas cinematográficas, num filme dirigido pelos irmãos gêmeos Albert e Allen Hughes.
Filmado na República Tcheca (as ruas de Praga reproduziram com certa fidelidade a Londres vitoriana), Do Inferno (o filme) tem no elenco o sempre ótimo Johnny Depp (ele interpreta o inspetor Frederick Abberline) e a atriz inglesa Heather Graham (ela encarna uma prostituta). E é um thriller instigante que, como foi dito no jornal The Washington Post, “aperta sua garganta de forma esmagadora e fere profundamente como uma faca afiada”, à medida que revela uma conspiração chocante.

“A história em quadrinhos de Alan Moore serviu (...) para a concepção visual do filme. Como a obra é extremamente gráfica, mostrando os corpos dilacerados, ela foi a única que nos abasteceu de detalhes sobre as condições em que o Estripador trabalhava e a sua precisão cirúrgica. Até hoje nenhum filme sobre o serial killer tinha sido tão fiel aos detalhes, e essa era justamente a nossa intenção.”         
Albert Hughes

“Outra vantagem sobre a obra de Moore é que a obra nos ofereceu um panorama do período vitoriano e principalmente da difícil vida das mulheres da classe baixa na época. Moore é bastante descritivo com relação aos hábitos das prostitutas. E isso foi fundamental para que pudéssemos contar a história do ponto de vista dos menos favorecidos e humanizar as vítimas. Na maioria das vezes, o mistério do Estripador é narrado da perspectiva da classe mais alta e as vítimas são sempre pessoas sem nome.”
Allen Hughes

Vestida para Matar (1980, 105')

Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma
Música: Pino Donaggio
Elenco: Michael Caine, Angie Dickinson, Nancy Allen (*), Keith Gordon, Dennis Franz
Sinopse: Mulher casada faz sexo com homem que acabou de conhecer e, após descobrir que ele sofre de doença venérea, é brutalmente assassinada. O crime é testemunhado por uma prostituta. Depois, com o auxílio do filho da mulher, a prostituta procura descobrir quem é o assassino.
Comentário: Filho de um conceituado cirurgião-ortopedista, Brian De Palma nasceu em Newark, uma das mais importantes cidades do estado norte-americano de New Jersey, em 11 de setembro de 1940. Estudou Física na Universidade de Columbia, em Nova York; dirigiu, no início dos anos 1960, alguns curtas-metragens; e, em 1963, começou a rodar seu primeiro longa-metragem, The Wedding Party – co-dirigido por Cynthia Munroe e Wilford Leach (eles também participaram da produção, do roteiro e da montagem), esse filme, que marcou a estréia de Robert De Niro e Jill Clayburgh no Cinema, só seria concluído em 1966 e chegaria às salas cinematográficas dos Estados Unidos em 1969, após o sucesso comercial de Saudações (Greetings, 1968),  o terceiro longa-metragem de De Palma.
Em 1973, Brian De Palma realizou Irmãs Diabólicas (Sisters).
Estrelado por Margot Kidder (ela interpreta as irmãs gêmeas Danielle e Dominique Benton), Irmãs Diabólicas tem uma trama surpreendente e faz referência à obra do cineasta preferido de Brian De Palma: Alfred Hitchcock.
Seguindo o exemplo de Irmãs Diabólicas e outros filmes de Brian De Palma – notadamente Trágica Obsessão (Obsession, 1976) e Dublê de Corpo (Body Double, 1984) – Vestida para Matar (Dressed to Kill), que, segundo o crítico Leonard Maltin, “mantém uma atmosfera febril do início ao fim”, presta homenagem ou faz referência a diversas fitas de Hitchcock, sobretudo Psicose (Psycho, 1960) e Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958).

(*) Por seu desempenho como a prostituta Liz Blake, Nancy Allen foi indicada ao Globo de Ouro de Atriz Revelação do Ano.

Louca Obsessão (1990, 107')

Direção: Rob Reiner
Roteiro: William Goldman
Elenco: James Caan, Kathy Bates, Frances Sternhagen, Richard Farnsworth
Sinopse: Durante uma nevasca, o escritor Paul Sheldon sofre um acidente e é socorrido pela psicótica Annie Wilkes, que se considera sua fã número um.
Comentário: Foi em 1963 que o inglês John Fowles – nascido em 1926, ele até então havia dedicado toda a sua vida à carreira de professor – publicou seu primeiro romance: O Colecionador (The Collector).
Best-seller em diversos países – inclusive o Brasil – O Colecionador conta a história de Frederick Clegg, um apagado funcionário público e colecionador de borboletas, que, de repente, ganha uma fortuna nas apostas mútuas do futebol. Então, ele passa a ter um único propósito na vida: seqüestrar e aprisionar a bela Miranda, a quem ama platonicamente. Frederick consegue seu intento e leva Miranda para o casarão que adquiriu no campo. A partir de então, inicia-se um jogo de gato e rato.
Em certo grau, a trama do romance Misery (Angústia, 1987), do norte-americano Stephen King, lembra a de O Colecionador: psicótico aprisiona o ser a quem mais ama no mundo – no caso de Angústia, uma psicótica, a corpulenta Annie Wilkes, que mantém prisioneiro Paul Sheldon, autor de vários romances de época que se tornaram campeões de vendagem.
E, em 1990, chegou aos cinemas norte-americanos a adaptação cinematográfica de Angústia: Louca Obsessão (Misery), valorizada pelo roteiro do veterano William Goldman e as interpretações irrepreensíveis de James Caan e Kathy Bates (por sua atuação nesse filme ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz).

Pecado Original (2001, 120')

Direção e Roteiro: Michael Cristofer
Elenco: Antonio Bandeiras, Angelina Jolie, Thomas Jane, Jack Thompson, Gregory Itzin, Allison Mackie, Joan Pringle, Cordelia Richards, Pedro Armendariz Jr.
Sinopse: Luis, um rico fazendeiro cubano e comerciante de charutos, encomenda uma esposa norte-americana por correspondência. Quando Julia Russell, a noiva, chega, não se parece em nada com a moça da foto – na verdade, é muito mais bonita e exuberante. Luis se casa com Julia; e, pouco tempo depois, ela foge com todo o dinheiro do marido. Luis é, então, forçado a investigar o passado de sua mulher e descobre que ela é acusada de um brutal assassinato.
Comentário: “– Entrego-me ao amor (...). Há apenas meio dia. Meio dia em vinte e três anos... – falou ela, no tom de uma criança surpreendida. – ... é assim? Diz-me... dói sempre?
Ele procurou na memória até encontrar o início da sua história.
 –  Dói, sim. Mas vale a pena. O amor é assim.”

Esse trecho é de Valsa Sombria (Waltz into Darkness, 1947), um dos muitos romances de Detetive & Mistério da autoria de William Irish (pseudônimo de Cornell Woolrich, 1903-1968), escritor norte-americano a respeito do qual o pesquisador e ensaísta espanhol Javier Coma disse o seguinte no Diccionario de la Novela Negra Norteamericana (Barcelona, Anagrama, 1986, p. 117): (...) especialista ilustre do relato curto, teve sua grande época de autor de novelas longas entre 1940 e 1951. Poeta da vítima, do homem ou da mulher sob perseguição, do inocente que quer demonstrar essa condição, da pessoa obcecada por salvar ou vingar o ser amado. (...) edificou um singular universo de fantasia, lirismo e terror.”
Diversas histórias de William Irish foram adaptadas para o Cinema. Inclusive Valsa Sombria, que deu origem a dois filmes: A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississippi, 1969), dirigido por François Truffaut e estrelado por Jean-Paul Belmondo e Catherine Deneuve; e Pecado Original (Original Sin).
Tendo Antonio Bandeiras e Angelina Jolie, dois atores que dispensam maiores comentários (basta lembrar que ele já trabalhou sob as ordens de diretores como Pedro Almodóvar e que ela é uma atriz versátil, sempre interpretando bem suas personagens), nos principais papéis, Pecado Original é uma história de época (a ação se passa no século  19, em Cuba) e mistura ambição e desejo, ódio e vingança, dúvidas e traições, melodrama e suspense.  É também uma história repleta de reviravoltas e na qual as pessoas nem sempre são o que parecem ser. É um thriller; e, como todo bom thriller, deve ser assistido com bastante atenção do começo ao fim.

O Silêncio dos Inocentes (1991, 118')

Direção: Jonathan Demme
Roteiro: Ted Tally
Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn, Ted Levine, Charles Napier, Tracey Walter
Sinopse: Uma agente do FBI, Clarice Starling, vai entrevistar o psicótico e perigoso dr. Hannibal Lecter – ele está preso por canibalismo –, a fim de compreender a mente de Buffalo Bill, um assassino que está atacando moças. O dr. Hannibal se dispõe a ajudar Clarice, com a condição de ela alimentar sua curiosidade mórbida e revelar detalhes sobre sua complicada vida.
Comentário: Em 1981, foi lançado o romance policial Dragão Vermelho (Red Dragon), escrito por Thomas Harris.
Dragão Vermelho conta a história de um agente especial do FBI, Will Graham, destacado para elucidar uma série de assassinatos que está confundindo a polícia. E o que desnorteia a polícia é o fato de que as vítimas, todas donas-de-casa, foram mordidas até a morte, diante do marido e dos filhos... já mortos. Durante a investigação, Will tem de lutar contra um assassino terrível: o dr. Hannibal Lecter, que está preso (Will foi o responsável por sua prisão) e que procura tornar o investigador do FBI o suspeito de haver cometido os assassinatos.
Nos meados da década de 1980, Dragão Vermelho foi adaptado para o Cinema. Porém, o filme não atraiu a atenção do público. A razão disso talvez tenha sido a escolha do ator para interpretar o canibal Hannibal (não me recordo do nome desse ator. A única coisa de que me lembro é que ele era pouco expressivo). Por outro lado, um dos motivos de O Silêncio dos Inocentes (Silence of the Lambs) ter sido um sucesso de bilheteria talvez seja a presença do talentoso Anthony Hopkins na pele do brilhante e perigoso dr. Lecter. E O Silêncio dos Inocentes não foi apenas sucesso de público, mas também de crítica; e é, até o presente momento, o único filme de Suspense que ganhou os cincos principais prêmios Oscar (filme, diretor, ator, atriz, e roteiro adaptado).
Vale destacar que, em O Silêncio dos Inocentes, há pontas de Jonathan Demme, do diretor Roger Corman e do cantor pop Chris Isaak.

“Pavoroso, intrigantemente erótico e íntimo... este thriller assustador é um exercício eletrizante da arte do suspense!”
Newsweek

Carrie a Estranha (1976, 97')

Direção: Brian De Palma
Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseando-se no romance Carrie, de Stephen King
Música: Pino Donaggio
Elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving, Willian Katt, Betty Buckley, John Travolta, Nancy Allen
Sinopse: Filha de uma fanática religiosa, Carrie White é uma adolescente tímida. Não tem amigas. Na verdade, é marginalizada e hostilizada pelas colegas de escola, que sempre zombam dela. Mas Carrie é especial: possui poderes paranormais. E, um dia, cansada de ser motivo de zombaria daqueles que a cercam, Carrie decide usar seus poderes contra todos, inclusive contra as poucas pessoas que lhe querem bem.
Comentário: O texto a respeito de Stephen King, na edição de O Iluminado publicada pelo extinto Círculo do Livro, começa da seguinte maneira: “Na escuridão do cinema, os espectadores não se moviam, petrificados pela instigante e terrorífica trama que se desenrolava diante de seus olhos na tela de projeção. De repente, gritos e, literalmente, pulos de susto. Terminava a película Carrie a Estranha, cujo final-surpresa e a impecável direção de Brian De Palma tornavam o espetáculo um marco memorável do moderno cinema de suspense. Poucos, porém, conheciam um dos principais responsáveis pela realização: (...) Stephen King (...).”
Nascido em 1947, no estado norte-americano do Maine, Stephen King, nos primeiros anos da década de 1970, era professor de ginásio, já possuía mulher e filhos, escrevia contos para revistas masculinas como Cavalier e Dude, bebia demais e vivia deprimido. Suas bebedeiras constantes e sua depressão eram motivadas por sua insatisfação com a vida que estava levando: não queria ser professor pelo resto de sua existência; desejava dedicar todo o seu tempo a escrever romances, mas receava nunca chegar a ser um escritor de sucesso. E, numa entrevista dada a Eric Norden e estampada no número de junho de 1983 da Playboy norte-americana, Stephen King relembrou esse período de sua vida: “Quanto mais me sentia infeliz e inadaptado à condição que considerava a razão de meu fracasso como escritor, mais consolo buscava na garrafa, que só servia para exacerbar a pressão doméstica e me deixava mais deprimido ainda. (...) Costumava ficar deitado à noite imaginando-me cinqüentão, os cabelos ficando grisalhos, a papada aumentando, uma rede de capilares espalhados na ponta do nariz (...), uma área cheia de romances não publicados apodrecendo no porão, lecionando Inglês no segundo ciclo pelo resto da minha vida e lançando mão das poucas dicas literárias que ainda me restavam para assessorar o jornal estudantil ou, talvez, dando um curso de redação criativa.
(...) Todos os medos claustrofóbicos surgiam então; e eu ficava me perguntando se tudo aquilo era mesmo real, se não estaria apenas sendo vítima de um sonho tolo. (...) e eu dizia para os meus botões: (...) King, enfrente a situação; você vai lecionar Inglês para ginasianos nojentos toda a sua vida.’ Não sei o que teria acontecido ao meu casamento e à minha sanidade mental se em 1973 não tivesse recebido notícias, inteiramente inesperadas, de que a (editora) Doubleday aceitara Carrie, que a meu ver tinha pequenas chances de ser negociado. (...) Sei que há muita coisa de que ainda gosto e que continua válida no livro, mas sou o primeiro a reconhecer que ele é, em diversos aspectos, tosco e simples. Bem, tanto do ponto de vista criativo como financeiro, Carrie foi uma espécie de saída de emergência para minha família; e, por meio dele, tivemos a oportunidade de mergulhar numa existência inteiramente diversa.”
Lançado em 1974, Carrie logo se tornou um sucesso de vendagem, sendo traduzido para diversos idiomas, inclusive o Português – no Brasil, foi publicado pela Editora Nova Fronteira. E, em 1976, estreava nos cinemas dos Estados Unidos a versão cinematográfica do romance, Carrie a Estranha (Carrie), que ganharia o Primeiro Prêmio do Festival de Avoriaz de 1977.
Filme que transformou Sissy Spacek numa estrela (por sua interpretação, ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz) e que apresentou John Travolta e Amy Irving em seus primeiros papéis importantes no Cinema, Carrie a Estranha estabeleceu definitivamente Brian De Palma como um dos mais criativos e importantes cineastas norte-americanos dos anos 1970. 

A Sombra de uma Dúvida (1943, 108')

Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Thornton Wilder, Sally Benson & Alma Reville, baseando-se numa história original de Gordon McDonnell
Elenco: Joseph Cotten, Teresa Wright, MacDonald Carey, Patricia Collinge, Henry Travers, Wallace Ford, Hume Cronyn
Sinopse: Charlie Oakley vai visitar seus parentes, que moram numa pequena cidade da Califórnia. Enquanto isso, a polícia está atrás de um terrível assassino de viúvas, que se aproxima de senhoras ricas para matá-las e roubar-lhes a fortuna. Com o passar do tempo, a sobrinha de Charlie, também chamada Charlie, começa a suspeitar de que ele é o assassino que a polícia está procurando.
Comentário: A idéia daquilo que se transformaria no filme A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt) surgiu quando o escritor Gordon McDonnell e sua mulher passavam umas férias na Califórnia e o carro deles quebrou. Enquanto esperavam na pacata e pequena cidade de Hanford que o carro fosse consertado, McDonnell teve a idéia de uma história de um assassino que retorna à casa de sua família. Jack H. Skirball, que acabara de abrir um escritório de produção na Universal, gostou da idéia, comprou-a e produziu A Sombra de uma Dúvida, dirigido pelo mestre do Suspense, Alfred Hitchcock (1899-1980).

“O que (o filme) demonstra é que os vilões nem sempre são obscuros e os heróis nem sempre são óbvios. O tio Charlie adorava sua sobrinha, mas não tanto quanto ela o amava. Contudo, ela TEM de destruí-lo.”
Alfred Hitchcock

“Se todo Hitchcock pode ser resumido a um conflito entre a Luz e a Sombra, poucos filmes conseguem expressar tão plenamente essa idéia quanto A Sombra de uma Dúvida.”
Inácio Araújo