Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

O WESTERN É ÉPICO
André Bazin



(...) encontram-se reunidos na fonte do Western uma ética da Epopéia e mesmo da Tragédia. O Western é épico, como geralmente se acredita, pela escala humana de seus heróis, a amplitude lendária de suas proezas (Billy the Kid é invulnerável como Aquiles; e seu revólver, infalível). O cowboy é um cavaleiro. Ao caráter do herói corresponde um estilo de realização em que a transposição épica aparece desde a composição da imagem, sua predileção pelos vastos horizontes, os grandes planos de conjunto lembrando sempre o confronto do Homem com a Natureza. O Western ignora praticamente o primeiro plano e quase o plano americano; mas, em compensação, é afeito ao travelling e à panorâmica, que negam o quadro da tela e restituem a plenitude do espaço.
É verdade. Mas este estilo da epopéia só alcança seu significado a partir da moral que o sustém e o justifica. Esta moral é aquela de um mundo onde o bem e o mal social, em sua pureza e necessidade, existem como dois elementos simples e fundamentais.

 

Este texto foi transcrito do Prefácio (traduzido por Argemiro Ferreira) que o crítico francês André Bazin escreveu para o livro O Western ou o Cinema Americano por Excelência (Le Western ou le Cinéma Américain par Excellence, tradução  de João Marschener, Belo Horizonte, Itatiaia, 1963, pp. 13-14), de Jean-Louis Rieupeyrout