Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

A VERDADE POR TRÁS DA LENDA
Donald Wayne



Os narradores de histórias adoram apresentar o Velho Oeste nos termos mais engraçados. Narram coisas do velho Arizona, do velho Wyoming, da velha San Antonio; recordam emocionados os nomes mágicos de Cheyenne, Tombstone, Dodge City, Deadwood; falam de Buffalo Bill, Billy the Kid. Descrevem pistolas chamejantes e cavalos ruidosos, índios ululantes e a cavalaria (...), jogadores profissionais, ladrões de cavalos, minas de ouro, caravanas, diligências... Descrevem cidades movimentadas, saloons e cassinos clandestinos, mulas sujas de poeira e mulheres com vestidos de seda. Falam da pradaria desolada e percorrida pelo vento, das plantas selvagens, dos desertos de areia e das montanhas, dos cowboys do Texas, que, cantando baixinho, acalentavam a manada acampada na trilha interminável.
É um retrato fascinante, uma lenda ligada à vida de Hollywood, aos escritores de histórias baratas e aos compositores de canções populares. Mas a lenda não fala dos aspectos mesquinhos e aborrecidos da vida da fronteira, dos mercadores tranqüilos e pacíficos, da multidão anônima de empregados, dos vendedores, das famílias, dos homens e das mulheres (todos anônimos) que ali viveram. Não conta a contínua e implacável tendência de transformar a vida do Far-West em uma rotina respeitável e decorosa. (...) esquece que as pessoas comuns eram as que realmente importavam.

 

Este texto foi transcrito do artigo “O West Selvagem” (Boletim número 6, Lisboa, ABC Cineclube de Lisboa, agosto de 1958, pp. 105-106), de Donald Wayne