Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

“UM FAROESTE DEVE ASSEMELHAR-SE AOS OUTROS FAROESTES”
Maurizio Colombo



“No balé o que agrada às pessoas é a disciplina. Um faroeste deve assemelhar-se aos outros faroestes. Ninguém se lamentará de ouvir Beethoven tocado sempre da mesma maneira. Um faroeste é um divertimento formal, bem controlado. Há o bem e o mal, uma perseguição, um duelo. É inútil querer fazer faroestes diferentes. O bom é fazer sempre o mesmo faroeste, mas fazê-lo melhor!” A declaração é de um especialista na matéria, John Sturges, que dirigiu alguns clássicos do gênero (Sem Lei e Sem Alma/Gunfight at the O.K. Corral, 1956; Duelo de Titãs/Last Train from Gun Hill, 1959; Sete Homens e um Destino/The Magnificent Seven, 1960); e esclarece bem como o Western se sustenta exclusivamente em rituais bem definidos e convenções consolidadas, extraídas, com muita liberdade, de temas históricos. É possível identificar pelo menos cinco ciclos dramáticos de base que se repetem ou se cruzam alternadamente: a chegada dos pioneiros, as guerras indígenas, o nascimento do capitalismo e do progresso (o gado, a ferrovia, criadores contra colonos, grandes magnatas contra minorias impotentes etc.), o banditismo e os homens da Lei, a Guerra de Secessão. Cada um tem os seus mandamentos. Rituais e marcas narrativas que o Western não se cansa nunca de repetir, um pouco como a melhor commedia dell’arte ou a chanson de geste. É um mundo fechado, dominado por situações que obedecem a um código fixo já estabelecido (...).
Em suma, um bom faroeste é aquele que contém em si todos os faroestes feitos anteriormente. Pode ter algum elemento de originalidade que o diferencie dos outros; porém, os ingredientes de base permanecem sempre os mesmos.

 

Este texto foi transcrito do número 2 de Almanaque Tex (São Paulo, Mythos, maio de 2000, pp. 6-7)