Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

TEX WILLER



São bem diferentes as características do mito do Oeste na América e na Europa. Como os Estados Unidos são um país sem uma história antiga, toda a mitologia do Oeste foi fabricada para dar a esse povo uma tradição que ele tinha inveja do europeu; e, assim, foram criados heróis modernos que lembravam os personagens míticos do Velho Mundo. Dessa maneira, os cowboys são apresentados como uma espécie de cavaleiros medievais, com códigos de honra etc.; mas são de criação recente e artificial. O próprio mundo dos pioneiros do Oeste americano é envolto num clima completamente irreal, copiado de tradições européias.
Na Europa, ao contrário, o mito do Oeste é fruto de uma influência cultural que os americanos impingiram ao resto do mundo, com seus valores, sua música... Entretanto, o europeu – mais especificamente o italiano – não teve necessidade de mitificar o Velho Oeste, uma vez que suas tradições culturais são suficientes.
É por isso que, na Itália, o Velho Oeste passou a representar uma espécie de sonho, um mundo imaginário aventuresco, bem diferente do modelo imposto pelos americanos durante os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. O Oeste  made in Itália nada mais é do que o mundo da aventura pela aventura, um mundo não-mitificado que não tem necessidade de se impor como uma tradição.
Tex Willer, o representante máximo dos personagens dos quadrinhos italianos de Faroeste, nada tem a ver com os cowboys padronizados do Oeste; não segue o modelo imposto pelo Cinema e a TV, mesmo porque não chegou a ser influenciado por esses meios. As histórias do personagem, como são criadas na Itália, não pretendem transmitir os padrões de comportamento do americano, nem alimentar o mito fabricado do Oeste.
Tex, ao contrário do cowboy cinematográfico, é rude, não hesita em recorrer à violência para arrancar uma confissão, tem o sangue quente dos latinos e não é nada burocrata.
Criado e desenvolvido pelas mãos hábeis do roteirista Giovanni Luigi Bonelli, Tex foi mudando ao longo dos anos, numa espécie de ajustamento às novas gerações e aos gostos da época. E, como seu único compromisso é com a aventura, suas histórias seguem sempre umas estrutura bem montada, com bastante ação, cativando o leitor, que chega ao fim de cada história saciado, recompensado (...).
Como é produto da fantasia, as histórias de Tex (elas começaram a ser publicadas na Itália em setembro de 1948) podem se dar ao luxo de incluir vários ingredientes – como o fantástico – impossíveis de surgirem numa história tradicional baseada no mito do Oeste. O mago Mefisto, o melhor exemplo disso, é um feiticeiro dotado de poderes extraordinários, como a telepatia, a premonição e o hipnotismo.
E Tex consegue vencer seus inimigos com a ajuda de alguns companheiros de aventuras: Jack Tigre, Kit Carson e Kit Willer. Kit é filho de Tex. Isso mesmo: filho, pois Tex já foi casado com uma índia, Lilyth. Mas isso não deve preocupar as fãs do personagem, porque, hoje em dia, Tex é viúvo. Infelizmente, sua amada Lilyth foi morta. Desde então, algumas mulheres, todas belas, têm surgido em seu caminho; porém, ele continua levando sua vida de herói solteiro e disponível.
Da mesma maneira como surgem mulheres no caminho de Tex, os inimigos aparecem cada vez mais. Além do já citado Mefisto, podemos destacar: Coffin, que foi seu primeiro adversário; Satânia, uma mulher bela que chefia uma quadrilha; Ted Bartell, o homem de quatro dedos; e até mesmo seu irmão, Sam Willer...

 

Este texto foi transcrito do primeiro número da revista Tex Coleção (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, novembro de 1986, pp. 7-10)