Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

PAUSA PARA O CAFÉ
Rubens Francisco Lucchetti


Chama-se Western de vanguarda aquele tipo de filme em que o cavalo é mais inteligente do que o diretor..

Certa tarde, numa pequena cidade do Novo México, o cowboy, depois de amarrar seu cavalo num poste, entra no saloon e pede um uísque. Bebe, joga algumas moedas no balcão e sai. Então, descobre que o cavalo foi roubado. Furioso, ele saca o revólver, entra novamente no saloon, dá um tiro para o alto e indaga:
– Alguém sabe quem roubou meu cavalo?
Nenhum dos presentes responde.
– Muito bem – fala o cowboy, dando outro tiro para o alto. – Vou tomar mais uma dose de uísque; e, se meu cavalo não estiver lá fora quando eu sair, vou fazer o mesmo que fiz lá no Texas.
O cowboy aproxima-se do balcão, pede a dose de uísque e bebe-a calmamente, sob o olhar atento de todos. Em seguida, sai do saloon e encontra o cavalo onde o deixou. Um sujeito, que está encostado à parede, junto à porta do saloon, pergunta:
– Só por curiosidade, moço, que é que aconteceu lá no Texas?
– Ora... voltei a pé para casa!

Um cowboy está perdido no deserto do Arizona. Sem cavalo, sem comida e sem água. Arrastando-se pela areia escaldante, ele, de repente, depara-se com uma tenda indígena. Arrasta-se com mais rapidez e entra na tenda.
– Quer uma gravata? – Pergunta um índio, assim que o vê. – Mim ter de todos os tamanhos e cores...
– Está maluco?! – Berra o cowboy. – Eu aqui, morrendo de sede; e você quer me vender gravatas? Quero água! Você tem água?
Mim só tem gravatas! – Diz o índio, balançando negativamente a cabeça. – Tem certeza de que não quer uma?
– Não quero gravata alguma!!
O cowboy fala isso e sai da tenda. A seguir, continua arrastando-se pelo deserto. Umas seis horas mais tarde, avista outra tenda. O cowboy arrasta-se até ela; e abre um largo sorriso, ao ver uma placa, em que se pode ler o seguinte: “VENDE-SE ÁGUA.”
Reunindo suas últimas forças, o cowboy entra na tenda e pede:
– Me dê água...
– Tem gravata? – Indaga o índio que o atende.
– Gravata?! Não tenho gravata alguma...
– Lamento, então. Mim só vende água para pessoas com gravata.

Por volta de 1860, um cowboy encontrou um índio escarrapachado na areia do deserto do Novo México e com o ouvido colado à terra.
– Carroça... dois cavalos... um preto, outro branco. Homem dirigindo... fumando cachimbo. Mulher loura... Vestido verde... e gorro... – Disse o índio.
– Nossa! Mas dá para saber tudo isso... apenas escutando o chão?!
– Não! Passaram por cima de mim... uma hora atrás,,,

Cavalgando pelo deserto, um cowboy encontra uma mulher atraente, completamente nua, amarrada (de pernas abertas e braços estendidos) a quatro estacas.
– Que aconteceu, senhora? – Pergunta o cowboy, saltando do cavalo.
– Uma coisa horrível! Seis índios atacaram nossa carroça, mataram meu marido, amarraram-me aqui, violentaram-me e depois fugiram com meus filhos.
Começando a tirar o cinturão, o cowboy diz:
– É, minha senhora, parece que hoje não é seu dia...

Depois de beber uma dose de uísque, o cowboy deixa o saloon. E, quando se aproxima de seu cavalo, vê que parte dele está pintada de azul. Furioso, o cowboy dá meia-volta, invade o saloon e grita:
– Quem foi o infeliz que pintou meu cavalo de azul?
Lá no fundo, levanta-se um homenzarrão de quase dois metros de altura, barba por fazer e dois revólveres na cintura.
– Fui eu! – Responde o homenzarrão, dando um pontapé na mesa, que se parte em duas. – Por quê? Algum problema?
– Problema nenhum, moço! – Fala o cowboy, com voz titubeante. – Eu só vim avisar que a primeira mão de tinta já secou.

Esta se passa numa cidadezinha do Texas.
Certo dia, o dono do saloon aproxima-se do empregado contratado recentemente e avisa:
– Quando ouvir que o Big Jake está pra chegar na cidade, você corre fechar o saloon e se manda. Entendeu?
Nesse instante, alguém, lá fora, grita:
– O Big Jake vem aí!
Instala-se a maior confusão. Todos que estão dentro do saloon saem correndo. Inclusive o dono do estabelecimento. O pobre do empregado é jogado no chão e pisoteado. Em menos de cinco segundos, o saloon fica completamente vazio. Só o empregado fica ali, caído junto ao balcão. Pouco a pouco, o homem começa a levantar-se.
– Vamos logo! Levante-se daí e venha me servir! – Ordena uma voz, que mais se assemelha a um trovão.
O empregado termina de se levantar e vê à sua frente um brutamontes de mais de dois metros de altura.
– Que é que o se... senhor... de... deseja?
– Coloca uma dose dupla de uísque! – Berra o brutamontes, dando um murro no balcão, que se parte em dois.
O empregado pega, com as mãos tremendo, uma garrafa de uísque e estende-a para o brutamontes.
– Sirva o se... senhor mes... mesmo...
O brutamontes pega a garrafa, quebra o gargalo com os dentes e engole seu conteúdo de uma só vez.
– Quer... ou... outra? – Pergunta o empregado.
– Olha, amigo, – fala o brutamontes, dando uma cuspida para o lado e acertando um rato que calmamente roía um pedaço do assoalho, – até que eu gostaria de beber mais uma dose. Mas não vai dar. Vou ter que me mandar, porque o Big Jake está vindo aí!

O cowboy foi à cidade no sábado e encheu a cara no saloon. Saiu cambaleando e caiu. Uma senhora viu toda a cena.
– Por que bebe tanto, meu jovem? – Perguntou a senhora, aproximando-se. – Não vê que a bebida lhe faz mal?
– Mas quem foi que disse que a bebida me faz mal? – Replicou o cowboy. – O que me faz mal é beber e querer andar depois...

Dois cowboys conversam.
– Qual é seu prato preferido, Bill?
– Que outro prato você acha que pode ser? O prato cheio, ora!

Dois cowboys cavalgam pelo deserto. De repente, avistam um movimento distante.
– Que será aquilo, George?
– Eu acho que são índios, Sam!
– Serão amigos?
– Devem ser, eles estão todos juntos!

O cowboy, acusado de ter roubado um cavalo, foi levado perante o juiz, que lhe perguntou:
– É verdade que o senhor roubou um cavalo?
– Não roubei, não, senhor.
– Não roubou?
– Não!! Eu o encontrei...
– Como o encontrou? Por acaso, não sabe ler?
– É claro que sei ler, meritíssimo!
– E não viu que no cavalo havia três iniciais: C. S. D.?
– Vi.
– Elas são, na verdade, a marca do dono do cavalo.
– Eu pensei que elas queriam dizer: “Cavalo Sem Dono”.

O almofadinha conversava com um cowboy vindo do estado de Montana. Em determinado ponto da conversa, ele falou, a fim de gozar o bom homem do campo:
– Sabe, sou de Chicago. E lá só tem macho!
O cowboy deu uma cusparada para o lado e disse:
– Bom, lá de onde eu venho tem macho e fêmea. E a gente não tem queixa, não, moço.

Do esconderijo, no meio do mato, dois índios olham em silêncio, enquanto os primeiros colonos brancos colocam os pés no solo norte-americano. Depois de algum tempo, um índio vira para o outro e diz:
– Ugh! Agora vai acabar a vizinhança!

Num lugarejo do Oregon, o xerife proibiu a venda de uísque aos domingos. Só era permitida a venda de bebida em caso de emergência; em caso de mordida de cobra, por exemplo.
– E tem muita cobra por aqui? – Perguntou um vendedor, que estava de passagem.
– Tem uma na praça, mas você terá que entrar na fila...

Um nova-iorquino foi visitar pela primeira vez o Oeste dos Estados Unidos. Certo dia, numa cidadezinha do Arizona, ele viu um grupo de gente. Aproximou-se e perguntou para um homem:
– Que houve?
– Está vendo aquele índio? – E o homem apontou para um índio muito velho. – Ele é um apache...
– E daí?
– Tem mais de cem anos e uma memória fabulosa.
– Não entendi...
– Ele responde qualquer pergunta que lhe fizerem. Mas só de fatos que aconteceram com ele. A memória dele não falha.
– Quer dizer que posso fazer uma pergunta para ele responder?
– Sim. Mas cada pessoa só pode lhe fazer uma pergunta por vez.
O nova-iorquino aproximou-se do índio e fez a seguinte pergunta:
– Que você comeu no almoço do dia 15 de janeiro de 1920?
– Ovos – respondeu o índio, sem titubear um instante.
O turista ficou intrigado, coçou a cabeça e afastou-se. Vinte anos depois, visitando a mesma cidadezinha, deparou com algumas pessoas reunidas. Foi até elas e, surpreso, viu que estavam em volta do índio de memória fabulosa. Então, chegando perto do apache, indagou:
– Como?
E o índio:
– Fritos.

 
Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos