Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

O XERIFE
François Pacqueteau



É difícil contar a história do xerife americano, embora ele figure, juntamente com o marshal, entre as principais personagens que construíram o pitoresco passado dos Estados Unidos. Os arquivos e as lendas transmitiram, através dos tempos, nomes, feitos e acontecimentos memoráveis. Porém, indubitavelmente, é mais fácil associar os xerifes ao banditismo do que aos aspectos positivos da formação da América. Os filmes produzidos em Hollywood contribuíram – e muito – para a divulgação de uma mitologia baseada na coragem do fora-da-lei romântico. O certo é que, no terço final do século 19, os representantes da ordem desempenharam diversos papéis, conforme suas motivações e situações.
Os pioneiros do Oeste recorreram inicialmente aos detetives particulares para se proteger. O escocês Allan Pinkerton (1819-1884) foi o primeiro grande policial do país e fundou, por volta de 1850, a Pinkerton National Detective Agency. Foi ele quem prendeu John Reno, o primeiro assaltante de bancos a operar no estado de Indiana. Durante muito tempo protegeu os viajantes do trem Jefferson-Missouri-Indianapolis contra assaltos de bandidos. Sua autoridade e a eficiência dos seus serviços permitiram-lhe solicitar a assistência dos xerifes.
Numerosos eram aqueles que, como Henry Plummer, serviam à Justiça e ao mesmo tempo recebiam uma parte dos assaltos. Plummer acabou sendo desmascarado e enforcado.
Mais íntegro foi Wild Bill Hickok, cujo verdadeiro nome era James Butler Hickok (1837-1876). Ele começou como aprendiz num sítio e depois se empregou na companhia de diligências Overland Stage Line. Participou da construção da estação telegráfica de Rock Creek, em Nebraska. Saiu vencedor de uma luta com os Irmãos McCanles, aos quais acabou exterminando, para satisfação dos pioneiros. Durante a Guerra de Secessão, foi agente secreto a serviço da União. Obteve seu primeiro cargo de xerife em Fort Riley, no Kansas. Graças à sua fama, tornou-se sheriff-marshal na pequena cidade de Hays, também no Kansas. Prendeu Sam Strawhorn, Bill Mulvey e Bill Thompson. Informados de suas proezas, os habitantes de Abilene (Kansas) solicitaram seus serviços: e ele limpou totalmente a região dos fora-da-lei que a infestavam. Um deles, Jack McCall, matou-o a tiros por vingança, num saloon.
Abatendo o célebre Billy the Kid em 14 de julho de 1881, o xerife Pat Garrett entrou para a História. Billy tinha então 21 anos e 21 mortes na consciência. Pat Garrett foi processado por homicídio e absolvido. Desgostoso, demitiu-se e tornou-se inspetor de alfândega; mais tarde, foi trabalhar num hipódromo. Acabou sendo morto por um rancheiro, em 1908.
William Barclay Masterson (1853-1921), mais conhecido como Bat Masterson, teve um fim mais feliz. Depois de ter sido caçador e jogador profissional, trabalhou no reabastecimento das oficinas ferroviárias, nas cercanias de Santa Fé (Novo México). Em 1874, participou da batalha de Adobe Wall, contra os índios. Mais tarde, em Dodge City (Kansas), conheceu Wild Bill Wickok. Nomeado marshal, lutou bravamente contra o bando de Ben Thompson e prendeu o assaltante Dave Rudabaugh. Em seguida, trabalhou durante dois anos na polícia de Nova York e depois passou para o jornalismo.

 

Este texto foi transcrito de Enciclopédia da Luta Contra o Crime volume 3 (tradução de Geraldo Moretzon Ribeiro, São Paulo, Abril Cultural, 1974, p. 708)