Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

O WESTERN NA DÉCADA DE 1920
René Jeanne & Charles Ford



Sete anos separam The Aryan, de Thomas H. Ince, de Os Bandeirantes (The Covered Wagon, 1923), de James Cruze (1884-1942), as duas obras-primas do Western antes de John Ford. Tem-se dito que Os Pioneiros é A Canção de Rolando da América, admirável lição de energia dada por um grupo de pioneiros que, à procura de uma terra onde possam viver do seu trabalho, encontram uma natureza hostil, povoada de índios, os quais barram os caminhos aos intrusos. Antes deste filme, Cruze não havia saído da vulgaridade. Mas depois acreditou-se que surgira um novo Ince; e, durante algum tempo, ele foi um dos cineastas mais bem pagos de Hollywood, recebendo sete mil dólares por semana, quantia que não o levou, porém, a dar um irmão à sua obra-prima. (...) Nesta altura, apareceu uma outra personalidade, que viria a ser a mais importante do Western: John Ford, cujo The Iron Horse (1924) deixa prever que o Western viria a ser seu feudo. Às carroças de toldo de Os Pioneiros sucede a locomotiva; mas a luta mantém-se a mesma, entre a civilização, representada pelos engenheiros e pelos assentadores de trilhos, e os índios, empenhados em defender a sua independência. (...) Sem dúvida alguma, The Iron Horse é o western mais sólido da época. Um outro western assinado por John Ford, Three Bad Men (1926), é o único que se tinge de humor; no entanto, sem negligenciar a ação e o movimento. Os Pioneiros, The Iron Horse e Three Bad Men são os exemplos mais representativos do Western na década de 1920; porém, o gênero tinha tantos admiradores que se contam às centenas os westerns produzidos. Não existe, um diretor estadunidense com atividade regular que, nos últimos dez anos do cinema mudo, não tenha assinado um ou mais filmes de Western. Quanto aos intérpretes dessas fitas, tanto foram atores que se tornaram cowboys, como cowboys que se tornaram estrelas (...).

 

Este texto foi transcrito do livro História Ilustrada do Cinema volume 1 (Histoire Illustrée du Cinéma, s. d., pp. 247-248), de René Jeanne & Charles Ford