Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

E O WESTERN COMEÇA A DESENVOLVER-SE
René Jeanne & Charles Ford



“Imensas planícies cinzentas, montanhas rudes e luminosas, cavalos e gente em plena animalidade, intensidade de uma vida simples que permite o ritmo, o relevo, a beleza e que dá um clarão de incomparável humanidade aos sentimentos também simples (amor, dever, vingança...)”, assim escreveu Louis Delluc. Se a estas palavras juntarmos o “ataque da diligência”, temos uma definição do Western, tal como se revelou às multidões palpitantes de 1914, tal como John Ford o viria a consagrar, tal como se manterá até seu último suspiro... se houver último suspiro. Nascido na Califórnia sob o signo da sociedade Bison – que, em poucos meses, produziu cerca de duzentos filmes, alguns começados de manhã e prontos à noite, sob a direção de Charles K. French e tendo como vedeta Art Acord, o primeiro cowboy do écran –, o Western em breve encontrou os dois homens que lhe dariam títulos de nobreza: o cineasta Thomas Harper Ince (ele transformou o Faroeste em diversão de massa) (...) e o ator William S. Hart (Ince o contratou pelo salário de setenta e cinco dólares por semana). O primeiro filme da dupla, Two Guns Hicks, deu início a uma série que iria popularizar o personagem Rio Jim, de rosto imóvel e olhar de aço. Até o aparecimento de No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939), de John Ford, devemos mencionar Between Men e The Aryan (1916), obra-prima de Ince, de Hart e do próprio Western. Logo apareceriam outros cowboys: Tom Mix (encarnação do justiceiro do Far-West e o mais popular de todos os cowboys), Hoot Gibson, Ken Maynard...

 

Este texto foi transcrito do livro História Ilustrada do Cinema volume 1 (Histoire Illustrée du Cinéma, tradução de Fernando Luís Cabral, Lisboa, Bertrand, s. d., pp. 88-89), de René Jeanne & Charles Ford