Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

O MATADOR



Considerado no seu tempo como “o melhor revólver do Oeste”, Jimmy Ringo passou o fim da sua vida errando de cidade em cidade. A sua reputação impelia todos os valentões a desafiá-lo, na esperança de conseguir a glória, ao abatê-lo. Invariavelmente tornava a partir, deixando atrás de si um novo cadáver. Até que chega à cidade onde vivem seu filho e sua esposa que se recusa a recebê-lo. Ringo é finalmente morto com uma bala nas costas por um jovem desocupado que ele tinha ridicularizado para evitar matá-lo. Ao morrer, Ringo pede ao xerife que deixe ir o seu assassino, que será melhor castigado pela vida errante que irá levar.
(...) O Matador apresenta-nos o bandido, Jimmy Ringo, como um homem, com suas dimensões humanas e autênticas, sendo a sua ação anárquica e ilegal apenas uma conseqüência direta e inevitável da sociedade. (...)
O bandoleiro era melhor do que os outros que o obrigavam a viver no crime. Portanto, o bandido é aqui uma autêntica encarnação do bem, quando a sociedade, sim, é o símbolo do mal (...).




Este filme, admirável pela realização e pelo conteúdo (...), apresenta um dos aspectos mais curiosos no estudo geral do Western como manifestação estética do povo norte-americano. Parece ser, até certo ponto, um grito contra a filosofia da ação, uma crítica séria e profunda ao espírito de aventura do americano e ao próprio individualismo. É, antes de tudo, um filme honesto filiado na linha do realismo crítico que veio do escritor Theodore Dreiser (de Carolina/Sister Carrie, 1900; e Uma Tragédia Americana/An American Tragedy, 1925) para desembocar no grande estuário chamado Ernest Hemingway (de O Sol Também se Levanta/The Sun Also Rises, 1926; Adeus às Armas/A Farewell to Arms, 1929; Uma Aventura na Martinica/To Have And Have Not, 1937; e Por Quem os Sinos Dobram/For Whom the Bell Tolls, 1940).

 

O Matador (The Gunfighter, 1950, 84')
Produção: Nunnally Johnson
Direção: Henry King
Roteiro: William Bowers & William Sellers, a partir de uma história de William Bowers e Andre de Toth
Música: Alfred Newman
Elenco: Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden, Skip Homeier, Anthony Ross, Verna Felton, Ellen Corby, Richard Jaeckel

 

Esta crítica foi escrita a partir de textos de Jacques Demeure, in Positif nº 2; e Fritz Teixeira de Salles, in Revista de Cinema

 

Esta crítica foi publicada originalmente no Programa de abril de 1958 do ABC Cineclube de Lisboa