Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

O CAVALO



No Velho Oeste, depois da Guerra de Secessão (1861-1865), o cavalo é o único verdadeiro meio de locomoção. Quando não é montado, puxa os carroções cobertos. Nem mesmo o caminho de ferro conseguirá eliminá-lo. Selvagem, vivendo como os bisontes, em bandos, o cavalo é capturado a laço, domado (...) e depois utilizado. O cavalo é inseparável da imagem do cowboy. Que é um cowboy sem cavalo?! Um homem como qualquer outro, sem brilho. Não é imaginável. Tudo o que gira em torno das lendárias imagens do Oeste tem por centro o cavalo. Os locais mudam, os aspectos também, mas a montaria fica. Um fora-da-lei pode atacar um banco, um trem, roubar uma manada. Sem cavalo, isso é irrealizável. O cavalo, animal indispensável, tem um lugar muito importante no mundo dos cowboys.
Não esqueçamos que nessa época roubar um cavalo era o maior dos crimes, pior do que matar um homem. Se os linchamentos não foram muito freqüentes, a maior parte deles, mesmo assim, foi efetuada contra ladrões de cavalos. Durante os numerosos combates a cavalo que preenchem a História dos Estados Unidos, os antagonistas nunca atiravam sobre as montarias. Só os covardes se entregavam a tais práticas. Mas caso fossem reencontrados, era reservada a eles uma punição sem apelo.
Para os grandes fora-da-lei, e até para o simples cowboy, essa identidade entre o homem e o cavalo é transcendente. (...) É necessário que cavaleiro e montaria se compreendam bem, que o animal não escouceie a cada tiro, que não tenha medo de abrir caminho por entre uma manada. A sua obediência ao dono deve ser absoluta. Freqüentemente é ensinado a obedecer a um simples assobio, tal qual um cão. Mas tudo isso exige meses de paciência. É uma das razões pelas quais o roubo de cavalos é tão severamente punido. O cavalo não é somente um animal que se utiliza, mas representa anos de esforço e de amizade. Roubar um cavalo selvagem, que não foi domado, não é um ato em si demasiado grave, mas roubar a montaria pessoal de um cowboy ou de um rancheiro é considerado o crime dos crimes.
O cavalo nu nada é, exceção feita talvez ao índio, que o monta sem sela e muitas vezes sem rédeas, de patas nuas, sem ferradura. Os arreios são muito importantes. Fazem parte da vida de todos os dias. Um cavalo não-equipado é um automóvel sem rodas e sem volante. O cowboy dá grande atenção aos acessórios. É também uma questão de conforto. Não é raro que passe dias inteiros a cavalo ou que faça viagens de milhares de quilômetros. É pois preciso não descuidar de nada; mas escolher o estritamente necessário, pois não há espaço para muito.

 

Este trecho foi transcrito do livro A América à Conquista do Far-West tomo 2 (Lisboa, Amigos do Livro, s. d., pp. 105-106), organizado por Paul Ulrich