Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

FALANDO SOBRE ALGUNS MITOS DO VELHO OESTE
Robert Florey
tradução e versão: Marco Aurélio Lucchetti



Quando de minha chegada à Califórnia, há quarenta e um anos, travei conhecimento com old-timers que haviam conhecido personagens tornados célebres por meio das histórias de Ned Buntline (...). Eu já estava em Los Angeles na ocasião da morte de Bat Masterson (então, ele era um jornalista especializado em escrever sobre esportes), um dos mais populares xerifes de Dodge City. Wyatt Earp, o mais famoso dos marshals do Oeste, herói do lendário duelo do O. K. Corral, vivia na miséria, aposentado em Los Angeles, onde morreu em 1924 (...). Todos os velhos cowboys que apareciam nos filmes de William S. Hart, de William Farnum e de Tom Mix tinham trabalhado nos grupos de Buffalo Bill e de Pawnee Bill e não deixavam de relatar suas aventuras com Touro Sentado e Gerônimo; e raros eram aqueles que não diziam ter conhecido bandoleiros como Jesse James e Billy the Kid.
Na infância, eu tinha visto Buffalo Bill e seu circo; e, em seguida, lido os folhetins semanais relatando suas aventuras. Eu, a exemplo de outros garotos de minha idade, julgava que essas histórias haviam acontecido realmente. Portanto, para mim, foi uma grande decepção, quando soube que elas eram pura fantasia. William Frederick Cody, o Buffalo Bill, trabalhara para a companhia ferroviária e era dotado, coisa rara num homem do Oeste, de uma grande facilidade para falar e de muita imaginação. Ele tinha apenas vinte e três anos anos de idade quando encontrou Ned Buntline, aventureiro e jornalista nova-iorquino à procura de histórias do Far-West. Buffalo Bill logo começou a contar aventuras que só lhe eram ditadas pela fantasia. E Buntline, em colaboração com Prentiss Ingraham, escreveu essas histórias, que foram publicadas e traduzidas no mundo inteiro.

 

Este texto foi traduzido do artigo “Règlements de Comptes a TV Corral” (Cinéma número 68, Paris, C. I. B., julho/agosto de 1962, pp. 119-120), de Robert Florey