Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

JESSE JAMES
Antonio Moniz Vianna



Já no cinema silencioso, Jesse James (1847-1882), que se tornou célebre assaltando bancos e trens, era apresentado como um novo Robin Hood. Assim surgiu em 1927, vivido por Fred Thomson, no filme Jesse James, dirigido por Lloyd Ingraham e produzido pela Paramount. E assim continuou na versão mais famosa até hoje, a que Henry King dirigiu em 1939, com Tyrone Power no papel de Jesse James e Henry Fonda como seu irmão Frank. Neste Jesse James, os dois irmãos são apresentados como honestos e pacíficos rancheiros até o dia em que agentes inescrupulosos de uma ferrovia, ambicionando suas terras, acabam matando acidentalmente sua mãe (interpretada por Jane Darwell). O registro histórico é diferente: a velha senhora James sobreviveu ao filho mais novo, Jesse (Frank nasceu em 1843), que, com apenas dezesseis de idade, ingressava no bando do guerrilheiro William Quantrill.
No filme de Henry King, os assaltos cometidos por Jesse são justificados, assim como quase todas as suas ações. Mas o roteiro não precisou afastar-se da realidade em muitas outras cenas, como as do casamento de Jesse com uma prima (representada por Nancy Kelly) e, sobretudo, as que reconstituem o seu covarde assassínio, ao ser alvejado pelas costas em casa, por um velho companheiro, Bob Ford (John Carradine).
O êxito indiscutível de Jesse James motivou a realização, em 1940, de A Volta de Frank James (The Return of Frank James). Henry Fonda voltava a interpretar Frank James, em missão de vingança – e o assassino Bob Ford era novamente representado por John Carradine. Como heroína, inserida arbitrariamente na trama, surgia Gene Tierney, ainda a caminho do estrelato. Na direção, Fritz Lang substituiu Henry King (...). O êxito de Jesse James foi responsável também por um ciclo de westerns sobre as diversas quadrilhas que percorreram o Oeste após a Guerra de Secessão. Dentre esses muitos filmes, podem ser destacados: A Vingança dos Daltons (When the Daltons Rode, 1940), de George Marshall; e Os Três Homens Maus (Badmen of Missouri, 1941, direção de Ray Enright), que focalizava os Iirmãos Younger, primos dos James.
Jesse e Frank James apareceram ainda em diversos filmes: Matei Jesse James (I Shot Jesse James, 1949), primeiro fita do cineasta Samuel Fuller, que iria dirigir outros três westerns (O Barão Aventureiro/The Baron of Arizona, 1950; Dragões da Violência/Forty Guns, l957; e Renegando o Meu Sangue/Run of the Arrow, 1957); Cavaleiros da Bandeira Negra (Kansas Raiders, 1950), com Audie Murphy (nos anos 1950, ele estrelou dezoito westerns); e, entre outros, Valentão É Apelido (Alias Jesse James, 1959), um faroeste cômico que mostra um vendedor de seguros (interpretado por Bob Hope) que vende uma apólice a Jesse James (Wendell Corey) sem saber que seu cliente é um famoso fora-da-lei. Mas o filme mais ambicioso foi o produzido pela Fox, em 1956, sob a direção de Nicholas Ray: Quem Foi Jesse James? (The True Story of Jesse James), estrelado por Robert Wagner (Jesse) e Jeffrey Hunter (Frank). Apesar do título, a fita não conta a verdadeira história de Jesse James.

 

Jesse James (Jesse James, 1939, 105')
Direção: Henry King
Roteiro: Nunnally Johnson
Elenco: Tyrone Power, Henry Fonda, Nancy Kelly, Randolph Scott, Henry Hull, Brian Donlevy, John Carradine, Jane Darwell
Disponível no Brasil em DVD
Distribuidora: London

 

Este texto foi transcrito do opúsculo Western: Evolução da Legenda (Rio de Janeiro, INC, s. d., pp. 11-12), de Antonio Moniz Vianna