Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

A EVOLUÇÃO DO WESTERN
André Bazin



Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, o Western havia chegado a certo grau de perfeição.  O ano de 1940 marca um patamar para além do qual uma nova evolução devia fatalmente se produzir, evolução que os quatro anos de guerra simplesmente atrasaram e, depois, desviaram (...). No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939) é o exemplo clássico dessa maturidade de um estilo que alcançou o classicismo. John Ford atingia o equilíbrio perfeito entre os mitos sociais, a evocação histórica, a verdade psicológica e a temática tradicional da mise-en-scène western. Nenhum desses elementos fundamentais levava vantagem sobre o outro. No Tempo das Diligências evoca a idéia de uma roda tão perfeita que ela permanece em equilíbrio no seu eixo em qualquer posição que a coloquemos. Enumeremos alguns nomes e alguns títulos dos anos 1939-1940: King Vidor, Bandeirantes do Norte (Northwest Passage, 1940); Michael Curtiz, A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, 1940), Caravana de Ouro (Virginia City, 1940); Fritz Lang, A Volta de Frank James (The Return of Frank James, 1940); John Ford, Ao Rufar dos Tambores (Drums Along the Mohawk, 1939); William Wyler, O Galante Aventureiro (The Westerner, 1940); George Marshall, Atire a Primeira Pedra (Destry Rides Again, 1939), com Marlene Dietrich.
Tal lista é significativa. Ela mostra, em primeiro lugar, que os diretores consagrados que haviam, naturalmente, iniciado vinte anos antes no Western de série, quase anônimos, chegam ou voltam para ele no auge da carreira. E apresenta até um William Wyler, cujo talento parece, contudo, estar do lado oposto ao gênero. Esse fenômeno pode ser explicado pela promoção da qual o Western parece se beneficiar de 1937 a 1940. Talvez a tomada de consciência nacional que preludiava a guerra na era rooseveltiana tenha contribuído para isto. É o que nos inclinamos a pensar, na medida em que o Western procede da história da nação americana, que ele exalta diretamente ou não.

 

Este texto foi transcrito do livro Cinema (Que’Est-Ce Que le Cinéma?, tradução de Eloisa de Araújo Ribeiro, São Paulo, Brasiliense, 1991, pp. 209-210), de André Bazin