Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

CISCO KID, UM COWBOY CAVALHEIRO



Escrita por Rod Reed e desenhada por José Luis Salinas, a tira diária Cisco Kid estreou nos jornais dos Estados Unidos em 15 de janeiro de 1951.
O herói da série, Cisco Kid, é um cowboy cavalheiresco e destemido que luta contra as injustiças e a favor dos fracos e oprimidos, mas cuja “especialidade” é a defesa das mulheres.
Sempre impecavelmente vestido – ele usa camisas pretas bordadas, botas de cano alto e um largo sombrero – Cisco Kid tem um rosto expressivo, um bonito sorriso e um corpo esbelto. Ele é sedutor e galanteador. É o perfeito latin lover, que sabe cativar as mulheres. Já seu companheiro de aventuras, Pancho (metátese de Sancho Pança), é um sujeito baixinho, gorducho, desleixado, sem maneiras, medroso (Sancho foge das complicações e, por conseguinte, das mulheres) e, por vezes, infantil.
Sancho só tem dois interesses na vida: descanso e boa comida (o único momento em que se interessa por uma mulher é quando ela sabe fazer bons pratos).
Normalmente, Pancho tem um papel passivo nas histórias, recebendo quase todo o tempo ordens do herói; e, quando pensa por si mesmo, nem sempre encontra as melhores soluções. Por vezes, no entanto, consegue ser um auxiliar precioso.
Podemos considerar que Cisco Kid e Pancho formam uma unidade: representam, por um lado, o desejo de aventuras; e, por outro, o comodismo que impede a ação. Entretanto, a aventura sempre vence, mesmo nas ocasiões em que os papéis se invertem, ou seja, quando Cisco pensa em ficar num lugar – o que raramente acontece –, é Pancho que o incita a partir.
O aspecto mais importante e que distingue Cisco Kid de outros heróis dos Quadrinhos é a atitude dele em relação ás mulheres. Ele é o cowboy romântico que pode ficar preso pelos “belos cabelos de ouro” de uma linda señorita e, em seguida, propor defendê-los com “a própria vida”, numa paixão súbita e arrebatadora, o que chega a assustar Pancho.
A todo momento, Cisco se apresenta como o defensor da mulher em perigo.
Deve ser destacado que, na sociedade em que Cisco e Pancho vivem, as mulheres têm um papel secundário, são vistas como fracas e indefesas; o seu papel deve restringir-se ao lar. Na maior parte dos casos, elas aceitam submissamente esse papel. Mas há aquelas que se revoltam contra essa situação (uma delas é Lucy Baker, a principal figura feminina do primeiro episódio de Cisco Kid) e, com isso, acabam colocando suas vidas em risco. Então, elas têm para defendê-las o nobre Cisco Kid.
Ao longo de toda a série, fica demonstrado, para desespero das feministas de plantão, que a mulher é afinal um ser frágil que deve ser defendido e protegido.
Deve ser dito também que, Cisco Kid não se interessa pelas recompensas materiais. E, quando recebe alguma, ele as dá para “as pobres vítimas”. E é também o “amigo e protetor” dos índios, como prova, por exemplo, o segundo episódio da série (tiras de 2 de abril a 7 de julho 1951).
Em nossa opinião, nenhum outro personagem das histórias em quadrinhos de Western pode equiparar-se a Cisco Kid, o cowboy cavalheiro que tem um punho certeiro e sabe manejar como poucos um revólver.

 

Este texto foi transcrito, com algumas modificações, do número 278 (Vª série) da revista Mundo de Aventuras (Lisboa, Aguiar & Dias, 1º de fevereiro de 1979, pp. 17 e 43)