Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

CÉU AMARELO
Olivier-René Veillon



O puritanismo de William A. Wellman só deixa ao homem a esperança da salvação. E dela nos proporciona uma versão suntuosa em Céu Amarelo, no qual um bando de malfeitores lamentáveis tenta escapar de seus perseguidores atravessando um deserto de sal após terem assaltado um banco. Situação clássica magnificada por Wellman, que isola cada um de seus personagens naquilo que se torna seu deserto interior (...). A cidade abandonada a que chegam é mais uma visão, um símbolo, que cita as convenções reais do Western, do que uma cidade real do Oeste: purgatório em que as paixões se exacerbam, se esgotam e se invertem, tornando possível uma forma de apaziguamento. A oposição entre Richard Widmark e Gregory Peck nessa cidade mítica habitada por um ancião e uma mulher jovem, marcas do passado e do futuro possível, inscreve-se como o esquema de um combate em que se empenham todas as forças que fazem do homem um sujeito moral e um ser de transgressão.

 

Céu Amarelo (Yellow Sky, 1948, 98')
Direção: William A. Wellman
Roteiro: Lamar Trotti, baseando-se numa história de W. R. Burnett
Elenco: Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark, Robert Arthur, John Russell, Henry Morgan, James Barton

 

Este texto foi transcrito do livro O Cinema Americano dos Anos Trinta (Le Cinéma Américain – Les Années Trente, tradução de Marina Appenzeller, São Paulo, Martins Fontes, 1992, pp. 226-228), de Olivier-René Veillon