Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

CAVALGADAS SILENCIOSAS - PARTE 2 (FINAL)
Divino Rodrigues da Silva



Entre 1917 e 1928, Tom Mix, o mais popular ator de filmes de Western que já apareceu, estrelou cerca de sessenta filmes (todos produzidos pela Fox). E foram essas fitas que o tornaram um ídolo, nos Estados Unidos e em diversos outros países, incluindo o Brasil.
Antes de iniciar sua carreira de ator, Tom Mix viveu toda sorte de aventuras. Lutou na Guerra Hispano-Americana (1898) em Cuba, domou cavalos para os ingleses na guerra contra os boers na África do Sul, trabalhou como peão de rodeio num show sobre o Velho Oeste, foi delegado federal no estado de Oklahoma... E, logo que começou a trabalhar no Cinema, procurou que seus filmes fossem exatamente o oposto do que eram os de William S. Hart. Explicando melhor: enquanto Hart dava ênfase ao estudo dos personagens (quase sempre, Hart interpretava jogadores ou ex-pistoleiros, que estavam em processo de regeneração ou que se regeneravam no fim da trama) e às seqüências laboriosas, Mix dava mais importância à ação. Assim, os filmes de Tom Mix eram repletos de perseguições filmadas a velocidades estonteantes e seqüências de lutas bastante realistas. E essas fitas eram planejadas com o maior cuidado, a fim de que nenhum elemento pudesse perturbar o público infanto-juvenil, ao qual se destinavam particularmente. O herói (sempre sorridente e bem-humorado) não bebia, não fumava, não jogava, não praguejava, nunca empregava violência desnecessária e nem matava o inimigo pelas costas. E o romance com a mocinha era sempre respeitoso e discreto.

“Tom Mix criou em volta de sua figura um Oeste particular, no qual ele atuava como quase um acrobata fairbanksiano e sempre vestido como um dandy. Era, ao mesmo tempo, o homem do Oeste e o showman.”
Antonio Moniz Vianna


Em 1928, Tom Mix deixou a Fox e assinou contrato com a FBO para fazer uma curta série de filmes.
Tom Mix foi um dos muitos astros que não conseguiu se adaptar ao som. Sua dicção era ruim: ele comia palavras; e o que falava não conseguia, muitas vezes, ser entendido pelo público. Isso motivou seu afastamento do Cinema, o que aconteceu em 1935, após ter trabalhado na Universal e em O Cavaleiro Alado (The Miracle Rider, 1935), um seriado produzido pela Mascot.
Depois de abandonar o Cinema, Tom Mix trabalhou em shows, viajando – com seu Tom Mix Wild Animal Circus – através dos Estados Unidos. Ele faleceu em 12 de outubro de 1940, num acidente automobilístico, no Arizona.

“Tom Mix foi, sem dúvida, o maior cowboy de sua época e, inclusive, virou personagem de histórias em quadrinhos.”
Francisco Augusto C. Serapião


Nos anos 1920, surgiram diversos atores especializados em westerns. Dentre esses atores, podemos destacar: Wally Walles, que, mais tarde, iria integrar o grupo de vilões dos filmes sonoros, usando o nome de Hal Taliaferro; Edmund Cobb; Art Acord, que trabalhou em um grande número de westerns da Universal (por volta de 1925, ele era um dos três maiores cowboys do estúdio, ao lado de Harry Carey e Hoot Gibson); Buddy Roosevelt; Buffalo Bill Jr., cujo verdadeiro nome era J. C. Wilsey; Bob Custer; Bill Cody; Lane Chandler; e Jack Perrin. Muitos futuros astros começaram suas carreiras – de forma modesta – em westerns. Um deles foi Gary Cooper. Por outro lado, William Boyd, que, a partir dos meados da década de 1930, estrelaria uma série de fitas do cowboy Hopalong Cassidy, fez sua estréia no Western em 1926, no filme A Última Aventura (The Last Frontier), dirigido por George B. Seitz.
Deve ser observado que muitos dos westerns que citei nas duas partes desse artigo não devem e nem podem ser classificados na mesma categoria de um western “B” típico produzido nas décadas de 1930 e 1940 e estrelados por um Johnny Mack Brown ou um Charles Starrett. Vários dos filmes de William S. Hart, Hoot Gibson e Tom Mix tiveram altos custos de produção; e uma boa quantidade de tempo foi gasta, a fim de lhes dar uma qualidade não condizente com o que é considerado um western “B”. Neste artigo, procurei dar uma indicação das raízes do Western “B”, que nossos pais e avôs costumavam chamar de filme de Faroeste.

 

Divino Rodrigues da Silva é professor de Inglês e editor da revista Matinê