Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

CALAMITY JANE
Marco Aurélio Lucchetti



Ninguém conhece seu verdadeiro nome. Alguns pensam que é Mary-Jane Canary ou Mary-Jane Cannarray. Outros julgam que é Martha Jane Canary ou Martha Jane Canarry ou Martha Jane Cannary. Não se sabe também se nasceu no Missouri ou em Illinois. A data de seu nascimento é igualmente um mistério – acredita-se que provavelmente tenha nascido em 1852 (pelo menos é esse o ano que consta no verbete a ela dedicado no livro Webster’s American Biographies, organizado por Charles Van Doren, e no artigo “Histoire et Légende dans le Western”, escrito por Jean-Louis Rieupeyrout e publicado no número 68 da revista Cinéma). Entretanto, todos aqueles que se interessam pela História dos Estados Unidos ou pela cultura popular norte-americana já ouviram falar de Calamity Jane (Jane Calamidade).
Lendo a página 170 do segundo volume de A América à Conquista do Far-West [Paul Ulrich (organizador), Lisboa, Amigos do Livro, s. d.], ficamos sabendo que a mãe de Calamity Jane “era uma Madame, ou seja, proprietária de um prostíbulo. Nesse bordel (instalado no estado de Montana), ponto de encontro de criminosos, planejavam-se os mais diversos crimes, inclusive assaltos a trens, a diligências e a bancos. Assim, com bem pouca idade, Jane entrou em contato com o mundo dos bandoleiros, tornando-se amiga dos  desperados da região e daqueles  que estavam de passagem (como Bill Doolin, que teve alguns episódios de sua existência mostrados no filme O Último Duelo/The Cimarron Kid, realizado por Budd Boetticher; e os Irmãos Dalton); e, por volta de 1867, quando já estava órfã e possivelmente viciada em bebidas alcoólicas, começou a acompanhar os rapazes maus em seus atos de banditismo. Então, desejosa de não querer assemelhar-se às mulheres comuns, passou a vestir-se como homem. Usava calça, casaco, botas de tacões muito altos, cinturão, cartucheira, chapéu de abas largas e carregava sempre consigo uma carabina Winchester.
Contam que Calamity Jane era um verdadeiro demônio de saias que manejava o chicote com maestria e atirava melhor que muitos pistoleiros. Contam também que ela foi batedora do Exército, vaqueira e amante do aventureiro Wild Bill Hickok (James Butler Hickok, 1837-1876); lutou, ao lado do General Custer, contra os sioux; esteve a serviço do General Crook, durante suas campanhas contra os índios; participou de uma expedição geológica; conseguiu fazer com que o terrível Jack McCall, que assassinara pelas costas Wild Bill Hickok, fosse capturado e enforcado.
No entanto, para os historiadores, todos esses feitos heróicos são invencionices, mentiras que a própria Calamity Jane contava, de saloon em saloon, a seus crédulos ouvintes, em troca de uma refeição ou de uma garrafa de uísque.
Calamity Jane morreu, vitimada talvez pelo alcoolismo, em 1º de agosto de 1903 e foi enterrada, numa sepultura ao lado da de Will Bill Hickok, no cemitério da cidade de Deadwood, no estado de Dakota do Sul.