Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

BILLY THE KID, O PROSCRITO
Salvyano Cavalcanti de Paiva



(...) o magnata Howard Hughes projetou e executou um filme sobre Billy the Kid – mas acentuando o aspecto sardônico do relacionamento entre Billy e Pat Garrett. Howard Hawks, que dirigira para o mesmo produtor o extraordinário filme de gangster Scarface (Scarface, A Vergonha de uma Nação, 1932), começou o trabalho. Porém, Hughes já atingira um estágio de riqueza e de neurose impossível de agüentar; e Hawks abandonou a produção, que foi terminada pelo próprio Howard Hughes em 1943 e lançada, somente, em 1946. O objetivo maior era exaltar as qualidades sensuais da atriz Jane Russell, na ocasião, o “romance” de Hughes. Mas O Proscrito foi, apesar de tudo, um filme razoável, com um diálogo conciso e explícito.
No papel de Doc Holliday, o veterano Walter Huston oferecia uma interpretação soberba. Billy the Kid era protagonizado pelo ator Jack Buetel, que, depois, apareceria somente em mais dois filmes e sairia de cena. (...) Pat Garrett, um ex-bandido que se regenerara e servia agora à Lei, era vivido pelo excelente Thomas Mitchell. Encarregado pelas autoridades maiores do Novo México, ele perseguirá Billy the Kid e tentará prendê-lo de qualquer modo; mas sempre com a secreta esperança de que o rapaz consiga escapar-lhe. Mitchell dava a esse difícil papel a dimensão exata. Jane Russell entrava com o busto “caliente”, para algumas horas de prazer de Billy.

 

Este texto foi transcrito do artigo “Billy the Kid e a Contracultura” (O Globo, Rio de Janeiro, 26 de junho de 1973), de Salvyano Cavalcanti de Paiva