Ano 3 - nº 9 - fevereiro/maio de 2011

A DILIGÊNCIA
Pablo Ramírez
ilustração: Frederic Remington



No ano de 1849, uma carruagem vermelha e brilhante, puxada por seis cavalos, começou a adiantar-se às caravanas que se dirigiam para o Oeste com os seus lentos e pesados carroções e a cruzar com eles na viagem de volta.
Tratava-se da diligência, antigo meio de transporte da Europa levado para a América e construído pela firma Abbot, Downing & Co., na cidade de Concord (New Hampshire), pelo que recebeu o nome de “Concord Coach”. A cabina, solidamente construída, balançava suspensa por quatro correias de couro, aliviando assim aos cavalos parte do peso, e aos viajantes as bruscas sacudidelas produzidas pelos péssimos caminhos. Substituindo os cavalos, pelos vários postos do caminho, ela chegava a andar 150 km a galope por dia. No seu interior podiam viajar nove pessoas, e algumas mais ao lado do cocheiro e no teto.
No assento dianteiro ia o condutor ou cocheiro, de potente voz e mão férrea, conhecedor da rota e suas dificuldades, segurando as rédeas com uma das mãos e manejando com a outra um longo chicote. A seu lado ia o guarda, sempre bem armado e de olho alerta. Sob seu assento ficava o chamado “cofre do tesouro”, no qual transportavam ouro, dinheiro e outros valores, além do correio, o que atraía bandos de salteadores. Era comum também que os índios atacassem as diligências, e mais de uma deixou no caminho seus calcinados restos. Por vezes a diligência era saqueada facilmente; noutras vezes, porém, o cocheiro e seu ajudante faziam frente aos bandidos e defendiam-na valentemente.
A Companhia Wells & Fargo iniciou suas atividades postais utilizando diligências Concord; mas tempos mais tarde substituiu-as por vagões de trem, que eram mais rápidos e seguros.
Viajar em diligência para o Oeste não era fácil nem cômodo, nem seguro; e seu vai-vem constante tornava-se muito desagradável. O pó, o calor e a chuva traziam mais incômodos aos viajantes, o que acabava por fazer da viagem uma autêntica aventura cheia de incertezas.

 

Este texto foi transcrito do livro O Oeste (tradução de Maria Leonor Buesco & Mauro Vilar, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1977, p. 16), de Pablo Ramírez