Ano 2 - nº 8 - outubro de 2010/janeiro de 2011

PAUSA PARA O CAFÉ
Rubens Francisco Lucchetti


Desesperado, porque há um mês não saía do quartel, o pobre soldado tentou afinal pular o muro; mas foi detido pela sentinela. Então, disse aflito:
– Meu velho, não adianta tentar me deter. Minha mãe está no céu, meu pai no inferno e minha namorada está na praça me esperando. Esta noite eu vou ver um deles.

Uma coisa é certa: no dia em que o governo proibir a importação de elefantes, cada brasileiro dará um jeitinho de comprar o seu no câmbio negro.

Levar a esposa a Paris é o mesmo que levar um sanduíche para comer num restaurante de luxo.

Aquele ilusionista já não valia mais nada. É que se casara e perdera todas as ilusões.

Adão foi apenas um rascunho. Onde Deus caprichou mesmo foi na Eva.

Antes de casar, aquela coisinha super ondulante contou ao noivo tudo que tinha feito quando solteira. Que memória!

Afinal de contas, devemos acreditar nas coisas. Mas é o não-acreditar que leva o mundo pra frente.

Banquete é um lugar onde comemos o que não gostamos e falamos o que não entendemos com pessoas que não conhecemos.

Quando o menino é muito estúpido, o pai jamais acredita em hereditariedade.

Era um desses maiôs que começa muito tarde e acaba muito cedo.

Os relógios fazem suas preces ao meio-dia e à meia-noite.

Tinha a letra tão ruim mas tão ruim que suas cartas davam a impressão de terem sido escritas por um médico dentro de um táxi e com uma caneta cuja tinta está acabando.

Esse olho preto, dizia o pobre sujeito, foi uma piada. Imagine que às três horas da manhã telefonei para um amigo, disfarcei a voz e perguntei: “Adivinha quem está falando?” E ele adivinhou.

O homem é esse animal que espera dez anos por uma mulher e depois fica fulo da vida se ela o faz esperar meia hora.

Anúncio de uma estação balneária: “Venha passar suas férias em nossas magníficas instalações. Calma e sossego absoluto é o que lhe oferecemos. Milhares e milhares de pessoas vêm buscar a solidão aqui.”

Um homem e uma mulher que acreditam em amizades desinteressadas são como pessoas que brincam com uma granada e não sabem que ela está carregada.

Como havia muito estudante sem escola, aquele prefeito transformou uma prisão em faculdade. Depois, pegou os presos e colocou-os no hospício. E, por último, restituiu todos os loucos à circulação. Até hoje, ninguém percebeu nada.

Político é aquele sujeito que toma dinheiro dos ricos, convencendo-os de que só assim poderá lutar contra os pobres a fim de favorecer os ricos. E, depois, com esse dinheiro, faz propaganda de si próprio, convencendo os pobres a votarem nele a fim de que possa lutar contra os ricos e melhorar a situação dos pobres.

Sim, há indivíduos que dão a cada coisa seu nome exato. Até o dia em que tropeçam numa pedra.

Definição de arte moderna: um quebra-cabeça embaralhado.

Olha a tua sogra como uma estrela no céu... de longe.

Tudo vem de Deus. Menos as mulheres, que foram feitas tiradas do homem.

Se um cão bater à tua porta, não abra. Não é cão; porque cão não bate, ladra.

Quando a esmola é demais, o pobre fica rico.

Cada vez que comeres arroz, guarda um grão. Aos 4553 anos de idade, não passarás fome.

Todos os tesouros da Terra não valem nada, quando não são nossos.

Quando lhe propuserem um negócio de irmão para irmão, lembre-se de Caim.

Faça todos os dias um pouco mais do que esperam de você. E, daí a pouco, estarão esperando mais.

Quem cedo madruga... tem sono de tarde.

 

O pior cego é aquele que também é surdo.

 

É progresso um canibal usar garfo e faca?

 

Eu adoro os cariocas. Eles são um barato. Dão vaia até para um minuto de silêncio.

 

Como disse o espelho: “Vamos refletir.”

 

Como disse a aeromoça: “Tudo é passageiro.”

 

Todos querem viver à custa do Estado, esquecendo-se de que o Estado vive à custa de todos.

 

Se todos os chineses pularem juntos, o mundo vira?

 

No dia em que resolveu fazer um exame de consciência, foi reprovada.

 

É claro que existe coisa mais difícil do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha. É descobrir porque um camelo iria passar pelo fundo de uma agulha.

 

É claro que existe coisa mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro. É encontrar duas.

 

Que vida dura a das traças! Passam o inverno em roupas leves e o verão nos casacões.

 

Falamos muito em matar o tempo. Na verdade, porém, é ele que nos mata.

 
Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos