Ano 2 - nº 8 - outubro de 2010/janeiro de 2011

A HISTÓRIA DOS QUADRINHOS
Marco Aurélio Lucchetti



A História em Quadrinhos já completou mais de 110 anos de existência. E, a partir deste número do Jornal do Cinema, começaremos a contar a história dessa arte. Uma história que se confunde com a da imprensa moderna.

 

CAPÍTULO UM – OUTCAULT E O GAROTO AMARELO

Aos dezessete anos de idade, Joseph Pulitzer (1847-1911) deixou sua cidade natal, Makó, na Hungria, e vagou por vários países da Europa, sempre buscando um exército que o recrutasse. Como não conseguiu seu objetivo (nenhum exército quis recrutá-lo, alegando que tinha a vista fraca e um físico pouco desenvolvido), foi para os Estados Unidos, onde se alistou no Exército da União. Depois de dar baixa, teve várias ocupações sem importância, até que, em 1868, se tornou repórter do Westliche Post, o principal diário em língua alemã de St. Louis (1). Mas não permaneceu muito tempo nesse emprego, uma vez que, em 1869, foi eleito deputado estadual. E, em 1883, quando já havia se tornado um homem rico e tinha se mudado para Nova York, comprou o The World, um jornal que, desde sua fundação, lutava pela sobrevivência.
Logo após ter sido comprado por Pulitzer, o The World sofreu uma reformulação completa – suas páginas foram tomadas por manchetes enormes, artigos sensacionalistas, seções esportivas e numerosas ilustrações –, a fim de atrair novos leitores.
Mais tarde, também com a finalidade de atrair leitores e, conseqüentemente aumentar as vendas do The World, Pulitzer concentrou seus esforços na edição dominical do jornal, que teve entre seus principais colaboradores um talentoso ilustrador: Richard Felton Outcault, que era filho do casal Jesse e Catherine Outcault.

 

OS PRIMEIROS TRABALHOS DE OUTCAULT

Nascido em 14 de janeiro de 1863, em Lancaster, no estado norte-americano de Ohio, Richard Felton Outcault revelou, desde criança, sua tendência para desenhar; e, com apenas quinze anos de idade, ingressou no curso de Desenho da McMicken University, em Cincinnati (Ohio).
Após diplomar-se, Outcault realizou alguns trabalhos pouco expressivos. Depois, foi contratado pelos laboratórios do inventor Thomas Edison (1847-1931). Então, fez sofisticadas ilustrações de materiais elétricos. Essas ilustrações granjearam-lhe o respeito de Edison, que, em 1889, o enviou como o artista oficial de suas empresas à Feira Mundial de Paris.
Terminada a Feira Mundial, Outcault não retornou imediatamente aos Estados Unidos. Preferiu permanecer mais algum tempo em Paris, a fim de aprimorar-se na arte do Desenho.
Outcault voltou ao seu país natal somente em 1890 e fixou residência em Nova York, com o objetivo de desenvolver sua carreira de ilustrador. Em Nova York, Outcault fez ilustrações para a revista Electrical World (2) e
cartuns para magazines como Judge, Life (1883-1936) e Truth.

“O humor e a arte de R. F. Outcault foram bem recebidos; e seus cartuns começaram a aparecer mais e mais freqüentemente, focalizando habitantes negros da cidade imaginária de Possumville ou crianças irlandesas das ruas de Nova York. Agora, há uma coisa que deve ficar bem clara: esses cartuns foram criados para o público adulto. As revistas que os publicavam eram compradas por adultos, e não por crianças; portanto, seu humor visava os adultos, e não as crianças.”
Richard D. Olson

Para Truth, Outcault realizou diversos cartuns ambientados em Hogan’s Alley, um bairro pobre de Nova York. E esses cartuns acabaram sendo o germe de Down Hogan’s Alley (3), que estrearia em 17 de fevereiro de 1895, no suplemento dominical do The World.

 

O GAROTO AMARELO

No segundo semestre de 1894, Richard Felton Outcault foi contratado como ilustrador do suplemento dominical do The World, cujo editor era Morrill Goddard (1865-1937).
Abre um parêntese.
Hoje, Morrill Goddard está praticamente esquecido. Entretanto, ele teve um papel de destaque no desenvolvimento da moderna imprensa norte-americana, o que o torna tão importante quanto Joseph Pulitzer, William Randolph Hearst, James Gordon Bennett e Joseph Medill Patterson, entre outros.
Fecha o parêntese.
Quando contratou Outcault, Goddard solicitou-lhe que desenhasse cartuns (4), que atraíam um grande número de leitores. E, pouco tempo depois, surgiria Down Hogan’s Alley, que narrava acontecimentos picarescos e pouco recomendáveis envolvendo os moradores de um bairro proletário de Nova York.
De gênero humorístico/satírico e realizada na forma de painéis – na maioria das vezes, esses painéis, que apareciam mais ou menos semanalmente, tinham o formato de meia pagina de jornal (devemos lembrar que, na década de 1890, os jornais eram muito maiores, tanto em largura quanto em comprimento, do que os jornais publicados na atualidade); no entanto, às vezes, eles enchiam dois terços de uma página ou uma página inteira do The World –, Down Hogan’s Alley é considerada por inúmeros historiadores e pesquisadores de Quadrinhos como a precursora imediata da História em Quadrinhos.
Cada painel de Down Hogan’s Alley tinha um título (5) e apresentava um grande número de personagens (mormente meninos e meninas de origem irlandesa) em situações caóticas, grotescas e super-realistas. E um dos personagens que aparecia com mais freqüência nesses painéis era um garoto que, em 1896, ficaria conhecido como Yellow Kid (Garoto Amarelo).
Foi em 17 de fevereiro de 1895, no painel intitulado “Fourth Ward Brownies.”, que o Garoto Amarelo estreou nas páginas do The World.
Ele era de estatura baixa; tinha feições de chinês, uma cabeça grande e totalmente sem cabelo, um enorme par de orelhas, apenas dois dentes na boca e um sorriso zombeteiro; usava como indumentária um camisolão, que ora se mostrava sujo (com manchas de mãos), ora exibia frases irreverentes ou sarcásticas – grande parte dessas frases fazia referência a fatos políticos que podiam ser, por exemplo, a campanha de William Jennings Bryan (1860-1925) à presidência norte-americana (6) ou as relações nada amistosas entre os Estados Unidos e a Espanha (7) –; estava constantemente com os pés descalços; e era mostrado quase sempre de frente, como se encarasse fixamente os leitores. E, em pouco tempo, tornou- se a principal atração de Down Hogan’s Alley, o que chamou a atenção de William Randolph Hearst.

 

O MAIOR RIVAL DE PULITZER

William Randolph Hearst, que serviu de inspiração para o cineasta Orson Welles (1915-1985) criar o personagem Charles Foster Kane (8) e foi o responsável por grande parte do desenvolvimento das histórias em quadrinhos nos jornais norte-americanos, nasceu em San Francisco, na Califórnia, em 29 de abril de 1863. Era filho de George Hearst (1820-1891), um rico homem de negócios e político. Estudou em Harvard, mas não chegou a se formar. Interessou-se pelo jornalismo na época em que ainda freqüentava a universidade. E, em 1885, sentiu o desejo irresistível de ter à sua disposição um jornal onde pudesse pôr em prática suas teorias pouco ortodoxas a respeito do jornalismo. Então, enviou ao pai a seguinte carta:

“QUERIDO PAI:
Acabo de mandar uma carta ao diretor do
Examiner, recomendando Eugene Lent e comentando as ilustrações, se é que lhes pode dar tal nome, que têm desfigurado ultimamente o jornal. Com efeito, acredito que o Examiner tem fornecido até hoje o cúmulo do absurdo em matéria de imprensa ilustrada (...).
Caso os meus reparos não surtam efeito, peço-lhe que me dê autorização para admoestá-lo e assim impedir que ele dê o golpe de morte no pobre jornalzinho.
Estou começando a sentir um certo amor pelo nosso jornalzinho – qualquer coisa de semelhante à ternura que uma mãe dedica a um filho aleijado ou raquítico –; e ficaria desolado de o ver morrer agora, depois de ter lutado tanto e tão nobremente pela sobrevivência. Para dizer-lhe a verdade, estou possuído daquela fraqueza que mais cedo ou mais tarde assalta a maioria dos homens: estou convencido de poder dirigir com sucesso um jornal.
Se você me entregasse o
Examiner – com dinheiro bastante para eu realizar os meus planos –, eis o que eu faria:
Em primeiro lugar, mudaria o aspecto geral da folha, distribuindo a matéria em sete colunas largas e não em nove estreitas como é agora; espaçaria também a composição. Essas duas alterações dariam às páginas uma aparência mais limpa e mais nítida.
Segundo, trataria de tornar o jornal o mais original possível, de não usar a tesoura senão quando absolutamente indispensável e só imitar um jornal de primeira ordem como o
World de Nova York, que é indubitavelmente o melhor diário do gênero a que pertence o Examiner: um jornal feito para o povo e cujo sucesso depende da iniciativa, da energia e de uma certa originalidade sensacional, e não da sabedoria de suas opiniões políticas ou do estilo guindado de seus editoriais. E, para realizar isso, precisamos ter na redação – como o World tem – rapazes inteligentes, ativos e dinâmicos; precisamos de homens que venham com o apetite saudável de fazer fortuna, e não uma escória trazida pela maré de constantes fracassos.
Terceiro, precisamos anunciar o jornal desde o Oregon até o Novo México; e precisamos também aumentar o número de nossos anúncios, se tivermos de abaixar nossos preços. Assim, poderemos pôr na primeira página que a nossa tiragem é de tantos exemplares, a nossa publicidade monta a tanto e cresce continuamente.
Agora que lhe falei dos três pontos essenciais, vou entrar nos detalhes. As ilustrações são um detalhe, embora da maior importância. As ilustrações embelezam a página; as ilustrações atraem os olhos e estimulam a imaginação das massas, ajudando materialmente a compreensão do leitor pouco letrado; são, portanto, de particular importância para a classe de pessoas a que se destina o
Examiner. Ora, as ilustrações que têm aparecido no jornal são mais próprias para afugentar do que para atrair os leitores; e certamente estão longe de embelezar uma página.
Outro detalhe importante é estabelecermos real ou aparentemente alguma ligação com o
World, e obter um certo prestígio pelas nossas relações com aquele jornal. Poderíamos fazer um contrato para que ele nos forneça telegramas particulares de importância ou outra coisa desse gênero, mas compreenda que a principal vantagem a tirar daí seria a atenção despertada pelo fato e a propaganda que nos proporcionaria. É muito duvidoso que o World consentisse num arranjo desses senão por uma soma razoável, pois o seu lucro líquido é superior a mil dólares por dia e sem dúvida o Examiner seria considerado por ele como indigno de atenção. Imagine: mais de mil dólares por dia, e há quatro anos pertencia a Jay Gould e dava prejuízo.
(...)
Seu filho muito afeiçoado,
W. R. Hearst”
(9)

Parece que a carta surtiu efeito, porque, em março de 1887, William Randolph Hearst tornou-se diretor do jornal The San Francisco Examiner, que seu pai adquirira em 1880, em troca de uma dívida.
Uma vez que podia permitir-se contratar quem quer que quisesse, devido ao dinheiro que seu pai colocara à sua disposição, Hearst cercou-se de um brilhante grupo de redatores e escritores. Com isso, dobrou a tiragem do Examiner no primeiro ano.
E, em setembro de 1895, Hearst invadiu os domínios de Joseph Pulitzer, comprando o The New York Morning Journal (depois, esse jornal, que foi fundado em 1882, seria rebatizado com o nome de New York Journal), um diário decadente, pela bagatela de 180 mil dólares (10).
Possuidor de uma ambição desmedida de poder e realização (herdara essa característica de seu pai), William Randolph Hearst, assim que comprou o Journal (foi somente em novembro de 1895 que ele revelou ser o novo proprietário do jornal), lançou-se numa disputa ferrenha com Pulitzer, o que o fez, inclusive, contratar diversos colaboradores e ilustradores do The World. E um dos ilustradores que “roubou” de seu rival foi Richard Felton Outcault.

 

UM PAINEL E DOIS ILUSTRADORES

O painel de Down Hogan’s Alley publicado na edição de 27 de setembro de 1896 do The World apresenta alguns detalhes que, há 114 anos, provavelmente não chamaram a atenção dos leitores e que, posteriormente, foram ignorados pela maioria dos historiadores e pesquisadores de Quadrinhos. Um dos poucos a reparar nesses detalhes foi o crítico e pesquisador espanhol Román Gubern (ver o livro El Lenguaje de los Comics, Barcelona, Ediciones Península, 1974, p. 33), que consultou na New York Public Library uma coleção completa do The World e examinou minuciosamente cada uma das ilustrações feitas por Richard Felton Outcault para esse jornal.
Intitulado “Opening of the Hogan’s Alley Athletic Club.”, o referido painel tem duas assinaturas – a de Outcault, no canto inferior esquerdo; e a de Geo B. Luks (11), mais ou menos no centro, no lado direito –; e mostra o Garoto Amarelo e outros moradores de Hogan’s Alley no interior de um salão de recreação, divertindo-se, e o rosto enorme de uma velha (ela mais se assemelha a uma bruxa) sobre o telhado de vidro do salão (a velha observa de forma ameaçadora a cena que se desenrola no interior do salão). Na verdade, esse rosto não foi desenhado por Outcault, mas por Luks; e foi acrescentado depois ao desenho original.
Não pode deixar de ser dito que o olhar ameaçador que a velha dirige ao Garoto Amarelo e aos demais personagens do painel é significativo, se levarmos em consideração que, após Outcault começar a trabalhar para William Randolph Hearst (12), Down Hogan’s Alley continuou aparecendo nas páginas do The World, sendo, então, realizada por Luks.

 

A ESTRÉIA DO GAROTO AMARELO NO SUPLEMENTO CÔMICO EM CORES DO JOURNAL

Consciente do enorme poder de atração dos desenhos humorísticos e dos suplementos dominicais coloridos, William Randolph Hearst decidiu, em 1896, editar aos domingos “American Humorist”, um suplemento cômico em cores (13). Como Hearst desejava que esse suplemento fosse um sucesso, seu lançamento foi precedido de uma intensa campanha de propaganda no Journal – campanha essa que se encerrou com a publicação do seguinte anúncio na edição de 17 de outubro
de 1896:

“Um público impaciente espera o ‘American Humorist’, O SEMANÁRIO CÔMICO DO JOURNAL DE NOVA YORK – OITO PÁGINAS INTEIRAMENTE EM CORES DE FAZER EMPALIDECER DE INVEJA O CALIDOSCÓPIO.
Os trapaceiros podem explorar a vossa imaginação com um ‘suplemento em cores’ que é preto e avermelhado, quatro páginas de cores fracas, desbotadas e quatro páginas de preto triste e gasto.
Mas o SEMANÁRIO CÔMICO EM CORES DO
JOURNAL...
Ah! É bem diferente!
OITO PÁGINAS DE BRILHO MULTICOR QUE FARÁ O ARCO-ÍRIS SE PARECER COM UM CANO DE CHUMBO.
Este é o semanário cômico em cores que o povo quer, e o terá.”
(14)

Na mesma página que encerrou a campanha de propaganda de lançamento do “American Humorist”, foi ainda publicado o seguinte anúncio:

“AH! EI-LO! O GAROTO AMARELO AMANHÃ DE MANHÃ! AMANHÃ DE MANHÃ!” (15)

Assim que leram esse anúncio, os leitores do Journal ficaram, com certeza, esperando com ansiedade redobrada o primeiro número do “American Humorist”, já que poderiam enfim acompanhar os acontecimentos em que tomavam parte o Garoto Amarelo e os moradores de Hogan’s Alley. E, no dia seguinte, ao folhearem o suplemento, viram que Outcault usara seus personagens para ilustrar um texto de E. W. Townsend, “McFadden’s Row of Flats.” (16).

 

NOTAS:

(1) Localizada às margens do Rio Mississippi, St. Louis, a maior cidade do estado de Missouri (por volta de 1870, ela era a terceira maior cidade dos Estados Unidos), destaca-se por ser importante centro comercial e industrial, porto fluvial, grande entroncamento ferroviário e porta de entrada para o Oeste norte-americano.

(2) Essa revista era publicada por um dos amigos de Thomas Edison.

(3) O título Down Hogan’s Alley foi tirado de uma canção de Reilly and the Four Hundred (1890), um musical da Broadway escrito por Edward Harrigan (1844-1911).

(4) O primeiro desses cartuns [na verdade, é uma seqüência de seis desenhos (ou seja, uma história em quadrinhos) sem palavras], “Origin of a New Species, or the Evolution of the Crocodile Explained.”, foi publicado na edição de 18 de novembro de 1894 do The World.

(5) A pretexto de curiosidade, informamos os títulos de alguns painéis de Down Hogan’s Alley e as datas em que foram publicados no The World:
“At the Circus in Hogan’s Alley.” – 5 de maio de 1895;
“The New Restaurant in Casey’s Alley.” – 19 de maio de 1895;
“The Day After ‘The Glorious Fourth’ Down in Hogan’s Alley.” – 7 de julho de 1895;
“The Great Cup Race on Reilly’s Pond.” – 22 de setembro de 1895;
“The Great Social Event of the Year in Shantytown.” – 10 de novembro de 1895;
“The Horse Show as Reproduced at Shantytown.” – 17 de novembro de 1895;
“An Untimely Death.” – 24 de novembro de 1895;
“Merry Xmas Morning in Hogan’s Alley.” – 15 de dezembro de 1895;
“The Great Football Match Down in Casey’s Alley.” – 22 de dezembro de 1895;
“Golf – The Great Society Sport as Played in Hogan’s Alley.” – 5 de janeiro de 1896;
“The Great Dog Show in M’Googan Avenue.” – 16 de fevereiro de 1896;
“The War Scare in Hogan’s Alley.” – 15 de março de 1896;
“Easter in Hogan’s Alley.” – 22 de março de 1896;
“First Championship of the Hogan’s Alley Baseball Team.” – 12 de abril de 1896;
“Amateur Circus: The Smallest Show on Earth.” – 26 de abril de 1896;
“The Racing Season Opens in Hogan’s Alley.” – 26 de abril de 1896;
“Moving Day in Hogan’s Alley.” – 3 de maio de 1896;
“Hogan’s Alley Preparing for the Convention.” – 17 de maio de 1896;
“The Residents of Hogan’s Alley Visit Coney Island.” – 24 de maio de 1896;
“Hogan’s Alley Attacked by the Hoboken Pretzel Club.” – 31 de maio de 1896;
“First Grand Coaching Parade of the Season in Hogan’s Alley.” – 7 de junho de 1896;
“Hogan’s Alley Folk in the Surf.” – 14 de junho de 1896;
“The Bicycle Meet in Hogan’s Alley.” – 21 de junho de 1896;
“Hogan’s Alley Folk Sailing Boats in Central Park” – 28 de junho de 1896;
“An Old-Fashioned Fourth of July in Hogan’s Alley.” – 5 de julho de 1896;
“A Hot Political Convention in Hogan’s Alley.” – 12 de julho de 1896;
“Hogan’s Alley Children Spend a Day in the Country.” – 19 de julho de 1896;
“The Opening of the Hogan’s Alley Roof Garden.” – 26 de julho de 1896;
“A Wild Political Fight in Hogan’s Alley – Silver Against Gold.” – 2 de agosto de 1896;
“Hogan’s Alley Folk Have a Trolley Party in Brooklyn.” – 9 de agosto de 1896;
“Hogan’s Alley Folk Discover the North Pole.” – 16 de agosto de 1896;
“The Great Bull Fight in Hogan’s Alley.” – 23 de agosto de 1896;
“The Great Lawn Tennis Tournement in Hogan’s Alley.” – 30 de agosto de 1896;
“Li Hung Chang Visits Hogan’s Alley.” – 6 de setembro de 1896;
“A Secret Society Initiation in Hogan’s Alley.” – 13 de setembro de 1896;
“What They Did to the Dog-Catcher in Hogan’s Alley.” – 20 de setembro de 1896;
“Opening of the Hogan’s Alley Athletic Club.” – 27 de setembro de 1896;
“The Amateur Dime Museum in Hogan’s Alley.” – 4 de outubro de 1896.

(6) Por três vezes (1896, 1900 e 1908), William Jennings Bryan foi candidato à presidência dos Estados Unidos. Não conseguiu ser eleito em nenhuma delas.

(7) Na segunda metade do século 19, as relações entre os Estados Unidos e a Espanha estavam estremecidas – tudo por causa dos maus tratos que vinham sofrendo os rebeldes cubanos que lutavam pela independência cubana do domínio espanhol e dos prejuízos sofridos pelas companhias comerciais norte-americanas que operavam em Cuba –, o que acabou desencadeando a Guerra Hispano-Americana (1898). E, ao se tornarem vencedores desse conflito, os Estados Unidos colocaram Cuba, Porto Rico e as Filipinas sob sua proteção.

(8) Esse personagem é o protagonista do filme Citizen Kane (Cidadão Kane, 1941).

(9) Essa carta foi transcrita do livro As Grandes Cartas da História (The World’s Great Letters, tradução de Manuel Bandeira, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1945, pp. 402-406), organizado por M. Lincoln Schuster.

(10) Em 1894, Albert Pulitzer, irmão e rival de Joseph Pulitzer, vendeu o The York Morning Journal por um milhão de dólares a John R. McLean, editor do Enquirer, de Cincinnati. Portanto, McLean teve um prejuízo de 820 mil dólares ao vender o jornal para William Randolph Hearst.

(11) Além de ilustrador Geo B. Luks (George Benjamin Luks, 1867-1933) foi pintor. Participou, junto com Maurice Prendergast (1859-1924), Robert Henri (1865-1929), William Glackens (1870-1938), John Sloan (1871-1951) e, entre outros, George Bellows (1882-1925), do grupo de pintores que ficou conhecido como “Escola da Lata de Lixo”. Conservadores na técnica, mas ousados no conteúdo, os quadros desses pintores retratavam um lado da vida norte-americana que a burguesia preferia ignorar: as multidões vulgares na Broadway, os bêbados em bares deprimentes, os sórdidos estrangeiros no porto... Em suma: registravam os dramas dos pobres das grandes cidades dos Estados Unidos. Para Geo B. Luks e os demais pintores da “Escola da Lata de Lixo”, a ralé não era banal ou digna de piedade, era encantadora; e constituía melhor tema artístico do que os ricos, já que estava mais próxima da natureza.

(12) O último painel – painel esse intitulado “The Amateur Dime Museum in Hogan’s Alley.” – que Richard Felton Outcault fez para Joseph Pulitzer foi publicado na edição de 4 de outubro de 1896 do The World.

(13) Vale a pena transcrever aqui as seguintes palavras ditas por John William Tebbel no livro Os Meios de Comunicação nos Estados Unidos (The Media in America, tradução de Edilson Alkmim Cunha, São Paulo, Cultrix, 1978, p. 310): “O uso da cor foi apenas um dos processos inovadores desenvolvidos pela seção gráfica do Journal, que estava sob o comando de George Pancoast, amigo íntimo de Hearst. Pancoast era um hábil mecânico, importado do Examiner de San Francisco. Foi ele quem inventou a primeira impressora capaz de imprimir de quatro a dezesseis páginas coloridas, com a qual foi lançado o primeiro suplemento dominical em cores, de assuntos humorísticos, progresso revolucionário que teve efeitos duradouros sobre a cultura popular americana.”

(14) Citado em Stephen Becker, “Comics: Il Primo Disegno”, in Comics (ano 10) nº 13, Roma, Archivio Internazionale della Stampa a Fumetti dell’Istituto di Pedagogia Dell’Università di Roma, novembro de 1974, p. 44.

(15) Ibid.

(16) Dessa experiência resultou o livro The Yellow Kid in McFadden’s Flats, escrito por E. W. Townsend, ilustrado por Richard Felton Outcault e publicado, em 1897, por G. W. Dillingham Co. Publishers, de Nova York.