Ano 2 - nº 8 - outubro de 2010/janeiro de 2011

O FOTÓGRAFO LEWIS CARROLL



Em 19 de agosto de 1839, os detalhes do processo fotográfico imaginado por Daguerre foram apresentados para uma excitada platéia na Academia de Ciências de Paris. Por intermédio da ingerência do Governo da França, o invento estava sendo apresentado ao mundo. Em 1841, Henry Talbot concluía suas pesquisas sobre o processo de reprodução fotográfica, conseguindo as primeiras cópias. Na primeira metade do século 19, estava concluída uma das mais fantásticas invenções dos tempos modernos; invenção essa que, hoje, faz parte da vida de todos os povos.
Lewis Carroll (...) escreveu a obra-prima Aventuras de Alice no País das Maravilhas, que até hoje encanta os jovens do planeta. Mas foi também um excepcional fotógrafo, com atividades quase ininterruptas entre maio de 1856 e julho de 1880. Uma característica básica do seu trabalho fotográfico: ao longo de sua vida, praticamente só fotografou crianças, algumas coincidentemente se chamavam Alice (Alice Pleasance Liddell, Alice Constance Westmacott, Alice Murdoch, as primas Alice Emily e Alice Jane Donkin).
Não há dúvida de que a fotografia marcou profundamente a vida de Lewis e seu relacionamento com as crianças amigas. Isso está registrado em seu diário e em sua biografia, além de nas inúmeras cartas que ele escreveu principalmente para as crianças com quem fazia amizade.
As fotografias de Lewis Carroll impressionam principalmente por sua personalidade e pelo estilo definitivo, muitas vezes subjetivo, que ele sempre imprimiu em todos os seus trabalhos. Elas se dividem em duas categorias distintas: as de crianças e as de pessoas adultas, em número menor.
(...) Se considerarmos apenas as fotografias de Lewis Carroll, encontraremos um grande artista (...). Ao se juntar às crianças, ele se transformava, tornava-se uma pessoa completamente diferente daquela que se relacionava com os adultos. Parecia que tinha poderes mágicos, exclusivos, para conseguir penetrar tanto no mundo fantástico da imaginação infantil. Em companhia das crianças, nunca se cansava dos divertimentos. (...) Amava estar com as crianças. Afirmava constantemente que o mundo das crianças ocupava três quartos de sua vida e que, em companhia delas, nenhuma dor permanecia (estar ao lado delas era como ele se recuperava dos aborrecimentos e contrariedades do mundo dos adultos). Brincar com as crianças era a tônica de sua vida, e as cartas que escrevia para elas revelam uma criança crescida sobrevivendo em um homem genial.

 

Este texto foi transcrito de um artigo de jornal publicado provavelmente no começo dos anos 1990