Ano 2 - nº 7 - julho/setembro de 2010

UMA RAINHA CHAMADA CYD CHARISSE
Danny Miller
tradução e versão: Divino Rodrigues da Silva



Com um pedido de desculpas à minha esposa e ao restante da população feminina, devo dizer que a atriz Cyd Charisse tinha as mais belas pernas que já andaram sobre a Terra. Se você não acredita em mim, basta ver aquele fantástico número de dança em Cantando na Chuva, quando as pernas de Cyd, cobertas por meias de nylon, preenchem toda a tela. Suas pernas eram uma obra de arte, fortes, perfeitamente torneadas, bem proporcionadas e mais do que capazes de executar um dos mais perfeitos números de dança já vistos num filme. Foi isto mesmo que eu disse: “um dos mais perfeitos números de dança já vistos num filme.”
Eu estava na Biblioteca de Beverly Hills, ontem à tarde, quando li a notícia de que Cyd Charisse havia falecido com a idade de 87 anos. Na mesma hora, deixei escapar um involuntário “Não!”, fazendo com que cada um dos presentes me olhasse com desaprovação. Eu queria, então, explicar àquelas pessoas, cerca de vinte estudantes de faculdade, a razão de haver proferido aquela palavra; mas imediatamente me dei conta, com tristeza, de que nenhuma delas provavelmente sabia quem era Cyd Charisse.
Cyd Charisse era uma daquelas celebridades que sempre encontrávamos na cidade. E cada novo encontro apenas reforçava minha impressão de que ela era uma das mais fascinantes e encantadoras mulheres geradas por Hollywood. E, naturalmente, uma das mais belas. Fiquei chocado ao ler que ela tinha 87 anos, porque a última vez que a vi, pouco tempo antes, num restaurante ou num evento, estava ainda tão extremamente estonteante quanto fora no auge de sua carreira. Lembro-me de ter visto Cyd e seu marido de longa data, o cantor Tony Martin, na exibição de um de seus filmes; e ela ainda exibia a aparência real de uma rainha, mas uma rainha benevolente que sempre parava e conversava com seus súditos. Que classe! Que simpatia!

 

OS GRANDES FILMES DE CYD CHARISSE

Nos meados da década de 1970, o diretor Vincente Minnelli foi homenageado no Festival Internacional de Cinema de Chicago. Eu fui visitá-lo e, depois, assisti a todos os seus filmes, inclusive A Roda da Fortuna, no qual Cyd Charisse (em seu primeiro grande papel) aparece ao lado de Fred Astaire. Pelo valor de meu dinheiro, considero A Roda da Fortuna o musical mais requintado da MGM, até melhor que Cantando na Chuva; e Cyd Charisse está perfeita no papel de uma dançarina de balé que é cortejada por Fred Astaire para aparecer num musical da Broadway.
E, quando eu estava em Paris, em 1978, um cinema parisiense fez uma retrospectiva de todos os filmes de Cyd Charisse (temos de gostar dos franceses, por apreciarem algumas de nossas estrelas, que são ignoradas em nosso próprio país). Em 28 de dezembro daquele ano, tive – junto com um grupo de estudantes franceses – de viajar à antiga União Soviética, para uma estada de uma semana. Então, um dia antes, para ficarmos bem dispostos, meus amigos e eu fomos assistir a Meias de Seda no cinema que estava homenageando Cyd Charisse. E esse filme tornou-se imediatamente o meu favorito, dentre todos aqueles em que Cyd Charisse trabalhou. Feito em 1957, no auge da Guerra Fria, Meias de Seda é a versão musical de Ninotchka (Ninotchka, 1939); e as cenas de dança de Cyd com Fred Astaire estão entre as melhores de sua carreira. Cyd Charisse está simplesmente sensacional nessa fita. Vale a pena dar uma olhada nela.

 

Este texto foi escrito em 18 de junho de 2008