Ano 2 - nº 7 - julho/setembro de 2010

SE... (IF)
Rudyard Kipling
tradução e versão: T. G. Novais



Se és capaz de manter o teu bom senso e a calma,
Quando todos já os perderam e te culpam disso;
Se és capaz de confiar em ti, quando de ti duvidam,
E perdoares todos aqueles que não confiam em ti;



Se és capaz de esperar, sem perder a esperança,
E não caluniares os que te caluniam;
Se és capaz, ainda que odiado, de ao ódio te esquivares,
Sem parecer que és um sábio ou um modelo de bondade;



Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício;
Se és capaz de, ao enfrentares a Desgraça e o Triunfo,
Não fazeres distinção alguma entre esses dois impostores;



Se és capaz de sofrer a dor de ouvir a verdade que disseste
Ser transformada por canalhas em armadilhas aos tolos;
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com o pouco que te resta;



Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num único lance ousado, e não te preocupares com o resultado;
Se és capaz de perder tudo e recomeçar tudo de novo,
Sem que ouça um único suspiro quem seguir ao teu lado;



Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir, quando já quase não servem;
Se és capaz de resistir, quando nada mais em ti resta
A não ser a vontade, que diz: “Enfrenta!”



Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perderes a naturalidade;
Se és capaz de ser útil para todos,
Sejam eles amigos ou inimigos;



Se és capaz de preencher cada minuto que passa
Com sessenta minutos de tarefa valiosa;
Meu filho, a Terra e tudo que nela existe
Serão teus, e tu serás um HOMEM.