Ano 2 - nº 7 - julho/setembro de 2010

O CINEMA EM MINHA VIDA
Denise de Oliveira Veneziano



Como começou minha paixão pelo Cinema? Para responder a essa pergunta, teremos de voltar no tempo, retornar a um passado mágico e, a meu ver, bastante interessante e cheio de charme.
Tudo começou no final da década de 1960 e início dos anos 1970, quando eu tinha uns oito ou nove anos de idade. Minha mãe adorava ver os filmes da Sessão da Tarde, da Globo; e eu a acompanhava nesse lazer. Eram tardes deliciosas, mágicas realmente. Ali, enquanto assistia aos filmes de Elvis Presley, Frankie Avalon, Fred Astaire, Gene Kelly, Esther Williams, Marilyn Monroe, Rita Hayworth, eu sonhava com todo aquele glamour. Quantas vezes eu fui Esther Williams? Não sei dizer. Quantas e quantas vezes eu dancei com Gene Kelly e Frank Sinatra? É impossível contar. E, com Elvis Presley, adquiri o gosto pela Dança.
Aquelas horas em frente à televisão – e (pasmem!) era em preto-e-branco – me transportavam para um mundo onde tudo era possível. Talvez vocês se lembrem do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Pois é, EU ERA A DENISE NO PAÍS DO CINEMA. Amava ver filmes como Ao Compasso do Amor, Sangue e Areia, Bonita como Nunca, Modelos, Gilda... Todos com uma das divas eternas do Cinema, Rita Hayworth. Eu admirava sua elegância, seu charme. Muitas vezes me fantasiei de Gilda e, então aproveitava uma escadinha que havia em casa para descer seus degraus triunfalmente, imitando a atriz. Que saudade...






Com Esther Williams, mergulhei em águas límpidas e nadei como uma sereia, como ela fazia em Escola de Sereias, A Filha de Netuno e outros filmes inesquecíveis. Mas a exímia nadadora em que eu me transformava só existia em meus sonhos. Até hoje, não aprendi a nadar.
Ao som de Elvis Presley e suas baladas românticas, aprendi os primeiros gingados. Quem não dançou ao som de “Jailhouse Rock”, “Don’t Leave Me Now”? Ou mesmo ouvindo “Because of Love” ou “Love Me Tender”?
Passaram-se os anos, e o tempo para a Sessão da Tarde foi ficando curto. Eram tantas matérias para estudar: Matemática, Física, Química, Biologia, Português, Inglês... Mas num cantinho especial do coração, esse gosto peculiar pelo Cinema ficou adormecido.
Então, já adolescente, passei a freqüentar as salas de cinema, que tinham um raro encanto. Assisti a Laranja Mecânica, O Último Tango em Paris (com o inesquecível Marlon Brando e Maria Schneider), O Exorcista, Rocky, Um Lutador, O Império dos Sentidos, Blade Runner, O Caçador de Andróides, Love Story, Uma História de Amor... Poderia encher páginas e mais páginas, enumerando todos os filmes que vi.
Depois veio o gosto pela compra de filmes em VHS. Nessa época, as fitas que mais me marcaram foram: ...E o Vento Levou (com a maravilhosa Vivien Leigh, interpretando o papel de Scarlett O’Hara), Mad Max, O Iluminado, Os Caçadores da Arca Perdida, E.T. – O Extraterrestre, Gandhi, A Rosa Púrpura do Cairo, Atração Fatal, Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, Os Gritos do Silêncio, Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, A Casa dos Espíritos...
Com John Travolta e Os Embalos de Sábado à Noite, a paixão pela Dança voltou. Vi esse filme inúmeras vezes... Em seguida, veio Grease – Nos Tempos da Brilhantina e aquele doce sabor da adolescência feliz e livre. O amor que nascia entre os personagens de John Travolta e Olivia Newton-John me fazia suspirar, ao ver o filme.
Depois, casei-me e nasceu minha filha (neste começo de 2009, ela está com doze anos). Então, grande parte da minha coleção de filmes em VHS foi destruída, causando-me muita dor. Com isso, perdi meu interesse pelo Cinema, que era um alimento para a minha alma, que era o mundo onde tudo podia e me fazia feliz...
Uma curiosidade: apesar de meu desinteresse pelo Cinema, o nome da minha filha foi inspirado por um filme estrelado pela Demi Moore, A Letra Escarlate. Minha filha recebeu o nome de Pérola justamente por causa de uma das personagens da fita: Pearl.
Mas...
No dia 17 de janeiro de 2007, minha paixão pelo Cinema voltou com força total. Nesse dia, conheci um homem que mudou a minha vida. Ele me fez sonhar novamente. Querem saber o nome dele? Não direi. Saibam apenas que ele é o MEU AMOR.
Ele é um homem apaixonado por Cinema. É um pesquisador de Cinema; e, em nossas longas conversas madrugada afora pela internet, em nossas trocas de vídeos capturados no You Tube, um cenário novo me foi sendo descortinado pouco a pouco. E a descoberta de filmes que nos tocavam mutuamente foi somente mais um ingrediente nessa história.
Então... em 2008, surgiram os cursos de Cinema do Cineclube Canarinho, em Ribeirão Preto. Fiquei maravilhada com a idéia de o MEU AMOR poder finalmente exercitar todo o seu conhecimento sobre a Sétima Arte e ter a oportunidade de estar num lugar em que os cinéfilos podem trocar informações e impressões sobre aquilo que os fascinam: os filmes. E, a partir daí, todos os sábados, nossas conversas via computador sempre têm a inevitável pergunta: “Como foi a sessão de hoje, MEU AMOR?”
Em minha primeira ida a Ribeirão Preto, em julho de 2008, fui apresentada a esse espaço dedicado a ver e estudar o Cinema. Que coisa linda foi poder estar nesse “santuário”, onde tudo me lembra os cinemas do passado, com lanterninha, baleira na porta...
E, em minha última ida a Ribeirão Preto, voltei ao “santuário”. Assisti, então, a Pecado Original, com Angelina Jolie e Antonio Banderas. Já havia visto esse filme, mas é muito diferente ver uma película e depois analisá-la junto com outras pessoas. É uma sensação fantástica. E devo tudo isso ao MEU ÚNICO E ETERNO AMOR.
MEU AMOR, eu lhe agradeço, publicamente, por esse resgate do lúdico em minha vida. Eu lhe agradeço por me mostrar que sonhar é sempre possível e que sonhar é viver mais intensamente...

 

Falecida em 2009, Denise de Oliveira Veneziano foi professora de Geografia e Inglês