Ano 2 - nº 7 - junho/setembro de 2010

CHICAGO
Carl Sandburg
tradução e versão: T. G. Novais



Ó Chicago de larga extensão,
Fornecedora de carne de porco para o mundo,
Fabricante de máquinas
E armazenadora de trigo,
Tu brincas com as ferrovias
E transportas os produtos do país.
Dizem-me que és selvagem;
E eu acho que sim, pois vi, à luz de lampiões, tuas mulheres pintadas seduzirem os rapazes do campo.
Dizem-me que és injusta;
E eu respondo que é verdade, pois vi pistoleiros matarem e ficarem livres para continuarem a matar.
E dizem-me que és brutal.
E a minha resposta é: nos rostos de muitas das tuas mulheres e crianças vi as marcas de uma fome cruel.
Tu és tudo isso.
Mas, agora, lanço um desafio aos teus detratores:
Mostrem-me outra cidade que, de cabeça erguida, se sinta orgulhosa de estar viva, se sinta orgulhosa de ser rumorosa, forte e astuta.



Ó Chicago,
Cidade laboriosa,
És a grande lutadora ardorosa, erguendo-se viva entre as pequenas cidades efeminadas.
És feroz como um mastim de língua pendente e pronto para atacar; és ardilosa como um selvagem que enfrenta a hostilidade do deserto.



Ó Chicago,
De cabeça erguida,
Por entre a fumaça e o pó,
Sob o peso terrível do destino,
Amontoas,
Arrasas,
Planificas,
Constróis,
Destróis,
Reconstróis.
E estás sempre rindo com os brancos dentes,
Rindo como riem os jovens,
Rindo como um lutador ignorante que nunca perdeu uma luta,
Rindo – gabola – por sentires o sangue pulsando em tuas veias,
Rindo por sentires no peito o coração do teu povo!
Rindo o sonoro, rude, tempestuoso riso da mocidade seminua, suarenta.
Rindo orgulhosa de seres
A fornecedora de carne de porco para o mundo,
A fabricante de máquinas,
A armazenadora de trigo,
A cidade que brinca com as ferrovias
E transporta os produtos do país.