Ano 2 - nº 6 - março/junho de 2010

O MITO DE PANDORA
recontado por Marco Aurélio Lucchetti



Notando que, entre todas as criaturas vivas, não havia uma só capaz de descobrir, estudar ou utilizar adequadamente as forças da natureza, comandar os demais seres e estabelecer entre eles a ordem e a harmonia, comunicar-se pelo pensamento com os deuses e entender a essência e o princípio das coisas, o semideus Prometeu criou o homem.
Admirada com a beleza da obra de Prometeu, Minerva a deusa da sabedoria, ofereceu-lhe ajuda para aperfeiçoá-la. Prometeu aceitou, agradecido, a oferta e disse, que, para escolher o que mais convinha à sua criação, devia ver as regiões celestiais. Minerva levou-o, então, ao céu. Dali, Prometeu não desceu enquanto não roubou dos deuses o fogo, um dos elementos mais importantes para o desenvolvimento humano.
Irritado com semelhante atentado, Júpiter, o pai e o senhor de todos os deuses, ordenou a Vulcano, o deus do fogo e do trabalho com os metais, que forjasse a mulher, um ser dotado de todas as perfeições, e apresentasse-a à assembléia dos deuses.
Uma vez criada a mulher, Minerva vestiu-a com um traje de uma brancura deslumbrante e cobriu-lhe a cabeça com um véu e grinaldas de flores, sobre as quais colocou uma coroa de ouro. Em seguida, Vulcano conduziu-a à assembléia dos deuses. Todos eles admiraram a nova criatura, e cada um deles quis dar-lhe um  presente: Minerva ensinou-lhe as artes próprias de seu sexo (uma das artes ensinadas foi a de tecer); Vênus, a deusa da beleza e do amor, ofertou-lhe o encanto; e as demais divindades dotaram-na de audácia, força e persuasão. Mas Mercúrio, o deus do comércio, dos ladrões e dos viajantes, deu-lhe a palavra, colocando-lhe no coração a falsidade.
Quando todos os deuses já haviam lhe oferecido suas dádivas, ela recebeu o nome de Pandora, nome esse formado pela união das palavras gregas pan (todos) e dóron (dons). Depois, Júpiter entregou-lhe uma caixa, ordenando-lhe que a levasse a Prometeu.




Desconfiando que Júpiter poderia tentar alguma artimanha contra ele, Prometeu recomendou a seu irmão, Epimeteu, que não recebesse coisa alguma enviada pelo pai dos deuses. Entretanto, Epimeteu caracterizava-se pela irreflexão e insensatez. Assim, ao avistar a bela Pandora, ele esqueceu-se de todas as recomendações de Prometeu e, após desposá-la, abriu a caixa que ela carregava. Imediatamente, todos os males espalharam-se sobre a humanidade.




Assustado, Epimeteu fechou a caixa. Porém, já era tarde demais; e, no interior da caixa, só restou a esperança, que também estava prestes a fugir.