Ano 2 - nº 6 - Março/Junho de 2010


O FILME DO MÊS:

SHORT CUTS - CENAS DA VIDA

 

O atestado notável de um cineasta cíclico e jamais rançoso



artigo de João Rodolfo Franzoni

O QUE DISSERAM SOBRE A MULHER

Brigitte Bardot: (...) acho que cada mulher deve seguir o caminho que deseja: esta é a verdadeira liberdade, e não aquela apregoada pelo movimento feminista!
Katharine Hepburn: Antes das feministas, nunca tinha me passado pela cabeça que as mulheres eram o sexo inferior.
Madonna: Eu não penso no trabalho que faço em termos de feminismo. Eu certamente sinto que dou força e esperança para as mulheres, principalmente para as jovens. E, com respeito a isso, eu acho que o meu comportamento é feminista. Mas eu realmente não sou militante (...).
Mary McCarthy: Nunca conheci uma mulher que eu considerasse liberada e que fosse feminista.
Nina Hartley: (...) nos Estados Unidos – durante um tempo – você não podia ser feminista e gostar de sexo (...).
Camille Paglia: (...) a (...) façanha do feminismo foi causar uma divisão destrutiva entre os sexos. (...) As feministas se baseiam na crença de que nós, mulheres, nem precisamos dos homens. Mas basta um terremoto, por exemplo – sim, um terremoto de verdade –, para descobrirem que estão erradas. É quando percebem que precisam dos homens da classe trabalhadora. (...) Comecei a me dar conta disso nos anos 70, quando ainda achava que as mulheres se bastavam. (...) as feministas foram vitoriosas na sua tentativa de inibir o sexo. (...) Os homens passaram a desconfiar das intenções das mulheres. O feminismo os aleijou. Eles já não sabem quando passar uma cantada numa mulher. Não sabem se, com isso, vão ganhar uma trepada ou um processo na Justiça.
Roger Vadim: Para as mulheres dessa espécie, não há diálogo possível com os homens. Acham que a linguagem é uma intenção viril e, por conseguinte, uma armadilha a evitar. (...) A maioria dessas mulheres tem uma nítida tendência a amar as mulheres. Digamos que, na melhor das hipóteses, são lésbicas honorárias. Seu conhecimento de sexo se restringe muitas vezes a algumas experiências (...) infelizes.
Laura Greenhalgh: A impressão que se tem é que o feminismo continua sendo um movimento de mulheres brancas, com estudo e majoritariamente vindas da classe média.
Michelle Perrot: (...) de modo geral, o feminismo ainda diz respeito às mulheres brancas, das camadas médias da sociedade.
Camille Paglia: O feminismo criou uma classe média de garotas brancas e privilegiadas que vivem se dizendo vítimas, apenas porque querem preservar seu decoro e passividade burgueses.
T. G. Novais: Penso que as feministas são, antes de tudo, pessoas intolerantes. E descarregam parte de sua intolerância nas garotas que posam nuas...
Camille Paglia: As feministas que vêem as tomadas púbicas arreganhadas como um paradigma da opressão histórica das mulheres são amaldiçoadas pelo fardo dos seus próprios preconceitos sem imaginação. (...) não podem suportar a idéia de que as suas conquistas profissionais, obtidas a duras penas, possam ser suplantadas num instante por uma jovem assanhada a exibir o rabo e os peitinhos.
Silvia Saint: Eu acho que as feministas são invejosas!

Michelle Perrot: A verdade é que a contestação feminista não é fácil de entender, muito menos de aceitar. Nem para os homens, muito menos para aquelas mulheres que só sabem jogar no campo da sedução. São pessoas que preferem rotular as feministas de feias, virilizadas, sem graça.
Camille Paglia: Quando entrei para a faculdade, em 1968, achava que as mulheres iam mudar o mundo, iam fazer e acontecer. Então fui vendo cada uma das minhas amigas – aquelas mulheres que iriam transformar o mundo – se casarem, terem filhos e mudarem de cidade porque seus maridos tinham de mudar.
Laura Greenhalgh: As mulheres trabalham mais, estudam mais, ocupam espaços; porém, as desigualdades persistem. O masculino ainda é o eixo que organiza a pós-modernidade.
Michelle Perrot: Apesar de todo o “processo” feminino, as desigualdades persistem em todos os domínios, especialmente no que concerne à decisão política e econômica. A hierarquia dos sexos, que rege a organização das sociedades desde a “noite dos tempos”, lembrando aqui expressão da antropóloga Françoise Héritier, não só persiste como não poderá ser abolida rapidamente. É uma transformação de longa duração, um desafio que não se conquista assim, de um momento para o outro (...).
David Sheff: (A feminista) Susan Faludi (...) diz que a solução para as mulheres é obrigar os homens a desempenhar mais tarefas domésticas.
Camille Paglia: O problema com essas feministas – Susan Faludi, Naomi Wolf, Gloria Steinem – é que elas põem a culpa nos homens por qualquer coisa. Temos de superar essa etapa de chicotear os homens. De que forma um homem de avental em casa pode resolver algum problema?
Federico Fellini: (...) é impossível abranger a mulher por um conceito (...). Eu vejo as mulheres em todas as suas facetas. Não tenho desprezo por elas, ao contrário. Vejo-as como seres humanos, seres humanos especiais, porque elas são capazes de dar a vida, gerar a humanidade, alimentá-la. Sempre tratei meus personagens femininos com muito amor, muita ternura, muita compreensão. Penso mesmo que sempre saem melhores do que meus personagens masculinos.
Montaigne: As mulheres não estão totalmente erradas quando se recusam a aceitar as regras da vida introduzidas no mundo, tanto mais que todos sabem que foram os homens que fizeram essas regras sem ao menos consultá-las.
Camille Paglia: Se a civilização dependesse das mulheres, estaríamos até hoje vivendo em cabanas.
Nina Hartley: Os homens são tão facilmente levados por seus pênis que, quando assumiram o controle do planeta, perceberam o perigo de a mulher possuir livre expressão sexual. Elas têm de ser mantidas sob controle, pois o homem não pode se sentir fraco diante de uma mulher.
Giovanna Casotto: Na área dos quadrinhos, e não só nos eróticos, mulheres são uma raridade. Não importa o gênero, quadrinhos são produzidos e lidos por homens. Este é um mundo ainda dominado pelos homens, infelizmente; e muitas mulheres sentem que podem ser discriminadas ao abrir a boca para falar abertamente de sexo. A idéia de que a mulher possa desejar sexo pelo prazer, como acontece com os homens, é ameaçadora para muitos.
Monique Evans: Os homens são muito bobos. A mulher é a grande sacana.
Madonna: Eu acho que a maior parte dos homens sempre foi agressora sexualmente, embora eles sempre estivessem na liderança, desde os tempos mais imemoriais. Então eu acho que o sexo é usado como uma forma de poder, e isso é assustador. E são assustadoras para os homens aquelas mulheres que usam essa força. E é assustador para as mulheres ter essa força – ou ter essa força e ser sexy ao mesmo tempo.
Kierkegaard: Dizem que a mulher representa o sexo fraco. Sendo assim, em matéria de amor, deveríamos levar em conta a sua fraqueza e os seus defeitos. Mas isso não é exato. Ela é forte como o homem – e talvez mais.
Samuel Johnson: A lei, com sabedoria digna de admiração, outorgou escasso poder à mulher, porque a natureza já lhe concedeu poder de sobra.
Buda: Aquele que encontrar uma mulher em sua vida... terá encontrado uma escada por onde subirá ao paraíso.

Victor Hugo: Ah! Veneremos a mulher. (...) A mulher é a humanidade vista pelo seu lado tranqüilo; a mulher é o lar, é a casa; é o centro de todos os pensamentos suaves. É o terno conselho de uma voz inocente, no meio de tudo que nos envolve, nos irrita e nos arrasta.
Michelet: A mulher é uma religião.
Émile Zola: A mãe deveria ser nossa religião.
William Shakespeare: Todos os oradores se calam quando a beleza feminina fala.
Michelet: A voz e o olhar das mulheres têm uma estranha potência e exercem sobre os homens uma fascinação muito superior à da sua beleza.
Maurice Ronet: (...) sabemos que a inteligência de uma mulher não é o que atrai em primeiro lugar o homem, embora seja o que depois o retém.

QUEM É QUEM
Brigitte Bardot – atriz francesa
Buda (c. 560-c. 480 a.C.) – fundador do Budismo
Camille Paglia – professora universitária e ensaísta norte-americana
David Sheff – jornalista norte-americano e editor-contribuinte da Playboy
Émile Zola (1840-1902) – escritor francês
Federico Fellini (1920-1993) – cineasta italiano
Giovanna Casotto – quadrinhista italiana
Katharine Hepburn (1907-2003) – atriz norte-americana
Kierkegaard (Sören Kierkegaard, 1813-1855) – filósofo e teólogo dinamarquês
Laura Greenhalgh – jornalista
Madonna (Madonna Veronica Louise Ciccone) – cantora e atriz norte-americana
Mary McCarthy (1912-1989) – escritora norte-americana
Maurice Ronet (1927-1973) – ator francês
Michelet (Jules Michelet, 1798-1874) – escritor e historiador francês
Michelle Perrot – historiadora francesa
Monique Evans – modelo e atriz brasileira
Montaigne (1533-1592) – escritor e filósofo francês
Nina Hartley – atriz pornô norte-americana
Roger Vadim (1928-2000) – cineasta francês
Samuel Johnson (1709-1784) – escritor e lexicógrafo inglês
Silvia Saint (psedônimo de Silvia Tomcalova) – atriz pornô tcheca
T. G. Novais (1927-2008) – jornalista, escritor e tradutor nascido no Brasil
Victor Hugo (1802-1885) – escritor francês
William Shakespeare (1564-1616) – poeta e dramaturgo inglês

CINEMATECA por Rubens Francisco Lucchetti

VERSÃO ROMANCEADA DO FILME LÁBIOS DE FOGO

 

AGUARDE: NÚMERO ESPECIAL SOBRE O WESTERN

UM FILME,
UMA CRÍTICA

 

O DIABO FEITO MULHER


Ao falarmos deste filme, não podemos deixar de nos referir à sua intérprete principal, Marlene Dietrich...
EM BUSCA DOS FILMES PERDIDOS NA MEMÓRIA - PARTE 2 (FINAL)
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artigo de Valter Martins de Paula
AS DIVAS NUAS
Realmente, Barbara Bouchet foi – ao lado de atrizes como a argelina Edwige Fenech e a austríaca Marisa Mell (1939-1992), que nunca tiveram vergonha de se mostrarem (nos filmes e nas páginas das revistas masculinas) nuas ou seminuas – um dos ícones, uma das musas dos gialli e dos filmes eróticos italianos...

UM GIALLO DIFERENTE
artigo de Ivan Fabricio Gagliardi

Dirigido por Emilio P. Miraglia e estrelado pela belíssima Barbara Bouchet, o filme La Dama Rossa Uccide Sette Volte (1972) se inicia com duas meninas, as irmãs Kitty e Evelyn...

 

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SUPLEMENTO
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SOB O DOMÍNIO DE EROS - O EROTISMO NOS QUADRINHOS - PARTE 2
artigo de Marco Aurélio Lucchetti

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Detecta-se os primórdios do Horror no Maravilhoso, que pode ser considerado como a irrupção das forças desconhecidas...

AMINA
(extraído de As Mil e Uma Noites)
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um poema de Rudyard Kipling
LENORE
um poema de Gottfried August Bürger
O MITO DE PANDORA
recontado por Marco Aurélio Lucchetti
A MULHER E AS ROUPAS
por Charles Baudelaire
A ARTE DA SEDUÇÃO
por Louise Brooks