Ano 2 - nº 5 - dezembro de 2009/fevereiro de 2010

PAUSA PARA O CAFÉ
Rubens Francisco Lucchetti


Certa vez, durante uma entrevista na TV, Anthony Burgess explicou o que era um escritor:
– Há alguns anos, um escritor foi à Índia para participar de uma caçada ao tigre. De volta a Londres, ele relatou a caçada num livro; mas todos que leram o livro pensaram que se tratava de uma caça ao rato ou ao gato. Nesse mesmo tempo, um outro escritor não foi à Índia, ou melhor dizendo, nem saiu de Londres. Ele apenas observou a rua e viu um gato perseguindo outro gato. E relatou o que viu. E seus leitores convenceram-se de que se tratava de uma caça ao tigre de Bengala. Eis o escritor.

“Nenhum homem apressado é realmente civilizado.”
Will Durant

“Creio muito na sorte. Quanto mais trabalho, mais sorte pareço ter.”
Emerson

“Um homem alcança a meia-idade quando a ‘pequena’ para quem pisca supõe que ele tem alguma coisa nos olhos.”
William Holden

O homem que não faz outra coisa senão se gabar de seus antepassados está confessando pertencer a uma família que vale mais morta do que viva.

Uma mentira pode resolver o presente, mas não tem futuro.

Podem ser construídas cinco casas com a madeira de uma única sequóia da Califórnia. Infelizmente, não se pode construir nenhuma sequóia com a madeira de cinco casas.

Há dois tipos de estradas de rodagem: as que não prestam e as que estão em construção.

Há três tipos de mentiras: a mentira corrente, o perjúrio e a estatística.

Era um garotinho tão masoquista que, quando crescesse, queria ser refém.

A mulher ficou por demais entusiasmada com a descoberta de que as panelas que cozinham sob pressão aprontam espinafre em dois minutos.
– E daí? – Perguntou o marido, com ar de mofa. – Qual é a vantagem de comer espinafre quatorze minutos mais cedo?

Um mineiro entra numa elegante loja de departamentos, com seu chapéu de boiadeiro e botas de tacão alto. Olha aqui e ali, até que uma gentil vendedora aproxima-se dele.
– Posso ajudá-lo em alguma coisa, cavalheiro? – Pergunta a vendedora, sorrindo. – Deseja algo em especial?
– Não, não quero nada! – Replica o mineiro. – Na verdade, nunca vi tanta coisa que não me serve para nada.

“A sociedade vem da necessidade; o governo, da perversidade. Ela nos defende, ele nos castiga.”
Quem teria dito essa verdade?

O chefe do trem aproxima-se de um jovem que está contemplando embevecido o panorama que se descortina através da janelinha do vagão.
– Tire essa mala daí! – Ordena o chefe do trem. – Ela está atrapalhando a passagem.
– Não tiro! – Retruca o rapaz.
– Tire! Estou mandando!
– Não tiro!
– Então, vou chamar a polícia!
– Pode chamar...
Na primeira estação, o trem pára; e entra um policial.
– Por que você não tira a mala? – Pergunta o policial.
– Porque não é minha! – Responde o jovem.

“Quando as corporações vão ao poder, segue-se uma era de corrupção governamental.”
Steve Darnall

Que é a Arte?
Não será ela uma magia própria dos iluminados, daqueles que têm a capacidade de enxergar o mundo tal como Deus o vê?

Que é o artista?
Não será ele, por acaso, um ser alienado de todos que o cercam e incompreendido até mesmo por aqueles que lhe estão mais próximos?

“Ser ou não ser” o quê, Hamlet?

A guerra é tão-somente uma justificativa para se cometer homicídios em massa.

Algumas definições definitivas:
Ambulância – bólido que corre alucinado pelas ruas, capaz até de matar para salvar uma vida.
Apartamento – caixa para guardar pessoas.
Economista – pessoa que escreve sobre um assunto que não entende e consegue fazer o leitor pensar que é burro por não compreender o que está lendo.
Imbecil – um burro que não pára de ter idéias.

“O primeiro passo para o bem é não fazer o mal.”
Jean-Jacques Rousseau

Dizem que os chineses têm o hábito de usar nos casacos cinco botões, para que não sejam esquecidas as cinco virtudes essenciais que Confúcio recomendava: Bondade, Justiça, Ordem, Prudência e Retidão.

– Diga-me, papai: no fundo do mar há algo?
– Não, meu filho. Há algas.

– Alô!
– Quem fala? É a Sandra?
– Sou.
– Ainda me ama?
– Claro. Mas quem está falando?

 
Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos