Ano 1 - nº 3 - maio/julho de 2009

VAMPIROS DO CREPÚSCULO
Denise de Oliveira Veneziano



Os vampiros – seres que sempre exerceram grande fascínio sobre o público – estão de volta no filme Crepúsculo (Twilight, 2008). E, agora, surgem como figuras encantadoras, românticas e capazes de despertar comentários contraditórios e polêmicos.
Baseado no primeiro volume da série de três romances (Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse) que Stephenie Meyer escreveu, Crepúsculo faturou US$ 35 milhões apenas em seu primeiro dia de exibição nos Estados Unidos.
Dirigida por Catherine Hardwicke, a fita conta a história do romance entre Bella (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson). Bella e Edward são adolescentes (Bella é uma garota comum de classe média, que tem pais separados, fugindo dos padrões estereotipados das jovens mostradas em outras recentes produções hollywoodianas; e Edward é um príncipe encantado moderno, unindo um lado galanteador e sedutor a um jeito de bad boy), e o romance entre os dois traz em si as complicações naturais da idade e ganha mais dramaticidade a partir do momento em que Edward revela para a amada sua condição de vampiro (Edward procura bravamente afastar-se de Bella, a fim de que não aja como um autêntico vampiro e sugue todo o sangue da jovem).
A partir daí, o romance entre Bella e Edward torna-se um amor impossível, como na peça Romeu e Julieta, o grande clássico dos amores impossíveis (o amor que Bella sente por Edward é tanto que ela chega a se oferecer para que ele sugue o seu sangue e a transforme numa vampiresa. Em certo momento, a jovem chega a dizer que deseja viver a seu lado para sempre; e Edward deixa claro que não deseja para ela a vida que ele leva).
Crepúsculo tem por cenário uma pequena e chuvosa cidade chamada Forks, localizada no estado de Washington, na costa oeste norte-americana. E, com seus dias nebulosos e sombrios, Forks é o lugar perfeito para ser o habitat da família Cullen, que sofre do mal do vampirismo (o interessante é que eles não bebem sangue humano, e sim sangue de animais). Entretanto, a tranqüilidade da família é abalada com a chegada de Bella: a atração entre ela e Edward no primeiro dia de aula é fulminante; e o rapaz tenta por todos os meios fugir da garota, mas tudo o atrai para ela (na verdade, o cheiro de Bella o entorpece e faz com que não consiga se afastar dela), o que termina gerando tensão, sofrimento, dor e exageros passionais. E as coisas pioram ainda mais quando outro grupo de vampiros (são vampiros inimigos dos Cullens e alimentam-se de sangue humano) descobre a mortal Bella no seio da família de Edward. A princípio, o confronto entre os dois grupos é evitado; porém, um casal desse grupo rival não se conforma com a situação e sai à caça da garota, encarando isso como  um saboroso desafio.
Em Crepúsculo, não há beijos ardentes, nem cenas quentes de sexo, nem corpos nus, nem música pop, nem os mirabolantes efeitos especiais encontrados nas fitas de Steven Spielberg ou George Lucas (a única cena em que se nota mais fortemente a presença dos efeitos especiais é a que mostra Edward, com Bella às suas costas, sobrevoando as paisagens geladas da floresta que circunda Forks). Entretanto, é o tipo de filme que cumpre fielmente seu objetivo: trazer às telas o ar de magia encontrado em fitas como O Senhor dos Anéis. Tudo é mágico. O sobrenatural exerce todo o poder de sedução junto a seu público-alvo: adolescentes enamorados que adoram histórias de amores proibidos, amores impossíveis de se concretizar como o da terna Julieta pelo belo Romeu. Há diversos filmes contando grandes histórias de amor (Nasce uma Estrela, Love Story – Uma História de Amor, Titanic, Um Lugar Chamado Notting Hill e A Casa do Lago são alguns desses filmes), e Crepúsculo é mais um deles.
Dando mais espaço para o que é sugerido do que para o que é verdadeiramente mostrado e misturando romance, fantasia e uma dose de suspense, Crepúsculo é um filme que seduz (os personagens despertam a simpatia dos espectadores e logo na primeira cena põem a platéia para suspirar) e é capaz de tudo, menos de despertar a indiferença de quem o assiste.

 

Denise de Oliveira Veneziano é professora