Ano 1 - nº 3 - maio/julho de 2009

UM GIALLO FEITO EM TERRAS NORTE-AMERICANAS
Marco Aurélio Lucchetti



No final do artigo “Giallo, um Gênero Genuinamente Italiano”, nosso colaborador Ivan Fabricio Gagliardi afirmou que “o Giallo influenciou diversos cineastas norte-americanos” e que “o vilão de Vestida para Matar é a prova mais genuína da influência dos gialli em solo estadunidense”. Na verdade, porém, o Giallo continua influenciando os cineastas norte-americanos. Para provar, basta citar uma co-produção estadunidense e canadense, Terapia do Adultério (Cheaters’ Club), realizada em 2006 e que pode ser encontrada nas videolocadoras brasileiras em DVD lançado pela Daylight Films.
Escrito por Kevin Commins, dirigido por Steve DiMarco e apresentando “uma sensualidade não-grosseira” (Cine Players.com), Terapia do Adultério é um envolvente thriller; e sua história pode ser assim resumida: Linda (Charisma Carpenter), Cindy (Katya Gardner) e Meredith (Krista Bridges) passam por problemas em seus casamentos e procuram a ajuda de uma psicanalista, a dra. Roberta “Bobbie” Adler (Wendy Anderson), que lhes aconselha a terapia do adultério – de acordo com a dra. Adler, toda mulher, para preservar o casamento e manter a família, tem de ser adúltera, ou seja, deve arrumar, com a máxima discrição, um amante e fazer “sexo com prazer”, mas deve fazer apenas sexo (a mulher nunca pode envolver-se emocional ou sentimentalmente com o amante). As três mulheres seguem o conselho da terapeuta, e cada uma delas arruma um amante. Tudo segue tranqüilo, até que a dra. Adler e seu amante são assassinados. Uma policial começa a investigar o duplo homicídio; e Linda, Cindy e Meredith se vêem cada vez mais implicadas no caso, ao tentarem encobrir seus segredos. Depois, o amante de Meredith, um garoto de programa, também é assassinado. No final, Linda descobre a identidade do assassino e um terrível segredo é revelado.
E Terapia do Adultério é um autêntico giallo, já que apresenta todos os ingredientes dos melhores filmes do gênero: belas mulheres (não pode deixar de ser dito que as intérpretes da fita, incluindo a atriz principal, Charisma Carpenter, possuem uma beleza natural e invulgar); assassinatos cruéis, muito embora eles não sejam mostrados; um protagonista (no caso, uma protagonista) que investiga por conta própria os crimes; uma trama cheia de mistérios e reviravoltas; uma atmosfera de medo e incerteza; um trabalho criativo de câmara; e um assassino cuja identidade só é revelada no final. Portanto, Terapia do Adultério é uma fita que deve ser vista por todos que desejam saber o que é um giallo e, infelizmente, não têm acesso aos autênticos gialli.