Ano 1 - nº 3 - Maio/Julho de 2009

 

 

 

artigo de João Rodolfo Franzoni

 

 

 

artigo de Valter Martins de Paula

O QUE DISSERAM SOBRE O ESTRELATO

Brigitte Bardot:
(...) há muitas pessoas que se comprazem em fazer em voz alta observações como estas: “Penso que ela já foi melhor... Bem, se isso é o que se chama uma estrela de Cinema...”
Edgar Morin: (...) as estrelas são seres ao mesmo tempo humanos e divinos, análogos em alguns aspectos aos heróis mitológicos ou aos deuses do Olimpo, suscitando um culto e mesmo uma espécie de religião.
Edwige Fenech: Não me agrada a vida de estrela (...).
Meg Ryan: (O estrelato) não faz parte de minha rotina. (...) não é parte de minha vida.

Alfred Hitchcock: Uma mulher realmente bonita iniciando a carreira cinematográfica é privilegiada porque, por algum tempo, as platéias farão vista grossa à sua falta de habilidade para representar. Ela pode se tornar uma estrela da noite para o dia e aprender a representar depois, como aconteceu com Jean Harlow.
Edgar Morin: O nascimento de uma estrela é o acontecimento mais faustoso que a indústria cinematográfica pode conhecer. (...) Ameaçada pela televisão a partir de 1948, Hollywood procurou e encontrou durante alguns anos sua salvação não somente na tela panorâmica, como também no lançamento de superstars como Marilyn Monroe.
Marilyn Monroe: É duro (...) chegar a ser uma atriz. (...) Quando me deram o papel que desempenhei em Os Homens Preferem as Loiras, Jane Russell fazia o de minha rival, a morena. Ela recebia duzentos mil dólares por seu trabalho no filme, ao passo que eu não ganhava senão quinhentos dólares por semana. (...) Jane Russell foi muito gentil comigo durante toda a filmagem. Mas os outros, não. Basta dizer que nem sequer consegui obter um camarim só para mim. E eu fazia questão de ter o camarim, concedido a todas as atrizes importantes. Por isso, dizia aos dirigentes do estúdio: “Escutem aqui! Isso não é lógico. Eu sou a loira. E o filme se chama Os Homens Preferem as Loiras. Tenho direito a um camarim.” Eles, no entanto, não faziam senão repetir: “Ora! Lembre-se de que não é uma estrela!” E eu retrucava, cada vez mais irritada: “Sei que não sou uma estrela! Mas, em todo o caso, sou a loira.”
Brigitte Bardot: No estúdio sempre tive as mesmas pessoas ao redor de mim. Uma vez que se tenha alcançado um certo grau na hierarquia do estrelato, adquire-se o direito de indicar, por exemplo, a sua maquiadora (...) – tudo no contrato.
Ashley Judd: Segundo o contrato, minha imagem pode ser usada para sempre e por todo o Universo. É sério! Essa é uma cláusula do contrato que me faz rir. O estúdio tem o direito de me exibir até em Marte!
Marilyn Monroe: Se sou uma estrela, devo isso ao público. Nada devo aos estúdios que me empregaram. Ao público, sim.
Edgar Morin: A estrela de Cinema é deusa. O público a torna assim; mas quem a prepara, apronta, modela, propõe e fabrica é o star system.
Alfred Hitchcock: Acredito no sistema de estrelato porque o Cinema é um negócio; e, como diretor, não posso me dar ao luxo de perder o dinheiro que investi no meu negócio.
Edgar Morin: A estrela não é idealizada apenas em função de seu papel: ela já é, pelo menos potencialmente, idealmente bela. Não é somente glorificada por sua personagem, ela também a glorifica.
Claudia Cardinale: Lembro-me sempre de uma cena passada em Madri. Estávamos – eu e meu marido, Franco – sentados à mesa de um restaurante, esperando Brigitte. De repente, ela apareceu com os cabelos soltos, sem maquilagem, com uma minissaia curtíssima. O restaurante, que estava cheio e barulhento, ficou silencioso, de boca aberta. É inegavável, Brigitte é uma verdadeira estrela. (O fato relatado por Claudia Cardinale aconteceu em 1971, na época em que ela e Brigitte Bardot trabalhavam no filme As Petroleiras/Les Pétroleuses, dirigido por Christian-Jaque e rodado na Espanha)
Norberto Viana: A simbologia e o atrativo que exerceram sobre as multidões de espectadores das salas escuras artistas como Greta Garbo, Rodolfo Valentino, Marlene Dietrich ou Jean Gabin estão ligados a uma idolatria especial – o mito. (...) Mesmo as talentosas Katharine Hepburn, Jean Arthur, Janet Gaynor (...) não reuniram as condições mitológicas necessárias, apesar da sua categoria artística e da sua beleza. Tem o mito alguma relação com o talento? Estamos convencidos que sim. A vedeta cinematográfica, que domina um grande número de espectadores, possui algo de misterioso, algo de animal e atrativo, alguma coisa relacionada com aptidões artísticas excepcionais ou, pelo menos, fora do comum. (...) É o caso de Brigitte Bardot (...) Brigitte Bardot – a única (...).
Brigitte Bardot: Será difícil encontrar outra estrela de minha categoria que tenha passado tanto tempo produzindo bobagens.

QUEM É QUEM

Alfred Hitchcock (1899-1980) – cineasta inglês
Ashley Judd – atriz norte-americana
Brigitte Bardot – atriz francesa
Claudia Cardinale – atriz italiana
Edgar Morin – sociólogo francês
Edwige Fenech – atriz e modelo de origem argelina
Marilyn Monroe (pseudônimo de Norma Jean Baker, 1926-1962) – atriz norte-americana
Meg Ryan – atriz norte-americana
Norberto Viana – crítico cinematográfico português

GIALLO, UM GÊNERO GENUINAMENTE ITALIANO
por Ivan Fabricio Gagliardi
UM GIALLO FEITO EM TERRAS NORTE-AMERICANAS
por Marco Aurélio Lucchetti
DOIS FILMES DE DAVID LYNCH
por Raphael Mattielo
AS PEQUENAS PRODUTORAS INDEPENDENTES DE HOLLYWOOD
por Divino Rodrigues da Silva
UM CLÁSSICO DO CINEMA ITALIANO
por Aurélio P. Cardoso
A LOUCA OBSESSÃO DE UMA FÃ NÚMERO UM
por Sílvio C. Pereira
A BELA E A FERA DA ERA CAPITALISTA
por Marco Aurélio Lucchetti
EU SEMPRE O CHAMEI DE SENHOR “MOJICA”
por Rubens Francisco Lucchetti
DOIS PERSONAGENS DE JOSÉ MOJICA MARINS
por Marco Aurélio Lucchetti
A FRUSTRAÇÃO DE UM FÃ
por Valter Martins de Paula
DEFININDO O HORROR
por Marco Aurélio Lucchetti
UMA VISITA INESQUECÍVEL
À primeira vista, não tinha nada de anormal. Era uma casa como muitas outras, debruçada sobre um precipício e coberta por um sombrio revestimento de hera. O portão estava fechado, e a tabuleta “CUIDADO COM OS CÃES” acautelava os imprudentes.

T. G. Novais

UM FILME, UMA CRÍTICA
Este filme baseia-se num conto terrorífico do escritor irlandês Joseph Sheridan Le Fanu, o mesmo autor a quem o cineasta dinamarquês Carl Dreyer recorreu, no começo dos anos 1930, para realizar um dos mais lendários “filmes malditos” da História do Cinema.
SANGUE DE PANTERA
Val Lewton é a essência do Horror no Cinema. Recordando-me de seus filmes, não encontro paralelo na História do Cinema. Outros produtores, como Roger Corman e William Castle, tentaram imitá-lo, mas não conseguiram...

artigo de Rubens Francisco Lucchetti

O VAMPIRO
texto: R. F. Lucchetti
ilustrações: Nico Rosso
O CASTELO DOS VAMPIROS
COMO CONHECI JEAN ROLLIN
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
VAMPIROS DO CREPÚSCULO
Os vampiros – seres que sempre exerceram grande fascínio sobre o público – estão de volta. E, agora, surgem como figuras encantadoras, românticas e capazes de despertar comentários contraditórios e polêmicos.
artigo de Denise de Oliveira Veneziano
ENTREVISTA COM
CHRISTOPHER LEE
MINHA INTERPRETAÇÃO DO CONDE DRÁCULA