Ano 1 - nº 3 - maio/julho de 2009

ENTREVISTA COM CHISTOPHER LEE



Como se vê a si mesmo agora, depois de ter feito tantos filmes de Horror? É grato ou não a esse gênero cinematográfico que o permitiu tornar-se aquilo que é?
Vejo-me como um ator a quem dão um papel e que procura desincumbir-se dele o melhor possível. É claro que sou grato aos filmes de Horror, por ter me dado o que possuo e as satisfações que tive. Especialização é uma coisa muito importante e, de certa forma, ajuda um ator a subir. E, no Horror, quem são os atores especializados? Peter Cushing, Vincent Price, eu...

É difícil interpretar filmes de Horror? Que espécie de problemas se apresentam a um ator nesse campo?
Na minha opinião são filmes dificílimos por uma série de razões. O problema maior é tornar verossímil o fantástico, o absurdo. Isso vale tanto para o ator como para o diretor. Um pequeno erro... e tudo se torna uma comédia, uma farsa.

Existe futuro no cinema de Terror? Alguns filmes atuais se parecem muito uns com os outros.
É verdade. Eles se repetem por falta de inteligência e imaginação. Mas nunca deixarão de ser feitos. Eles se baseiam em três emoções fundamentais que todos nós experimentamos: o medo, a superstição e o misticismo. Além disso, permitem fugir à realidade; e a evasão é sempre necessária numa sociedade como a nossa.

Dizem que esse seu anel tem uma história...
Tem. Pertencia a Bela Lugosi, e ele mesmo o deu para mim. Eu o tenho usado em meus últimos filmes. Dizem que pertenceu ao próprio Drácula.

É verdade que você conhece muita coisa sobre Drácula?
Sim, tenho muitos documentos que testemunham sua existência. Existiu um Conde Drácula (...), que pertencia à ordem de Drago ou Dracul, termo que quer dizer diabo ou demônio. (...) Ele passou à História como Dracul o Empalador, porque mandava matar por empalamento os sobreviventes das batalhas. As histórias o descrevem como uma criatura sem piedade e demoníaca, sedenta de sangue e sem nenhum escrúpulo.

Acredita no sobrenatural?
Naturalmente; mas não por experiência própria, faço questão de frisar. São coisas que a razão não pode explicar. Sim, eu acredito em coisas sobrenaturais. E, às vezes, tenho medo. O que me apavora é a sensação de impotência diante de acontecimentos que não posso controlar.

 

Este trecho faz parte de uma longa entrevista dada por Christopher Lee na década de 1970