Ano 1 - nº 2 - fevereiro/abril de 2009

ENTREVISTA
ARNALDO JABOR



Fernando Kaxassa: Você fez vários filmes, desde Eu Te Amo, que teve bilheteria maravilhosa, até Eu Sei Que Vou Te Amar, pelo qual a Fernanda Torres ganhou em Cannes o prêmio de Melhor Atriz. De repente, Jabor deixa de fazer filmes...

Arnaldo Jabor: O cinema brasileiro é inviável, é impossível. Mercado é mercado.

Jair Correia: Quer dizer que eu, que estou fazendo um filme, sou inviável...?

Arnaldo Jabor: É. Eu não filmo mais.

Jair Correia: E os cinemas francês, alemão, inglês...?

Arnaldo Jabor: Também são.

Jair Correia: O iraniano também?

Arnaldo Jabor: O iraniano é outra coisa. No cinema iraniano, surgiu um cineasta que faz os filmes bem baratinhos e que conseguiu ingressar no mercado de artes da Europa, um pouquinho também no mercado de artes americano. Aquilo ali é um fenômeno bonito, mas é nada.

Fernando Kaxassa: É como foi o nosso? O Cinema Novo?

Arnaldo Jabor: No Cinema Novo, se você observar os melhores filmes, as melhores bilheterias, não tem nem cem mil espectadores. Foi um fenômeno num tempo em que a cultura de marketing não estava consolidada ainda e em que a manifestação artística existia com seu valor intrínseco. Hoje o valor de mercado é o que manda. Então você quer fazer um filme que vai ter cem mil espectadores... pode ser o melhor filme do mundo, aquilo não existe. Não acontece, mas isso é uma longa discussão.

Fernando Kaxassa: Mas e o Cacá Diegues, seu grande amigo? Ele ainda está filmando!

Arnaldo Jabor: Primeiro que ele foi um herói da persistência, um trator, uma tartaruga. Ele vai ali onde ninguém agüenta...

Fernando Kaxassa: Então, nesta situação, é melhor entrar para a igreja evangélica? Essa é a pergunta. Já que está tudo ferrado, entramos todos para a igreja evangélica...?

Arnaldo Jabor: Hum...

Fernando Kaxassa: Vamos entrar ou não?

Arnaldo Jabor: Vamos rezar!

 

Este trecho faz parte de uma longa entrevista dada por Arnaldo Jabor para a equipe de O III Berro (a entrevista completa foi publicada no número 6 de O III Berro, em junho de 2001)