Ano 1 - nº 2 - Fevereiro/Abril de 2009


O filme do mês:
ou uma amostra de como um cineasta estrangeiro pode migrar para Hollywood sem sacrificar sua alma



artigo de João Rodolfo Franzoni

O filme do mês - 2:

Império dos Sonhos e a necessidade de um autor como David Lynch



artigo de João Rodolfo Franzoni

O CINEMA E A CENSURA

Burton Joseph: Acho que os três maiores impulsos humanos são o de comer, o de procriar e o de censurar.
Brigitte Bardot:
Se a censura deve desempenhar alguma função no Cinema, é (...) contra os filmes que exaltam a violência.
Emmanuelle Arsan:
(...) a censura é uma estrutura retrógrada, cujo projeto aberrante é interromper as correntes de desenvolvimento da espécie.
Alberto Moravia:
A censura é uma coisa terrível! Uma planta danada de se extirpar, quando adquire raízes!
Renato Castellani:
A censura é sempre censura, uma dor de cabeça é sempre uma dor de cabeça. A censura deveria ser unicamente confiada ao autor, por um lado, e ao espectador, por outro; censura entendida tanto no plano moral como no plano artístico. O que pressupõe, bem entendido, um certo grau de civilização, tanto no autor como no público. Se esse grau de civilização existe, a censura exerce-se automaticamente. Se não existe, qualquer censura é inútil, porque não é com muletas que um coxo fica bom. Não é com as censuras, ou seja, com meios negativos, que se educa o autor e o público; mas sim com meios positivos, pois a educação deve ser sempre uma contribuição, não uma subtração. E tanto o autor como o público não deixarão de procurar por outros meios tudo aquilo que lhes é negado pela censura.
Juvenal:
A censura perdoa os corvos e persegue as pombas.
Viveca Starfelt-Barthel:
Um diretor de Cinema é como um pintor ou um escritor: é um artista, e nós não temos o direito de proceder a cortes na sua obra.
Mae West:
Sou a favor da censura. Afinal, fiquei rica por causa dela.
Alain Resnais:
A censura faz correr o risco de alguns diretores escolherem argumentos sem história, o que prejudicaria o valor artístico do Cinema.
Antonioni: É difícil, em poucas palavras, emitir uma opinião sobre a censura. Os objetivos que visa não constituem nunca fins em si mesmos. Objetivos morais? Ideológicos? Mas todos sabemos que cada regime tem a sua moral – filha legítima da sua ideologia –, em nome da qual aplica a censura ao cinema, ao teatro, ao rádio e à imprensa. Não tem sentido, por conseguinte, perguntar se a censura “tem alguma validade quer do ponto de vista moral quer artístico” etc. Uma eventual resposta, fosse ela qual fosse, implicaria sempre um sem-número de justificações: políticas, sociais, talvez mesmo artísticas e, até, comerciais. Por outro lado, alguns governos defendem a necessidade de uma censura rígida. Discutir esta posição equivale, portanto, a discutir o próprio governo. (...) a censura deveria apenas confinar-se aos limites definidos pelos regulamentos de polícia, isto é, os que determinam, por exemplo, que um jornal pornográfico seja retirado do mercado. Em minha opinião, não existem outros critérios. Ou melhor: não acredito na “objetividade” de outros critérios. E não me falem de censura preventiva (...).
Augusto Genina: Para um artista, a censura representa uma limitação à liberdade criadora. O ideal seria, portanto, que a censura não existisse.
Linda Lovelace: Eu não acho que deva existir qualquer tipo de censura (...).
Luigi Zampa: Como diretor de Cinema, não posso conceber a existência da censura, que, inevitavelmente, impõe restrições prejudiciais à minha obra.
Vittorio De Sica: Concordo com a existência da censura: de fato, pergunto a mim próprio aonde iríamos parar se ela não existisse (...). A censura (...) exerce a sua missão com um critério saudável, revelando-se portanto útil (...).
Alessandro Blasetti: A censura, como o Estado, é um mal necessário. Parece-me evidente que o Estado, limitando a liberdade dos cidadãos, chegando por vezes ao ponto de lhes tirar o pão e a própria vida, constitui uma das maiores maldições que recaíram sobre o homem. Não há ninguém, repito, que tenha um mínimo de dignidade que não amaldiçoe a existência do Estado; mas também não há ninguém que, tendo o bom senso de aceitar o que é inevitável, não sinta a necessidade de admitir o Estado e de sofrer as suas violências e os seus impostos. (...) a censura, sempre odiosa no decurso dos séculos, continuará nos tempos futuros a ser necessária, especialmente para um espetáculo de tão vasta divulgação entre o povo como é o Cinema.
Aldo Vergano: Não se pode negar, em teoria, que a censura é um dos instrumentos com que um Estado democrático exerce o seu direito de defesa. Simplesmente, o modo como se exerce é que a torna discutível.
Marcel Martin: (...) partindo do princípio que seja inevitável, a censura deve ser um meio de informação, e não um instrumento de repressão.
Joël Le Theule: Admitir que certos assuntos não podem ser abordados pelo Cinema é contrário à liberdade de expressão (...).
Renato Castellani: Perguntar se a censura deve ser preventiva ou não é o mesmo que perguntar a alguém se quer levar uma paulada no princípio ou no fim da conversa.

QUEM É QUEM
Alain Resnais – cineasta francês
Alberto Moravia (1907-1990) – escritor italiano
Aldo Vergano (1891-1957) – cineasta italiano
Alessandro Blasetti (1900-1987) – cineasta italiano
Antonioni (Michelangelo Antonioni, 1912-2007) – cineasta italiano
Augusto Genina (1892-1957) – cineasta italiano
Brigitte Bardot – atriz francesa
Burton Joseph – advogado norte-americano
Emmanuelle Arsan (pseudônimo de Marayat Rollet-Andriane) – escritora francesa
Joël Le Theule – secretário de Estado de Informação da França
Juvenal (c. 60-c. 140) – poeta latino
Linda Lovelace (pseudônimo de Linda Susan Boreman, 1949-2002) – atriz pornô norte-americana
Luigi Zampa (1905-1991) – cineasta italiano
Mae West (1892-1980) – comediante e atriz norte-americana
Marcel Martin – crítico, ensaísta e historiador francês de Cinema
Renato Castellani (1913-1985) – cineasta italiano
Vittorio De Sica (1901-1974) – cineasta italiano
Viveca Starfelt-Barthel – escritora e membro da comissão de censura sueca

O CINEMA CULT
À MARGEM DO “NORMAL”

artigo de Valter Martins de Paula

SOBRE O BEIJO
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
UM FILME, UMA CRÍTICA

Antonioni é, seguramente, um dos mais destacados cineastas do nosso tempo. Quando em 1950 surgiu o seu primeiro filme, Crimes d’Alma (Cronaca di un Amore), o movimento neo-realista apresentava-se em declínio (...). Encontrava-se num período de comédias “cor-de-rosa” e de dramas lacrimogêneos. Apenas um Visconti, um Fellini, um Rossellini e alguns novos resistiam...

artigos de H. Espírito Santo e Sibélius Olivério

MONSTROS DO CINEMA

Em 1919, o lunático dr. Caligari utiliza o sonâmbulo Cesare para seus abomináveis desígnios, difundindo a morte e o pavor nas cidades da Alemanha.
Cesare tem a fisionomia branca de um cadáver, veste-se todo de preto e insinua-se de modo sorrateiro pelas ruas de paredes e muros deformados...

artigo de Rubens Francisco Lucchetti

CINEMA & QUADRINHOS
ENTREVISTA COM
ARNALDO JABOR

ASTROS E ESTRELAS DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE

LOUISE BROOKS

artigo de Marco Aurélio Lucchetti