Ano 6 - nº 18 - janeiro/abril de 2014

HARPO MARX
Angel Zúñiga
tradução e versão: Marco Aurélio Lucchetti



Dos quatro Irmãos Marx, que logo se tornariam três, só um se destaca: Harpo, o que se fazia de mudo (ele não era mudo na vida real). Os demais não contam. A verborragia insistente de Groucho é teatro, a presença de Chico só representa uma plaisanterie musical. Quanto a Harpo, ele existe. Existe como uma maravilha do surrealismo; com sua aptidão mágica para evadir-se da lógica; com seu poder de encontrar de tudo em seu jaquetão; com sua imaginação disparatada. (...) Harpo sabe como inserir poesia na realidade. E, quando impera o show, a opereta que tantos estragos causou a esses inovadores do cinema cômico, apenas Harpo permanece, com sua fantasia insuperável. (...)
O Cinema não envelhece, o que envelhece é o muito que há nele de teatro. E não terem sido encontradas fórmulas novas para o humor no cinema falado faz com que vejamos com tristeza o que o Cinema perdeu com tantas piadas insossas e tantos diálogos imbecis. Por sorte, na aurora do cinema falado, surgiu Harpo Marx, com sua mudez e seu surpreendente sentido do absurdo. E essa mudez e esse sentido do absurdo são os mesmos da época do cinema mudo, da época do grande cinema cômico americano, com Buster Keaton, Harold Lloyd e Mack Sennett.

 

Este texto foi traduzido do segundo volume de Una Historia del Cine (Barcelona, Ediciones Destino, 1948, pp. 189-190), de Angel Zúñiga