Ano 6 - nº 18 - Janeiro/Abril de 2013

O QUE DISSE GROUCHO MARX

Só um homem em mil lidera outros homens. Os demais 999 preferem seguir as mulheres.
O marido que quiser continuar feliz no casamento deve conservar a boca fechada e o talão de cheques aberto.
A solidão é responsável por muitos mais casamentos do que aquela velha atração – o sexo.
Querem um conselho? Nunca se casem. Contentem-se em ficar apaixonados.
Pagar pensão à ex-mulher é como servir feno fresco a um cavalo morto.
Suma-se e nunca conspurque minhas toalhas de novo! (frase dita para uma mulher que o dispensou)
Estou farto de casamentos convencionais, tipo um homem e uma mulher. Isso era bom no tempo da sua avó. Mas quem quer se casar com sua avó? Ninguém, nem mesmo o seu avô.
Uma namorada minha andou rodando uns filmes na França. Nesses filmes, ela fazia coisas que nunca pude convencê-la a fazer em casa.
No meu tempo, estou certo de ter lido sete ou oito milhões de palavras descrevendo os desejos de um homem por uma mulher que não a sua própria. O curioso é que raras vezes tenho lido um artigo em que a mulher deseje um homem que não o seu marido.
Noventa por cento das autobiografias são 100% ficção. Se as pessoas escrevessem a verdade sobre si próprias, não haveria cadeia que chegasse.
Certa vez, pedi a uma mulher uma mecha de seu cabelo. Fui um idiota. Devia ter pedido a ela a peruca inteira.
As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora.
Quando um cara chega aos oitenta, o melhor que tem a fazer é ler um livro.
Sinceramente, não tenho a preocupação de esconder a idade; mas confesso que perdi a conta. Só sei que nasci com tenra idade. Isso deve ter sido aproximadamente no começo do século; entretanto, não vou dizer de qual século.
As mulheres devem ter o salário igual ao dos homens... e como estes devem ir à guerra.
Ler e fumar na cama são duas coisas de que as mulheres se queixam no marido. Bolas, por que não perceberam isso antes de se casar com ele?
Disseram que dei vexame bebendo champanhe no sapato de Sophia Loren. Não é verdade. Derramei quase metade, porque ela se recusava a tirar o maldito pé do sapato.
Ainda bem que Sophia Loren é mulher. Um corpo como aquele seria um desperdício num homem.
Não gostei de Sansão e Dalila, com Victor Mature e Hedy Lamarr. Porque não gosto de filmes em que as tetas do ator são maiores do que as da atriz.
O mundo está cheio de exibicionistas. Acho que a maioria das pessoas entra na política só para poder subir numa plataforma e deixar que os outros a veja. É por isso que os programas de auditório fazem tanto sucesso. Milhares de pessoas escrevem para as redes de TV, implorando por uma chance de aparecer nos tais programas. E, na maior parte dos casos, não é o dinheiro que as interessa. Elas só querem aparecer diante de uma platéia. Como bem disse um obscuro poeta chamado Shakespeare: “O mundo é um palco.” E parece que todos querem estar nele, na frente e no centro.
Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro para ler.
Nos velhos tempos, quando as pessoas eram pobres, viviam como pobres. Hoje, vivem como ricas. Discuti isso com muitos assalariados na faixa dos oito a dez mil dólares por ano; e, na maioria dos casos, eles admitem que quase tudo que possuem não lhes pertencem – seus automóveis, suas televisões, suas casas e sua mobília. Sua filosofia parece ser: “Que diabos: Talvez estejamos mortos amanhã.” Contudo, se viverem mais algumas décadas, muitos vão passar a velhice às custas do Estado.
Veja o meu caso: saí do nada e cheguei à extrema pobreza.
Ninguém pode se dar bem sem sorte. Pode-se ter o cérebro de Eistein (...) e a sabedoria de Thoreau; mas, sem a Dona Sorte em casa, é melhor se trancar no quarto e ligar o gás.
O ator não tem nada, além do seu corpo, seu talento e seu magnetismo pessoal. E, quando tudo isso se esgota, ele se torna apenas uma lembrança, logo esquecida. Isso também se aplica a boxeadores, jogadores de beisebol e atletas em geral.
Não entro para clubes que me aceitam como sócio.
Um dos piores problemas do sucesso é que sua receita tem mais ou menos os mesmos ingredientes do estresse.
O show business é uma profissão inconstante. A estrela de hoje é freqüentemente o desempregado de amanhã, e vice-versa.
Levantar fundos para um grande e caro musical é por si só um negócio.(...)  O freqüentador comum dos teatros não tem idéia do suor e da humilhação que até os produtores de maior sucesso acabam passando antes de finalmente conseguirem dinheiro para começar a ensaiar um espetáculo.
Antes da chegada da televisão, a palavra gênio circulava pela indústria cinematográfica com todo o descuido de uma strip-teaser balançando os músculos num baile de carnaval. Suponho que havia muitos deles por ali naquela época, mas só conheci um. Seu nome era Irving Thalberg. Era tão talentoso que deram seu nome a um prédio na MGM. Como todos os grandes talentos, ele não precisava de um prédio para perpetuar sua memória. Morreu com a idade de trinta e sete anos e, nos dezessete anos que trabalhou com filmes, abriu um largo caminho pra si mesmo na indústria.
Depois da morte de Thalberg, meu interesse pelo Cinema diminuiu. Continuei a fazer filmes, mas meu coração estava em outra. A graça em fazer filmes tinha acabado; e eu era como um velho pugilista que ainda ia à luta, mas agora somente por dinheiro. Meu canto do cisne foi Uma Noite em Casablanca.
Ninguém fica completamente infeliz diante do fracasso do seu melhor amigo.
Todo mundo é capaz de envelhecer. Basta viver o suficiente para chegar lá.
Certas mulheres não param de falar um minuto. Parecem que foram vacinadas com agulha de vitrola.
Um dia, eu estava no elevador do Edifício Thalberg, quando Greta Garbo entrou. Ela estava no auge da sua carreira, conhecida por todos como a maior estrela de Cinema de sua época. Usava um chapéu aproximadamente do tamanho de um grande bueiro de esgoto. O que sobrava dela estava encerrado dentro de calças compridas e de um casaco estilo masculino. Eu estava atrás dela e, brincalhão como sou, gentilmente levantei a aba de trás do chapéu. (...) A srta. Garbo se virou para mim, com raiva; e, tirando o chapéu, gritou: “Como se atreve?” “Oh sinto muito”, respondi. “Pensei que você fosse um camarada que conheci em Kansas City.”

FOLHETIM

 

CARMILLA
Em toda e qualquer relação de autores de histórias de vampiros não pode faltar o nome do irlandês Joseph Sheridan Le Fanu (1814-1873).
Le Fanu foi o criador da célebre vampiresa Carmilla Karnstein, cuja história continua sendo publicada na íntegra, em capítulos, no Jornal do Cinema.
O ABOMINÁVEL DOUTOR ZOLA
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O FANTASMA DE GREENSTOCK
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
OS AMANTES DA SENHORA POWERS
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
NÚMERO ESPECIAL SOBRE
OS IRMÃOS MARX
UM LADO INÉDITO DE GROUCHO MARX
por Dennis McLellan
PENSAMENTOS EM RITMO DE “VAUDEVILLE
por Hélio Muniz
O PENSAMENTO DE GROUCHO MARX CONDENSADO EM LIVRO
por Ruy Castro
ENTREVISTA COM GROUCHO MARX
GROUCHO MARX NÃO É APENAS UM HUMORISTA
por Roger Ebert
MORREU GROUCHO MARX
por José Casel & Fernando Duarte
HARPO MARX
por Angel Zúñiga
MORREU HARPO MARX
AS MUSAS DO CINEMA
Um dos maiores mitos de Hollywood nos anos 1930, Jean Harlow (Kansas City, Missouri, 3 de março de 1911-Los Angeles, Califórnia, 7 de julho de 1937), cujo verdadeiro nome era Harlean Carpenter, começou sua carreira de atriz cinematográfica pouco tempo depois de separar-se de seu primeiro marido, Charles F. McGrew, e tornou-se protótipo do sex-appeal (sua cabeleira loura platinada foi imitada por mulheres de diversas partes do mundo).
 
SUPLEMENTO
ROSAS VERMELHAS PARA UMA DAMA TRISTE
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O MUSEU DOS HORRORES
por Rubens Francisco Lucchetti
A AMADA MORENA DE SALOMÃO
por Rubens Francisco Lucchetti