Ano 6 - nº 18 - janeiro/abril de 2014

A AMADA MORENA DE SALOMÃO
Rubens Francisco Lucchetti



– Beije-me com os beijos de sua boca! Seu amor é mais delicioso que o vinho, o odor de seu perfume é suave, seu nome é como bálsamo escorrendo; e, por isso, as donzelas enamoram-se de você... Leve-me com você, corramos! Leve-me, ó rei, aos seus aposentos; e exultemos! Celebremos seu amor mais que o vinho! Ó filhas de Jerusalém, sou formosa, como as tendas de Cedar e os pavilhões de Salmá. Não reparem se sou morena: foi o sol que me queimou. Os filhos de minha mãe se voltaram contra mim, obrigaram-me a guardar as vinhas; e a minha vinha eu não pude guardar. Diga-me, amado de minha alma, onde apascenta e faz descansar o rebanho ao meio-dia, para que eu não fique vagando entre os rebanhos de seus companheiros.
– Minha amada, eu comparo você à égua atrelada ao carro do faraó. Que beleza suas faces entre os brincos; seu pescoço, com colares! Faremos para você brincos de ouro com pingentes de prata.
– Enquanto o rei descansa em seu leito, meu nardo exala o seu perfume. Para mim, meu amado é um saquinho de mirra repousando entre meus seios. Meu amado é como um cacho de uvas das vinhas de Engadi.
– Como você é bela, minha amada! Seus olhos são como pombas...

 

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos

 

Este texto foi transcrito do livro (inédito) Sagradas e Profanas