Ano 5 - nº 17 - setembro/dezembro de 2013

O QUE EU PENSO DOS IRMÃOS MARX E DE O DIABO A QUATRO
Leo McCarey



Não gostei de trabalhar com os Irmãos Marx. Eles eram muito irresponsáveis. E eu nunca conseguia reunir todos ao mesmo tempo – sempre estava faltando um.
(...) Na verdade, eu não queria fazer o filme, mas os Irmãos Marx tinham me solicitado para isso. Eu recusei. Aí eles se irritaram com o estúdio (Paramount), romperam o contrato e foram embora. Mas, pouco tempo depois, eles tinham se reconciliado com a Paramount; e eu me vi dirigindo os Irmãos Marx. O mais incrível sobre O Diabo a Quatro é o fato de eu não ter enlouquecido. Os Marxes eram completamente doidos. Apesar disso, gostei de rodar diversas cenas. A experiência que eu tinha com filmes mudos me influenciou muito, de modo que geralmente eu preferia Harpo. Mas aquele não era o filme ideal para mim. Na verdade, foi a única vez na minha carreira que baseei o humor nas falas, porque esse era o único jeito de se obter de Groucho alguma coisa engraçada. Ele dispunha de quatro ou cinco redatores que lhe forneciam gags e falas.



Este texto foi transcrito do livro Afinal, Quem Faz os Filmes (Who the Devil Made It, tradução de Henrique W. Leão, São Paulo, Companhia das Letras, 2000, p. 475), de Peter Bogdanovich